Frutas e legumes desidratados impulsionam negócio da Desidrata

Depois da Pera Rocha e da Maçã de Alcobaça, veio a laranja, a framboesa, o pêssego, a manga, o kiwi e por aí fora. E a seguir vieram os legumes, que vão desde o tomate aos cogumelos. A Desidrata, marca que pretende recuperar sabores tradicionais através da desidratação de fruta e legumes, já conta com mais de 35 referências de produtos.

Tudo começou em 2013, “um ano em que houve muito excesso de produção de pera e maçã”, recorda Sandra Almeida, administradora da QSabor, empresa-mãe da marca, sediada na Benedita. Esses mesmos excedentes serviram para a avó da empresária recuperar uma tradição antiga: secar a fruta ao sol que se guardava no sótão. “Quando provámos todos os sabores e tradições nos vieram à memória e pensámos ‘por que não?’”. Estava, assim, dado o mote para um novo negócio, que deste então tem aumentado o volume de faturação em cerca de 10 a 20% ao ano.  

“Na época dos nossos avós tudo se reaproveitava. As produções agrícolas eram todas conservadas sem conservantes químicos. O sal e o sol eram os grandes aliados para que conseguissem prolongar a vida útil de cada produto”, explica a empresária, que recuperou o método tradicional de desidratar fruta para os produtos Desidrata. O processo é simples: “colher, higienizar, cortar, desidratar (que pode demorar entre 12 a 36 horas) e embalar”, elenca. 

O principal objetivo é “colocar o produto no mercado com a máxima qualidade e com o máximo de nutrientes possível após uma desidratação, de forma a que o cliente consuma um produto o mais natural possível“, reitera a também produtora de maçã e pera. As frutas não têm adição de açúcar, os legumes não têm conservantes e e as oleaginosas não são torradas.

“Este é um método de conservação natural assegurando praticamente todos os seus nutrientes”, garante a responsável pelo projeto. “Há uma alta concentração do valor nutritivo de cada produto, conservação fácil e prolongada, que vai até nove meses de validade, disponibilidade do produto durante todo o ano e é cómodo, de uso simples e conveniente“, resume.

Em média resultam da desidratação entre 10 a 30 kg por dia.“Tudo depende da fruta. Tanto posso tirar cinco quilos duma e 30 quilos doutra. Depende do produto que está em produção e do corte, que lhe é dado”, adianta Sandra Almeida.

O produto, natural ou biológico como é catalogado pela empresa, pode ser cortado, de corte inteiro até reduzido a farinha, e apresentado conforme gosto e/ou exigência do cliente. “Nesse caso, trabalhamos com um produto ‘a la carte’. Normalmente são pequenas indústrias, que já têm uma visão diferente do mercado e, por isso, precisam de ingredientes diferenciadores”, adianta a empreendedora.

Mas a Qsabor, que já dá trabalho a cinco pessoas, também opera com restaurantes, lojas de retalho, frutarias e mercearias, que tenham como base o conceito de produtos naturais e/ou biológicos. “Dentro do retalho, os principais clientes estão em Lisboa e no Porto“, avança Sandra Almeida. Ou seja, em snack, em infusões ou na culinária, não há desculpa para não Desidrata(r). 

“Um desidratado é muito mais que um snack”

Desidratar frutas e legumes tem os seus segredos. A responsável pela Desidrata explica quais, revelando também as formas possíveis de consumir estes produtos.

REGIÃO DE CISTER (RC) > Há algum segredo na desidratação de frutas e legumes?

Sandra almeida (SA) > O processo da desidratação passa muito pelo conhecimento da fruta, a nível de variedade, brix e quantidade de água. Temos de ter um conhecimento grande para sabermos qual o produto que vai mais ao encontro das necessidades e exigências dos nossos clientes. O respeito pelas temperaturas também é muito importante.

 

RC > É comum questionarem como se consome frutas e legumes desidratados?

SA > Sim. Costumo dizer que um desidratado é muito mais que um snack. Podemos utilizá-lo de tantas formas e pode estar presente em todos os momentos do nosso dia. Tanto nas frutas, como nos legumes, podemos consumi-los como se apresentam, mas podemos voltar a cozinhá-los, utilizá-los em chá, em chocolate, nas granolas, entre tantos outros fins. Podemos, por exemplo, fazer um caril de legumes com um mix de legumes em menos de 15 minutos.

 

RC > Sente que o consumidor está mais desperto para o conceito de saber o que come?

SA > Sem dúvida, a mentalidade já está a mudar. Há uma necessidade de perceber o que estamos a comer. A nova geração valoriza mais o que consome. É menos consumista que a geração anterior, mas muito mais aberta para este conceito. Sente-se que os produtos dos avós e o que os avós faziam está a ser reinventado e isso é muito bom. 

35
Número de referências da desidrata, entre frutas e legumes.