Opinião

O meu primeiro Mundial

Nasci num tempo em que Portugal ir a um Mundial ou a um Europeu era tão incomum que um apuramento para uma fase final era celebrado como se fôssemos campeões do Mundo. Mas, como qualquer criança que sonha um dia ser futebolista, jamais esquecerei o meu primeiro Campeonato do Mundo. 

Recordo-me como se fosse hoje. Tinha 6 anos e frequentava a 1.ª classe na Escola N.º 2 da Nazaré, no período da tarde. Quando acabavam as aulas, fugia o mais depressa possível a caminho de casa para, em vez de fazer os trabalhos ordenados pela Prof. Jacinta, instalar-me em frente à televisão e seguir os jogos do Espanha’ 82. 

E o leitor? Qual foi o seu primeiro Mundial?

O Naranjito era a mascote e o Brasil, como não poderia deixar de ser, a minha equipa preferida, já que a Seleção Nacional não estava presente. Ainda não sabia o que era o conceito de arte, mas o futebol de Zico, Sócrates e Falcão captava-me a atenção e despertava os sentidos. Até ao momento em que a Itália de Paolo Rossi destroçou a canarinha. A partir dali, passei a torcer pela equipa de Dino Zoff e Bergomi. Jamais esquecerei a forma como Tardelli festejou o momentâneo 2-0, abanando a cabeça como não querendo acreditar no que tinha feito. Nesse dia aprendi com os comentadores da RTP o que era o “tento de honra”: foi quando Breitner reduziu para a RFA e fez o 3-1 nos minutos finais. Percebi, então, que o futebol era um jogo em que quem perdia tinha honra, desde que lutasse até ao último segundo.

Também foi pelo futebol que aprendi muito de Geografia e no Espanha’ 82 fiquei a saber que havia um país africano chamado Camarões, e que tinha jogadores como Roger Milla.

Contudo, o jogo que mais me marcou foi a incrível meia-final entre França e RFA (3-3). Aquilo era muito mais do que um jogo de futebol. Era uma luta titânica entre duas potências. De um lado Platini, que infelizmente viria a ser coroado como campeão da Europa dois anos depois... Do outro Rummenige, um letal avançado que fazia golos de toda a maneira e feitio. Mas foi a elegância de Littbarski no ataque e a destreza do guardião Schumacher entre os postes que me fizeram passar a torcer pela, então, RFA, na decisão nos penáltis (5-4). E, assim, a “perder” a final para a implacável Squadra Azzura. 

E o leitor? Qual foi o seu primeiro Mundial?