Coaching: a arte de ajudar os outros a alcançar objetivos

O coaching começou, na década de 1960, nos Estados Unidos da América como forma de potenciar as qualidades de jovens tenistas. Mas, para a alcobacense Rute Candeias Vinagre, surgiu como uma “busca interior de outra perspetiva de vida”. Só depois é que se transformou em negócio com o sentido de missão de “ajudar os outros a atingir objetivos de vida concretos”. O ramo é cada vez mais popular em Portugal e no Mundo e, também nos concelhos de Alcobaça e da Nazaré, existem várias respostas neste setor há vários anos.  

Quando o futebolista Éder marcou o golo que deu a vitória a Portugal no Campeonato da Europa, em França, muita tinta correu sobre Susana Torres, a coach que ajudou o atleta a atingir os seus objetivos desportivos através do melhoramento da sua condição mental. Quando, a 10 de julho do ano passado, o remate do avançado deu alegrias a milhões de portugueses em todo o mundo, já Rute Candeias Vinagre fazia sessões com clientes nacionais e internacionais há vários anos. 

Tudo começou como uma forma de melhorar a sua própria vida. A coach estava a viver na Holanda e decidiu frequentar vários cursos e formações de “coaching para a consciência”. Foi só mais tarde, quase por acaso, que montou um negócio e, desde então, tem ajudado várias pessoas a concretizar desejos pessoais, sobretudo no que toca a “alterações de hábitos de vida”, explica a alcobacense. A maior parte precisa de ajuda “durante uma mudança de emprego, a gerir melhor o dia-a-dia” ou até a “mudar hábitos alimentares antigos”, refere a coach.

Mas, afinal, o que é o coaching? Segundo a definição universal do conceito, o coaching é “uma parceria entre o coach e o coachee [cliente] de forma a alcançar os objetivos do cliente”. É uma explicação muito lata mas, de acordo com Rute Candeias Vinagre, o coaching passa por “criar contextos para que o cliente possa pensar em coisas que nunca tinha pensado de forma a poder melhorar inúmeros aspetos da sua vida”. 

A forma de alcançar os resultados não é igual para todos os coachs e muito menos para todos os clientes. Cada caso é um caso. Não há fórmulas nem regras, protocolos, “truques de magia ou manipulação”, conta Henrique Silva, acrescentando que a relação com o cliente é “um processo gradual”. Pode dizer-se que, atualmente, o coaching está na moda mas, quando o nazareno se “lançou” neste ramo, há mais de uma década, “havia apenas duas empresas registadas” em Portugal. “Tem de haver um grande compromisso entre o coach e o coachee”, começa por explicar Henrique Silva. Compromisso e “ética”, defende o coach. Ao contrário da psicologia ou psiquiatria, no coaching “parte-se do princípio que a pessoa está bem mentalmente”, argumenta. Esta parece ser a grande diferença entre o coach e o psicólogo: no coaching não se fala em terapia. “Não queremos resolver traumas ou problemas antigos”. O passado não interessa e “parte-se do presente para resolver os problemas do futuro”, esclarece Henrique Silva. 

No coaching, as ferramentas necessárias para obter os resultados pretendidos já estão “dentro da pessoa”, aquilo que o coach faz é “ajudar a potenciar” o cliente a atingir as respostas. Mas, para chegar a essas respostas, são necessárias questões. Questões “fora da caixa” que obriguem a uma “mudança de perspetiva sobre a vida”, de forma a atingir uma “redefinição de características” para alcançar os objetivos pretendidos. “Uma boa pergunta vale mais do que mil respostas”, corrobora Rute Candeias Vinagre.

Para Henrique Silva, o coaching resume-se à “arte da escuta ativa e do questionamento”. Estas orientações são semelhantes às de Rute Candeias Vinagre, que aponta como condições fundamentais o facto de “não julgar o coachee” nem tentar direcioná-lo para as respostas. “O que devemos fazer é “orientar” a pessoa na busca das respostas, esclarece a alcobacense. 

Seja qual for o objetivo, o coach pode ajudá-lo, mas desde que tenha força de vontade porque o “coach ajuda mas o trabalho é... do cliente”.