Casa Pires coloca à mesa o melhor peixe da Nazaré

Na Casa Pires, na Nazaré, é o peixe que manda. A história é antiga mas as caras são quase sempre as mesmas. “A casa é conhecida pela sardinha, aliada à imagem que a minha avó criou na década de 1930”, explica Rui Pires, um dos proprietários do restaurante. 
Depois, quando em 1992, o seu filho Manuel Pires, converteu a taberna “A Sardinha” da Tia Alice no restaurante A Casa Pires “A Sardinha”, o leque de peixe aumentou. “Quando abrimos o espaço enquanto restaurante, começámos a inserir outro tipo de pescado na carta de mesa. Lembro-me que o meu pai comprava um ou dois peixes aliados à sardinha e a coisa começou a mexer. Hoje em dia já não são só uns peixinhos”, brinca o empresário, que tem visto o peixe a render, e bem. As vendas têm aumentado de ano para ano, sendo que “nos dois e três meses que Garrett McNamara está na Nazaré, nota-se que o negócio mexe mais”, afiança.
Conhecida e tomada como uma referência no setor e na região, a Casa Pires tem apostado na qualidade e nos cuidados dos seus serviços. “Trabalhamos com aquilo que consideramos que é o melhor, sabendo sempre o que mandamos para a mesa”, sublinha Manuel Pires. ”O peixe vem diretamente da lota através de dois fornecedores, que sabem o que queremos e a qualidade que exigimos”, acrescenta Rui Pires.
Na cozinha a conversa é idêntica. “Quando as coisas são frescas saem sempre bem”, afirma Emília Belo, cozinheira e também responsável do espaço no Sítio da Nazaré. Ainda assim há, talvez, um segredo.
“Há que saber gelar o peixe. Quando o pescado chega, é logo condicionado com gelo numa vitrine própria que temos e à medida que o cliente vai escolhendo é que vem para a cozinha. Depois é arranjado na hora, vai para o fogareiro para ser assado e diretamente para a mesa”, enumera “Mila”, como é carinhosamente tratada. 
“Já tínhamos uma clientela muito própria e devagar, devagarinho fomos criando novos pratos e reafirmando o negócio”, reafirma a filha de pescadores que “virou” a cozinha para a especialidade do peixe, mediante o gosto do cliente. A bela da sardinha está a sair da brasa, a caldeirada está a ferver e o peixe fresco continua na vitrine. É servido? 

Tasca deu lugar a restaurante em 1992
A tradição da bela sardinha começou com a Tia Alice

A sardinha e a Tia Alice, como era conhecida na Nazaré, bem podiam ter sido as melhores amigas. E talvez fossem mesmo. A mulher, que se tornou inclusivamente uma imagem íconográfica da vila, viu naquele tipo de peixe o seu negócio, abrindo uma taberna na década de 1930. O cardápio era, claro, sardinhas. E foi sempre assim até 1992, ano em que um dos filhos, Manuel Pires, converteu o espaço num restaurante típico.
“A minha mãe já tinha bastante clientela e depois foi-se reproduzindo a nível da restauração. Adquirimos muitos e bons clientes, o que nos apraz bastante”, refere o antigo futebolista de Rio Ave, Boavista, Nazarenos e Ginásio, considerando que “há uma boa relação entre o cliente e a nossa casa”.
“No meio do negócio criou-se uma casa familiar”, garante Manuel Pires, proprietário do restaurante que continua a dar primazia ao peixe da vila piscatória.

Restaurante típico do sítio é uma referência do setor e na região
“Temos subido as vendas todos os anos”
3 perguntas a... Rui Pires

Numa época em que a restauração vive dias complicados, a Casa Pires “A Sardinha”, na Nazaré, vê as suas vendas a aumentar de ano para ano. Um dos responsáveis do restaurante do Sítio aponta a qualidade e o cuidado com o cliente como o segredo do sucesso. 

REGIÃO DE CISTER (RC) > Qual é o segredo da casa cheia todos os dias? 
RUI PIRES (RP) > Acredito que seja a qualidade e o cuidado que temos tido para com o cliente ao longo dos anos e que tem sido notoriamente reconhecido. Não investimos na divulgação do restaurante, porque os próprios clientes o fazem. Tentamos manter o mesmo estilo, a mesma maneira de estar, os pratos também não variamos muito... É uma casa tradicional e talvez esse seja o segredo.

RC > O negócio da restauração em época de crise ressente-se?
RP > As vendas têm aumentado substancialmente. Curiosamente desde que se fala, de uma forma mais preocupante, da crise, talvez a partir do ano de 2008, o nosso restaurante tem subido as vendas em cerca de 10 a 20% de ano para ano. 

RC > Quem se senta à mesa do Restaurante Casa Pires “A Sardinha”?
RP > O mercado local continua a ser a nossa principal prioridade. Por norma, os clientes são sempre os mesmos. Eventualmente com a fama com que Garrett McNamara projetou à Nazaré vêm muitos turistas em épocas baixas, que antes não apareciam, e no verão acaba por se juntar de tudo um pouco.

BI

Designação: 
Restaurante Casa Pires “A Sardinha”
Fundação: 
Década de 1930
Administração: 
Manuel Pires
Actividade: 
Restauração
Facturação: 
Não divulgada
Principais produtos: 
Sardinha, caldeirada e peixe fresco do dia
Sede: 
Largo de Nossa Senhora da Nazaré 44, 2450-065 Nazaré
Telefone: 
262 553 391
1
Milhão é o número aproximado de sardinhas que a “Tia Alice” assou na brasa ao longo dos mais de 60 anos que manteve aberta a tasca na Nazaré