Cisterpeças aposta na diversidade de peças auto para vingar no setor

São mais de 13 mil referências e 34 mil artigos em stock. Os números, que impressionam, têm sido o segredo para a Cisterpeças, empresa de comércio de peças e acessórios de automóveis, estar de portas abertas ininterruptamente há três décadas. A diversidade de produtos tem sido a principal aposta da empresa sediada em Alcobaça nos últimos anos.

“Muita coisa mudou nos últimos 30 anos e hoje em dia o cliente é muito mais exigente e esclarecido, o que nos obriga a ter muitos produtos em stock e muita diversidade“, adianta Carlos Estanqueiro, sócio-gerente da Cisterpeças desde a sua fundação. “Temos menos referências do que há uns anos mas muito mais quantidade por referência“, nota o empresário, que nos últimos dez anos divide a sociedade com a mulher, Maria da Ascensão Estanqueiro. O negócio surgiu em 1987, quando Carlos Estanqueiro e António Machado, então colegas de trabalho na Tomaz Marques, decidiram abrir uma casa própria de comércio em Alcobaça. “Eram tempos áureos, este negócio estava em crescimento“, recorda.

São as peças de desgaste, nomeadamente filtros, travagem, escovas e embraiagens, que mais se vendem. Mas a oferta é vasta: suspensão, lubrificantes, baterias, juntas e pernes, pontas de transmissão e refrigeração. “A falta de oferta na região, tanto de concessionários como de casas de comércio de peças automóvel, leva a uma maior dispersidade da procura“, considera.

Apesar de registar um aumento do número de clientes particulares, explicado na opinião do empreendedor “por uma visão mais esclarecida e por questões económicas“, a Cisterpeças trabalha maioritariamente para os profissionais, ou seja, para as oficinas, representando mais de 70% do volume de negócios da empresa. “O facto de já estarmos no mercado há 30 anos também representa um acréscimo na relação de confiança com os nossos clientes“, sublinha Carlos Estanqueiro. 

Se, por um lado, o volume de trabalho é menor, refletido também na diminuição do número de trabalhadores – hoje são quatro, já chegaram a ser sete, os desafios e a concorrência também são maiores. “A principal concorrência não é a local ou regional, é a mais geral, a que vem de fora, que é mais agressiva nos preços“, lamenta o empresário. Outro obstáculo com que Carlos Estanqueiro se depara é o forte investimento associado ao negócio, muitas vezes sem retorno. “A aposta no grande stock e na diversidade por vezes também nos pode prejudicar, uma vez que quando adquirimos as peças nada nos garante que as vendamos e se não as escoarmos acabam por perder o seu ‘prazo de validade’, sendo ultrapassadas por outras mais modernas“, relata.

A Cisterpeças, que já chegou a ser representante de várias marcas de renome, estabilizou nos últimos cinco anos os seus resultados líquidos. “Depois de uma década a ver as vendas a subir e depois de uma crise profunda em que as vendas caíram muito, nos últimos anos temos conseguido manter o volume de negócios, o que nos deixa satisfeitos“, admite o administrador da Cisterpeças, que faz do balcão da empresa a sua segunda casa.   

“O segredo é ter tudo o que o cliente procura”

O sócio-gerente da Cisterpeças faz o retrato do setor nas últimas décadas, notando que há mais particulares a bater-lhe à porta.

REGIÃO DE CISTER (RC) > O que mudou nas últimas décadas neste setor?
CARLOS ESTANQUEIRO (CE)
> Mudou tudo: os clientes, a procura, as necessidadades, o ramo. Até há dez anos havia representação de várias marcas do setor automóvel e hoje em dia não há nenhuma. O fecho dessas empresas prejudicou muito o negócio das casas que se dedicavam ao comércio de peças automóvel. As pessoas passaram a ir para Leiria ou Caldas da Rainha, onde encontram tudo.

RC > Face a essa mudança de paradigma, qual é o segredo para ter casa aberta há 30 anos?
CE >
O segredo é ter tudo o que o cliente precisa ou procura. Se não tivermos, corremos o risco de perder o cliente. Atualmente também é possível encomendar o produto hoje e amanhã já o ter na loja, mas isso também se paga e muitas vezes o cliente não percebe isso, o que pede é que seja bem servido pagando o menos possível. Por outro lado, também temos de estar muito mais atualizados, com um stock permanente, do que há uns anos. 

RC > O facto de as vendas dos automóveis estarem em queda beneficia o negócio do comércio de peças e acessórios?
CE >
Nem por isso. As pessoas que não têm dinheiro para comprar carros novos também não têm dinheiro para comprar peças novas. O que fazem muitas vezes é adquirir produtos em segunda mão. Mas, ainda assim, o cliente particular tem procurado mais a nossa loja. Penso que se deve ao facto de estar mais informado e querer poupar algum dinheiro adquirindo as peças e pedindo depois ao mecânico para as montar.

BI

Designação: 
Cisterpeças
Fundação: 
1987
Número de Trabalhadores: 
4
Administração: 
Carlos Estanqueiro
Actividade: 
Comércio de peças e acessórios automóvel
Facturação: 
Não divulgada
Principais produtos: 
Peças para automóveis de todas as marcas
Sede: 
Rua Vasco da Gama, 6/8 2460-077 Alcobaça
Telefone: 
262598185 ou 262598194
30
Número de anos que a empresa de comércio de peças e acessórios automóvel completa este ano