Fique a conhecer o Zé, um militar caricaturista que nasceu em Alpedriz

Nasceu no final da década de 70 do século XIX e fez história no mundo das artes e carreira no mundo militar. José Rodrigues Brusco Junior nasceu em Alpedriz, desconhecendo-se por quantos anos viveu em terras de Cister. Diz quem sabe que regressava com frequência à sua terra Natal. É em Alcobaça que morre.
Através das suas mãos, depois de terminar os estudos no Colégio Militar em Lisboa, nasceu uma obra ímpar em Portugal. Dada a sua formação, ficou conhecido pelo humor que criou em torno da vida militar.
Aquando das comemorações dos 150 anos da caricatura em Portugal, Osvaldo Macedo de Sousa escreveu no livro ‘Humor militar’: “Não temos conhecimento das escolas frequentadas, se teve mestres, quais as suas preferências estéticas. Foi essencialmente um autodidata e, como tal, um indivíduo com sede enorme de conhecimento, de cultura”.
Desconhece-se a arma a que pertencia, mas a julgar pela sua obra plástica o tenente-coronel deveria ser militar de cavalaria. O facto de conhecer tão bem a anatomia dos cavalos, permitiu-lhe dissecar toda a sua anatomia, distorcê-la de forma graciosa ou satírica. “A Cavalaria será uma fonte infindável do seu espírito criativo, uma presença constante e determinante na sua obra”, acrescenta Osvaldo Macedo de Sousa.
A obra mais antiga que se conhece de Brusco Junior é um painel de azulejos que existiu na Fonte dos Talassas, na Rua Miguel Bombarda. Nesta obra, de 1911, via-se os monges de Cister a trabalhar, tendo o Mosteiro como pano de fundo. Quando a Fonte foi demolida, em 1972, os azulejos foram numerados e guardados, mas ninguém sabe do seu paradeiro.
O tenente-coronel de reserva participou em exposições, criou uma coleção de postais e também foi presidente da secção de Alcobaça da Liga de Combatentes. 
Foi Alcobaça que Brusco Junior escolheu para viver, depois de a mulher ter ficado cega após a morte do filho durante o parto. Por aqui, se dedica às lides artísticas e passava parte do seu tempo nas farmácias Campeão e Belo Marques (esta de um seu cunhado). Para a história, fica um homem de Alpedriz que ousou, há quase 100 anos, fazer humor através da caricatura, que assinava como Zé.