Iraniano atravessou Europa e fez da Benedita a sua casa

Passou por dez países como imigrante ilegal, viveu nas ruas durante o frio inverno de Atenas, na Grécia, enquanto esperava pelo estatuto de exilado político, mas encontrou na Benedita a sua casa. O iraniano Yaser Khodabandeh recebeu o REGIÃO DE CISTER na casa que reside na vila há um ano para contar a atribulada história de vida. 

Depois de um jantar de família, o iraniano estava “no sítio errado à hora errada” e, numa madrugada, foi apanhado no meio de uma manifestação política num país que impunha o recolher obrigatório após as 20 horas. Yaser Khodabandeh esteve detido durante duas semanas e apenas um “milagre” ditou a sua libertação. 

O “beneditense emprestado” estava “bem” na vida: tinha emprego, frequentava o ensino superior, mas a situação insólita que viveu obrigou-o a deixar tudo para trás e “mudar de vida”. 

Do Irão a Istambul, na Turquia, o homem de 34 anos fez quase toda a travessia a pé. Partiu em direção à Grécia e, depois, à Alemanha. Apanhou azeitonas em Itália, onde conheceu uma portuguesa por quem se apaixonou. 

Por amor largou tudo o que tinha naquele país e veio para Portugal. Casou e fixou-se, durante quase dois anos, na localidade de Nadadouro, concelho de Caldas da Rainha, até se separar da mulher. E foi esse “pequeno grande percalço” que o trouxe à Benedita, onde encontrou trabalho na ICEL.

Mesmo depois de vários anos em Portugal, Yaser Khodabandeh ainda só consegue “arranhar” o português e utiliza muito o inglês para se fazer entender. Mas quando o assunto é a sua “família adotiva” na Benedita, não precisa de muito esforço para encontrar as palavras certas: “Têm um grande coração”. O iraniano está a viver num quarto que alugou numa habitação perto do centro da Benedita. “Mais do que amigos, são a minha segunda família”.

Até obter a cidadania portuguesa, tenciona continuar a viver e trabalhar na Benedita, onde consegue “poupar algum dinheiro e ajudar a família” que deixou no Irão. Yaser Khodabandeh não vai ao país de origem há mais de uma década.

A vida de Yaser encontrou alguma estabilidade na Benedita mas está longe de ter chegado a um final (feliz). É o próprio que o garante. “As pessoas mudam. O que hoje é verdade, amanhã já pode não ser”, sublinha. Seja onde for, este verdadeira cidadão do mundo vai procurar “estar em paz consigo” e... ser “feliz”.