Opinião

A água “fonte da vida”

A água símbolo de pureza e fonte de vida, assume um lugar central em várias religiões, muito concretamente no “nosso” Cristianismo. A limpeza com água é comum com o islamismo, budismo ou hinduísmo, embora em cada destas religiões haja particularidades, no que respeita à utilização e sentido.

Como fonte de vida, a água representa, para nós, o (re)nascimento. A água lava o corpo, purifica-o, o que lhe confere um profundo simbolismo, senão um estatuto sagrado. A água é, por isso, um elemento-chave em cerimónias e rituais religiosos. Mas também condição de vida, ainda que em sentido meramente físico.

No que respeita ao Cristianismo, religião em que me atrevo a emitir uma pequena opinião, está intrinsecamente ligada ao batismo, declaração de fé, de boas-vindas à Igreja após a purificação, a rejeição do pecado original, “não uma prática social ou de bom tom, politicamente correto”. Quando batizada, a pessoa é parcial ou totalmente imersa em água vertida ou aspergida sobre a cabeça. Este sacramento tem destaque na Bíblia, que regista que Jesus foi batizado por João Baptista, e assim se tem mantido al longo dos séculos.

Recentemente, Portugal foi confrontado, durante meses, com (inusitados) acontecimentos relacionados com a gestão dos recursos hídricos, o que suscitou enorme preocupação, mal-estar e sofrimento.

As enormes potencialidades dos resultados da investigação e desenvolvimento em áreas tecnológicas emergentes, devem ser cada vez mais acarinhadas e incorporadas numa política integrada e moderna de gestão destes recursos.

Em todos esses acontecimentos, a população sentiu a incapacidade de previsão, de fiscalização, e de monitorização adequada, bem como a ausência de uma política institucional de gestão de riscos, na vertente utilização dos recursos hídricos. Um breve parêntesis, onde se refere “RECURSOS HÍDRICOS”, também se poderia/deveria acrescentar “RECURSOS FLORESTAIS”.

Nesta perspectiva, entendemos algo irrelevante e estéril (saber em primeiro lugar de quem é a culpa? preliminar à boa moda portuguesa) a discussão sobre as alterações climáticas quando, se vai sabendo não existir adequada monitorização, em termos de caudais e precipitações, na maior parte das bacias hidrográficas.

Esta triste realidade esteve, por exemplo, implicada nas inundações catastróficas de Coimbra em 2016, na cidade de Viseu em novembro de 2017 (de certo modo ao contrário), mas onde perante a ausência de um plano de segurança, não foi possível recorrer a reservas de água para consumo humano, como aliás tivemos oportunidade de constatar numa estadia em casa de familiares.

Os Serviços Municipalizados de Alcobaça solicitaram à população (Pataias, Martingança, Burinhosa, Paredes da Vitória, Légua, Falca, Água de Madeiros, Pedra do Ouro e Vale Furado) para não beber água da rede pública devido às cinzas resultantes dos incêndios que deflagraram no domingo 15 de outubro de 2017 e foram arrastadas na sequência da chuva que caiu nos dois dias seguintes.

“Solicita-se a colaboração das pessoas no sentido de não beberem água da torneira sem ser fervida, podendo ser utilizada para banhos e cozeduras”.

No intuito de garantir a qualidade da água, os SMA informaram já ter “a análise e respetiva desinfeção” e estarem a desenvolver esforços “no sentido de repor a normalidade no abastecimento de água”.

Tudo, aparentemente, correto.

Os fogos que deflagraram em outubro na freguesia de Pataias, como bem se recorda, apesar de combatidos por 149 operacionais, com 38 viaturas e três meios aéreos, consumiram pelo menos 2.700 hectares de floresta e destruíram uma dezena de casas de segunda habitação entre a Praia da Légua, Vale Furado e Paredes da Vitória.

Face a estes desafios, a sociedade (Alcobaça incluída) deveria mobilizar-se, adquirindo e aplicando (depois de facultado) o conhecimento e tecnologias atualizadas, sobretudo em situações de incerteza e imponderabilidade, características de alguns fenómenos naturais. Parar além disso, será de crucial importância rever a estrutura organizativa da gestão da água e da floresta e dotá-las de competências humanas e tecnológicas.

 

As enormes potencialidades dos resultados da investigação e desenvolvimento em áreas tecnológicas emergentes, devem ser cada vez mais acarinhadas e incorporadas numa política integrada e moderna de gestão destes recursos.

Que esta ideia, não seja apenas um voto “piedoso”, de conteúdo místico, mas também algo muito materialista que diz respeito a todos.