O até logo do vereador Rogério

Durante as últimas duas décadas foi uma das vozes mais ativas no concelho de Alcobaça. Tornaram-se célebres os seus elogios públicos aos alcobacenses que se destacavam nas mais diversas frentes, as suas chamadas de atenção ao poder político, mas também as divergências para com as maiorias PSD na Câmara. No dia 1 de outubro falhou a reeleição como vereador da CDU e despediu-se na derradeira sessão do executivo com um “até logo”. Rogério Raimundo está de saída do palacete cor de rosa, mas promete continuar ativo civicamente.

“Saio de consciência tranquila. Sempre estive na política para servir e não para me servir. Continuarei a intervir no PCP e na CDU”, assevera o homem que conseguiu, ao longo de vários atos eleitorais autárquicos, o “milagre” da multiplicação dos votos da coligação em Alcobaça, mas que, desta feita, não atingiu os objetivos.

“Tive vitórias e derrotas na política. A gente vai muitas vezes à luta, nem sempre consegue os objetivos e a história é feita de altos e baixos, mas a ideologia mantém-se”, salienta o ainda vereador Rogério, que assume responsabilidades pelo desaire eleitoral. “Talvez tenha tido algum excesso de confiança. Fomos penalizados pela constituição das equipas e também, o que sucedeu pela primeira vez, pelos boatos lançados por algumas forças políticas”, lamenta o antigo dirigente sindical, garantindo que a ausência da CDU do executivo municipal é “temporária”.

“Haverá outros elementos que vão ser capazes de liderar a CDU, renovaremos as equipas e as pessoas vão perceber que a presença da CDU na Câmara é uma mais-valia para as populações”, vaticina.
E, agora, o que se segue? “Considero que a liberdade é a inteligência na necessidade e continuo apaixonado em procurar suprir as necessidades coletivas, para além das individuais”, esclarece o professor, de 66 anos, que está a aguardar a aposentação para, depois, se dedicar “ainda mais” à sua grande obra: o Centro Cénico da Cela.

“Sou presidente da Assembleia Geral e quero dar mais de mim a esta grande instituição, cuja atividade precisa ser alargada”, frisa Rogério Raimundo, admitindo que a criação de uma unidade de cuidados paliativos é um dos projetos que irá agarrar “com as duas mãos”.

Agora que está de saída, ressalta ainda outra questão: “quem divulgará o que se passa na atividade municipal? A Câmara não o faz e o meu blog procurava suprir essa deficiência de comunicação”. Os jornalistas também vão sentir a falta da “Lusa” de Alcobaça. Aquele abRRaço!