Israel Costa Pereira leva “Curtas” para a música

Pode uma curta-metragem não ter imagem e viver do som? O alcobacense Israel Costa Pereira acredita que sim e vai prová-lo no primeiro álbum a solo. “Curtas” reúne oito músicas e um quarteto para as interpretar. Além da guitarra, que Israel Costa Pereira sempre tocou, o CD conta com o som do violino da russa Ianina Khmelik, do piano de Bernardo Santos e do violoncelo do também russo Nikolay Gimaletdinov.

“É um trabalho muito autobiográfico e a música acaba por ser muito cinematográfica. É a banda sonora da minha vida, mas também acredito que será a de muitas pessoas”, adianta o músico, que tem tocado ao lado dos The Gift. O vídeo da música “O meu pai, a minha irmã e eu” foi o primeiro a ser divulgado de “Curtas”.

O álbum a solo, embora que “tardio”, foi o resultado de uma candidatura a um apoio da Gestão dos Direitos dos Artistas (GDA). “Como executante podia candidatar-me a um projeto de edição fonográfica, mas não estava à espera de ser selecionado”, conta. Israel Costa Pereira enviou “coisas que já tinha feito há algum tempo e outras que finalmente viram a luz do dia”, condensando o “best of” do trabalho do guitarrista. “Escrevi, reescrevi e acabei por fazer novos arranjos de músicas que já tinha, sendo que uma das obras que enviei foi a que serviu de banda sonora ao documentário sobre José Aurélio, realizado por Gonçalo Tarquínio e Rita Pimenta”, acrescenta.

Israel Costa Pereira quer levar o disco, cujo lançamento acontecerá até ao final deste mês, às salas de espetáculo do País, incluindo o Cine-teatro de Alcobaça, mostrando a “potencialidade” da música ao vivo. “Apesar de ser um quarteto clássico, não serão concertos de música clássica, será música com uma envolvência cinematográfica, complementada pela cenografia de Gonçalo Tarquínio”, explica. 

A tirar o mestrado em ensino da Música e a dar aulas na Academia de Música de Alcobaça, Israel Costa Pereira gravou o disco no auditório da Universidade de Aveiro, contando com o trabalho de mistura e gravação de Mário Barreiros, com o artwork da irmã, Natacha Costa Pereira, e fotografias de Paulo Mendes. “Quero conquistar o meu lugar na música de autor e cinematográfica e ter o privilégio de fazer música”, conclui o alcobacense, que aos 43 anos reuniu “Curtas” numa banda sonora “longa” de emoções.