Futurete quer duplicar volume de negócios apostando na exportação

Os planos da Futurete para o ano de 2018 são os mais ambiciosos de sempre: chegar aos 50% de exportação, ultrapassar o dobro da dimensão da empresa, colocar no mercado uma nova máquina de café expresso e arrancar com a construção de um novo pavilhão.

“Mais do dobro da dimensão não significa que vamos produzir o dobro dos equipamentos, queremos apostar ainda mais na exportação”, nota Ivan Soares, diretor geral da empresa de produção de moinhos e máquinas de café, fundada em 1985, por Manuel Marques. 

A empresa, sediada em Charneca do Rio Seco, freguesia de Turquel, produziu no ano passado 1.500 moinhos, tencionando produzir cerca de 3.000 este ano. A nível de máquinas, foram produzidas quase 800 no ano passado, prevendo-se chegar às 1.500 até final de 2018. Desde 2015, ano em que o Grupo Bel adquiriu a Futurete, tem sido registada uma “capacidade de crescimento contínuo”. Os investimentos do grupo na empresa já ascendem a um milhão de euros. 

Numa nova era na cultura do café, cerca de 30% da produção é dedicada à produção de máquinas e moinhos de café. Ainda que a empresa mantenha os modelos tradicionais de máquinas de café, trabalhando “num processo manual de fabrico e montagem de grande precisão e rigor”, apostou no último ano na criação de um novo modelo, a que chamou “A Portuguesa”. “Esta máquina ainda está numa fase final de prototipagem e inicial de fabrico e linha de produção. É uma máquina que traz muito das tradições do País, inspirada nas tradições da Cadeira Gonçalo”, nota Ivan Soares. A nova máquina já foi apresentada em Milão no ano passado e vai agora ser colocada em linha de produção para que a empresa a comercialize a partir do segundo trimestre deste ano. 

A restante produção é dedicada à fabricação de componentes dos equipamentos (60%) e a serviços de manutenção (10%).

Os produtos da Futurete estão presentes em todos os continentes, sendo os mercados mais representativos a América do Norte (Estados Unidos), África, América do Sul (Brasil) e Europa (Alemanha e França). A exportação representa 30 a 40% no volume de negócios da empresa, que prevê crescer 20% este ano nos mercados externos para chegar aos 50% de vendas para o exterior. A participação em feiras internacionais também deverá contribuir para o crescimento da exportação: França, Itália, Irlanda, Hungria, Panamá, México e Singapura. “Todos os países que tenham uma feira essencial para a Futurete”, a empresa está lá. “Além das encomendas que possam vir a surgir, a ideia é também trazer clientes cá para conhecer a empresa, a região e o País”, frisa.

Além de estar presente em cerca de 2 mil estabelecimentos em Portugal, a Futurete produz também equipamentos para todas as marcas de café portuguesas, que possuam torrefação ou apenas distribuição de café.  

Depois da qualificação da empresa e recursos, da aquisição de novos equipamentos, o próximo investimento será a construção de um pavilhão, prevista arrancar este ano e terminar em 2019, criando mais 10 postos de trabalho. 
 

“Uma máquina é feita para durar 30 anos”

O diretor-geral frisa que a empresa alia a tradição e a experiência de mais de três décadas de atividade à inovação necessária ao mercado.

REGIÃO DE CISTER (RC) > Porquê o interesse do Grupo Bel em adquirir a Futurete?
Ivan Soares (IS) > A Futurete começou por ser uma empresa de reparação de outras máquinas de café, tendo o crescimento significado começar a produzir os próprios equipamentos. Caso se criasse uma empresa de máquinas e moinhos de café seria a primeira em Portugal. O sr. Manuel [Manuel Marques, fundador da empresa] apostou num design intemporal, que permitisse que as máquinas fossem sempre atuais e foi isso que esteve na base do interesse do Grupo Bel em investir na Futurete. 

RC > Inovação e tecnologia são palavras chave neste negócio?
IS > São. Uma das imagens de marca do grupo está numa forte aposta na inovação, no entanto, pretendemos aliar à inovação à robustez e fiabilidade dos nossos produtos, o que só se consegue com elevados padrões de qualidade. As nossas máquinas são feitas para durar 30 anos.

RC > “A Portuguesa” [nova máquina de café] é um resultado da “nova” Futurete?
IS > Sim, obviamente. O futuro deste mercado é a inovação na forma de trabalhar e a aposta do design. Outra das nossas preocupações tem a ver com a eficiência energética dos nossos produtos, feitos para durar muitos anos. 

BI

Designação: 
Futurete - Indústria de Máquinas de Café, Lda
Fundação: 
1985
Número de Trabalhadores: 
15
Administração: 
Marco Galinha
Actividade: 
produção de máquinas e moinhos de café
Facturação: 
não divulgada
Principais produtos: 
máquinas de café expresso e moinhos de café
Sede: 
Charneca do Rio Seco, IC2, km 86.2. 2460-818 Turquel
Telefone: 
262 928 003
1.500
número de máquinas de café que a empresa prevê produzir até final deste ano