Designer quer certificar alga da baía de São Martinho

A apanha e comercialização de limo ao largo da baía de São Martinho do Porto é uma atividade secular e há um filho da terra que quer valorizar este importante recurso natural e, ao mesmo tempo, divulgar a “única atividade tradicional que persiste” naquela vila. 

Ricardo Macedo criou, recentemente, a marca Limo do Cais e, através de uma parceria com Cetemares, um projeto do Instituto Politécnico de Leiria, quer mesmo certificar a macroalga vermelha, que se apanha na parte exterior da concha azul, como a melhor do mundo para se extrair o ágar, uma gelatina vegetal com “inúmeras aplicações”.

Paralelamente, o designer de moda que quer dar o seu “contributo para o desenvolvimento da terra natal” está a estudar a criação de diversos produtos de consumo, nomeadamente  vestuário, decoração e até velas ou sabonetes “com o cheiro a mar”. “Queremos apostar no turismo de qualidade e que os milhares de turistas que nos visitam levem alguma coisa de São Martinho do Porto”, explica Ricardo Macedo. “Alcobaça, Caldas da Rainha, Nazaré e Óbidos têm produtos tradicionais que são conhecidos internacionalmente mas São Martinho do Porto não tem nada para oferecer além da baía. E mesmo assim os turistas não podem levar a baía para casa”, salienta o sãomartinhense, que quer ajudar a colocar a concha azul no mapa e diferenciar a oferta turística daquela vila além da “praia das famílias e das crianças”.

O designer assume, também, motivos de cariz ecológico para sustentar o projeto. “É importante tornar a atividade sustentável para que possa perdurar no tempo e para que as cerca de cem pessoas que se dedicam a este negócio continuem a ter o seu meio de subsistência”, afirma o promotor da marca Limo do Cais.

Há cerca de 30 mil espécies de algas no mundo, mas a de São Martinho pode vir a ser considerada a que tem mais qualidade.