Restaurante Vinha D’Alhos recria cozinha das avós em antiga adega

O gosto pela cozinha e, em concreto, dos sabores e temperos das avós motivaram a abertura do restaurante Vinha D’Alhos, em Valado dos Frades. Eugénio Viola e Nelson Pereira vestiram o avental e Carla Serafim e Susana Abegão trataram da decoração e da adaptação do espaço, que respira história e tradição.

“Aqui funcionou a maior e a mais antiga adega de Valado dos Frades. Comprámos o edifício, datado de 1927 e que estava em ruínas, e recuperámo-lo em dois anos”, conta Eugénio Viola, que avançou com o projeto juntamente com o amigo Nelson Pereira, depois de anos de experiência nas tasquinhas da Biblioteca Instrução e Recreio (BIR) e de perceberem que tinham “algum jeito para cozinhar“. “Tentámos manter a traça original de adega, que tem tudo a ver com a restauração, com Valado dos Frades e connosco, que também somos apreciadores de vinho”, acrescenta o valadense.

Com capacidade para 48 lugares sentados na sala, o espaço “foi pensado no sentido de deixar ficar os traços originais da adega mas com um toque moderno”, explica Susana Abegão, considerando que “o restaurante convida as pessoas a ficarem e a sentirem-se bem e a quererem voltar”.

A qualidade das refeições é outro dos cunhos do Vinha D’Alhos, que tal como o nome indica aposta nos temperos e nos sabores tradicionais portugueses, salientando-se o polvo à lagareiro, o bacalhau à lagareiro, as bochechas de porco preto com castanhas salteadas e os lagartos de porco preto com pimentos e laranja. 

“Não estamos virados para uma cozinha gourmet, nem para as novas tendências da cozinha. A nossa aposta está mesmo na comida tradicional, a que comemos em casa dos nossos pais e avós”, reforça Eugénio Viola, para quem “recuperar e fazer a comida típica da ‘aldeia’, acompanhada com bom vinho” é o principal objetivo.

A pensar nos diferentes públicos, o restaurante disponibiliza diferentes ofertas ao almoço e ao jantar. “São duas refeições distintas porque os clientes que nos procuram ao almoço e ao jantar também são diferentes. Ao almoço as pessoas precisam de um serviço rápido e por isso criámos o prato do dia, que inclui prato de carne ou peixe, bebida, sopa, sobremesa e café, e à noite o cliente vem para estar e tem tempo para estar”, nota Susana Abegão. E porque a qualidade dos produtos também se traduz na qualidade dos pratos que o restaurante serve aos clientes, “há uma preocupação em escolher sempre a melhor carne, as melhores verduras e as melhores frutas, provenientes de Valado dos Frades”. Para surpresa dos quatro sócios também os estrangeiros se têm sentado à mesa do restaurante. “Já notamos que há muita gente a voltar, inclusivamente estrangeiros, o que é positivo”, conta Carla Serafim. 

Para Nelson Pereira, que trocou a arte de fazer móveis pelos tachos e panelas, o restaurante tem sido “uma aventura”, até porque “cozinhar em casa e num restaurante não é a mesma coisa”. Mas, como lhe disseram que “tinha algum jeito para a cozinha”, o valadense deixou mesmo a profissão de marceneiro em... vinha d’alhos e passou a juntar os alhos e o vinho na panela.

“Almoçar ou jantar fora não significa só comer”

Um dos sócios-gerentes do restaurante Vinha D’Alhos, que abriu portas no final do ano passado em Valado dos Frades, conta como foi a “aventura” de abrir um espaço de restauração.

REGIÃO DE CISTER (RC) > Trabalha na área dos seguros. Porquê a aposta num restaurante?
EUGÉNIO VIOLA (EV) > É um gosto que tenho pela cozinha, partilhado com o Nelson. Juntámo-nos nas tasquinhas da BIR e acabámos por partir para esta experiência e aventura. O Nelson, que é o chefe da cozinha, era marceneiro, abandonou a sua atividade e está no restaurante a tempo inteiro e eu divido-me entre a atividade profissional nos seguros e o restaurante.

RC > Há muito o hábito português de comer fora. Foi a pensar nisso que também abriram o restaurante?
EV > Também éramos pessoas de almoçar e jantar fora... E temos recebido muitos estrangeiros. Para os portugueses o almoçar e jantar fora não significa ir só comer, significa estar num espaço agradável e em convívio com a família ou amigos. São momentos de descontração. 

RC > O facto de não haver muita oferta de restauração na freguesia de Valado dos Frades é uma mais-valia para o Vinha D’Alhos?
EV >
Hoje em dia a localização do restaurante não é o mais importante, estar na Nazaré ou em Valado dos Frades é quase a mesma coisa. As pessoas vão, por exemplo, a Lisboa de propósito comer. Temos de nos impor pelas nossas características. Se as pessoas gostarem deslocam-se de longe. Valado dos Frades tem alguma oferta de restauração, mas são todas ofertas diferentes, o nosso restaurante não é uma concorrência aos outros, nem eles são a nós.    

48
Número de lugares sentados no espaço, de restauração que também dispõe de um pátio.