O Círculo Imperfeito

Os Claustros de Alcobaça

O Mosteiro de Alcobaça que foi construído ao longo dos séculos com o esforço da Ordem de Cister e de vários Reis de Portugal, apresenta hoje no seu edificado cinco claustros e memória de mais dois.

O primeiro claustro foi naturalmente o regular, construído no tempo do Rei D. Dinis graças a uma herança pecuniária de seu pai D. Afonso III.

O piso térreo com direção final de mestre Diogo conclui-se em 1311 sendo o responsável pelo início dos trabalhos Domingo Domingues, no abaciato perpétuo de D. Pedro Nunes. As quatro galerias do claustro eram então em terra batida e sob o terreiro central corria uma conduta de água potável que abastecia uma fonte de ablução primitiva abrigada pela edícula em frente ao refeitório regular.

No Século XVI é construído um sobreclaustro e inicia-se uma nova quadra que a seu tempo se denominou dos Noviços ou do Cardeal comendatário D. Afonso, que estará concluído no SEC.XVII com o atual figurino. A levada atravessa-o sendo a distribuição da sua água pelo edificado feita por comportas e adufas.

A partir do século XVI, segundo um testemunho coevo de Frei Jerónimo Romam, existe em pleno funcionamento a chamada quadra VI rodeada por edifícios de serviço, armazéns, celeiro, casas da fruta cavalariças e outros. As tulhas de azeite e pipas de vinho passariam no século seguinte para a sala dos monges. Todo este equipamento acolhia o necessário para o quotidiano dos monges, irmãos conversos e leigos assalariados 

Todo este equipamento acolhia o necessário para o quotidiano dos monges, irmãos conversos e leigos assalariados 

No século XVII o Rei D. Afonso VI manda construir a suas expensas o edifício que limita a norte o futuro claustro do rachadouro que esteve aberto durante um século, a nascente e sul, daí o seu nome “racha” abertura.

Este edifício destinava-se aos monges de Lausperene acomodando também a botica nova, junto ao corpo da enfermaria que fechava a nova quadra a poente. O edifício só foi concluído no tempo de D. Pedro II.

No final do século XVI o comendatário cardeal D. Henrique mandou fazer um palácio e uma portaria nova no local da cozinha medieval. No seu interior nasceu um bonito claustro da alta renascença erradamente designado de D. Afonso VI, ao qual viria a ligar-se no século XVII um outro claustro de menor dimensão no edifício da hospedaria. Por este acedia-se à Sala das Conclusões, onde se realizava entre outras cerimónias o capítulo eletivo trienal no tempo da Congregação.

No século XVIII é construído o edifício da ala sul para funcionamento do Colégio de Nossa Senhora da Conceição no rés-do-chão funcionou uma fábrica de panos que foi visitada pela Rainha D. Maria I em outubro de 1786.

Nas traseiras deste edifício há uma belíssima varanda galeria que no século XVII dava para uma quadra, o claustro do colégio, como assinala Pedro Tavares.

A arqueologia comprova esta tese perfeitamente verosímil.