Edifícios com história

Palácio do Visconde Costa Veiga

António Duarte de Almeida Veiga foi filho de um farmacêutico e ele e os seus antepassados foram arrematantes de impostos. No livro “Midões e o seu velho Município”, editado em 1911 pela Livraria Cernadas & Ca., de Lisboa, são mencionados o Barão da Costa Veiga e o genealogista coronel Augusto Botelho da Costa Veiga, que foi diretor da Biblioteca Nacional.

Pela consulta de um blogue local, de José Quitério, constatase que o Visconde de Costa Veiga foi proprietário na Ataíja de Cima, na região de Alcobaça. “Entre os diversos nobres e burgueses que no Século XIX eram proprietários na Ataíja de Cima encontrava-se o Visconde de Costa Veiga.

Em 23 de Julho de 1890, no escritório do tabelião Francisco Eliseu Ribeiro, em Alcobaça, foi celebrada a escritura da compra que, pelo preço de 72$000 réis, Sabino dos Santos, alfaiate, morador na Ataíja de Cima, fez a Joaquim Matias e mulher Maria Firmina, de: ‘uma vinha e mata, no sítio da Várzea da Ratinha, confrontando a norte com José Carvalho e Visconde de Costa Veiga, a sul com José d’Horta, a nascente com caminho e a poente com regueira’. O Visconde era filho de António Xavier da Costa Veiga, nascido em Tábua em 4 de Maio de 1803 e falecido no Lumiar (Lisboa) em 1876 e a quem, em 1865, foi atribuído o título de Barão de Costa Veiga”.

Refere ainda José Quitério que, “…aparentemente, o Barão de Costa Veiga terá conseguido a sua fortuna no Brasil onde, em São Paulo, existe uma rua com o seu nome”.

O título de Visconde de Costa Veiga foi criado pelo rei D. Luís I e concedido por carta de 31 de março de 1881 ao filho do Barão, de seu nome igualmente António Xavier da Costa Veiga, nascido em Lisboa a 20 de outubro de 1839 e aí falecido a 7 de março de 1906. Licenciado em direito pela Universidade de Coimbra, “o Visconde nunca exerceu qualquer profissão jurídica nem, aparentemente, outra, limitando-se a gerir a herança.” (*)

Em 1863 alojaram-se no seu solar de Alcobaça D. Luís I e a Rainha D. Maria Pia, tanto na ida como no regresso de uma viagem efetuada ao Norte do País. O solar era um edifício de planta retangular longitudinal, de volume simples disposto na horizontalidade com coberturas em telhados de 4 águas.

Em 1922 o futebol de “baliza às costas” também “andou” por perto quando o Alcobaça Futebol Clube utilizava um terreno atrás do Palácio Costa Veiga para disputar os seus jogos.

O edifício principal na Rua Frei Fortunato esteve durante décadas em mau estado de conservação, rodeado por construções que serviam de apoio às atividades agrícolas com destaque para os tanques de águas e minas de captação.

Pessoalmente também utilizei como “piscina” um dos enormes tanques de captação de águas que desciam pelo vale dos campos do Sidral até à quinta do solar. Estes banhos, feitos às escondidas por alunos do Externato do Dr. Cabrita, aconteceram por volta de 1955. Nos anos seguintes alguns espaços do edifício principal foram ocupados por oficinas, casas comerciais e até a sede do Ginásio Clube de Alcobaça, ali funcionou algum tempo, chegando a ser assaltado em 1975.

Em passado recente e após acordo com a última família a residir no edifício, o imóvel ficou devoluto de pessoas e bens, tendo sido demolido em 2016.

Faz tempo. De Midões até Alcobaça muitas décadas se passaram.

*in Blog” Ataíja de Cima”- José Quitério