Letras
Além da “História do Rock”
Diana Vicente

Depois do sucesso em Portugal, a publicação foi editada na Suécia e no final deste ano a editora Triumph Books, de Chicago, vai lançar uma edição nos Estados Unidos. Mas, o que está além d'A História do Rock - Para Pais Fanáticos e Filhos com Punkada?

12 Julho, 2019

Além da “História do Rock”

Sabia que Freddie Mercury, dos Queen, tirou um curso de Ilustração e Design? E que a sandes favorita de Elveys Presley era de manteiga de amendoim, bacon, banana e mel? Apostamos que também não fazia ideia de que Matt Bellamy, vocalista do grupo Muse, usou o fecho das calças como instrumento musical ou que a expressão "Foo Fighters" se refere aos fenómenos OVNI nos céus durante a II Guerra Mundial. Rita Nabais reuniu estas e outras curiosidades sobre as bandas e artistas mais influentes do rock no livro que tem dado (muito) que falar.

Desde os anos 50 do século passado até ao início dos anos 2000, a autora reuniu, por ordem cronológica e por temáticas de estilo e tempo, quase 150 músicos. Mas, muito antes de ser conhecida “A História do Rock - Para Pais Fanáticos e Filhos com Punkada”, a alcobacense Rita Nabais já escrevinhava factos e curiosidades sobre as bandas que iriam constar no livro. Foram anos de trabalho, aos fins de semana, mas que acabaram por compensar. 

Comecemos pelo... início. Viveu rodeada de música durante a infância, fez ballet durante dez anos. Na adolescência começou a assistir a concertos no Bar Ben, antigo bar mítico de Alcobaça. Passou música durante vários anos como Dj amadora e já escreveu para alguns jornais e sites artigos sobre música. Ainda hoje continua a assistir a vários concertos. Admite, por isso, uma relação “quase visceral com a música". Rita Nabais gosta de bandas novas, mas nunca deixa de ouvir os clássicos. David Bowie, Nick Cave, Neil Young e Pixies são alguns dos nomes que marcaram a sua juventude.

A "História da Música" em banda desenhada, livro oferecido pelo pai, foi lido “de uma ponta à outra". Começava na pré-história, passava por todas correntes musicais, terminava com Frank Sinatra, Elvis, Beatles, Bob Dylan, pop, disco... "e mais nada”. Apercebendo-se que não havia nenhum livro que explicasse aos mais novos a história do rock, foi anotando uma lista de nomes das várias bandas que considerava mais influentes no mundo do rock, acabando por incluir nomes de outros géneros musicais. “Quando começámos a pensar a sério nisto, encomendámos livros de todo o lado. Descobrimos que não havia assim tanta coisa, mesmo ao nível mundial", relembra a professora de Português. "Temos uma editora, sabemos fazer livros, por que não?”, conta Rita, referindo-se à editora Escafandro, sediada em Alcobaça, criada pela própria e pelo autor Nuno Matos Valente. A partir daí, “todos os bocadinhos livres que tinha eram para isto”, confessa.

O critério das escolhas musicais na "enciclopédia", revelou a autora, teve em conta a influência e o impacto que determinado grupo ou artista teve no mundo da música, e em especial no mundo do rock. Além das leituras, recorreu a muitas entrevistas, informação audiovisual e online. O objetivo de apresentar curiosidades acerca dos músicos não era somente para tornar a leitura mais leve, mas também para “fugir” ao cliché “sexo, droga e Rock n’Roll”. Ter visto bandas como Arcade Fire ao vivo serviu-lhe, por exemplo, de base para a ilustração da banda no livro. Dois músicos começaram a tocar “bateria” na cabeça um do outro e foi assim que pediu à amiga e ilustradora Joana Raimundo para os apresentar. As ilustrações são, aliás, uma das marcas fortes do livro. “A Joana foi mesmo certeira, porque deu vida ao livro”, sublinha a parceira. 

No livro, o Rock n’ Rol é definido como “música popular caracterizada por ritmo e batida fortes, geralmente tocada por instrumentos amplificados eletricamente, por grupos de músicos normalmente formado por vocalista e guitarristas, baixista e baterista”. “É frequentemente associado ao espírito rebelde e juvenil”. No final da obra, é apresentado um glossário dos vários géneros de música, inclusive das definições de várias ramificações do rock e de outros conceitos do mundo da música.

Apesar do formato do livro ser mais didático, com o objetivo de cativar os mais novos, qualquer fã do género consegue relacionar-se com o livro. A autora fez alguns trocadilhos com os nomes de alguns géneros musicais e só não fez mais, porque “seriam muito complexos para os miúdos”, explicou. Além dos artistas destacados, em cada secção a autora sugere outros artistas e músicas célebres, dando um total de mais de mil músicas sugeridas ao longo do livro.

Em 2018 lançaram uma edição limitada em inglês, que só foi possível graças a uma campanha de crowdfunding. Este sistema de financiamento consiste numa espécie de investimento: “é uma pré-compra do livro, estás a pagar o projeto, mas acabas por comprar o livro”, esclareceu. Mas havia outros bónus incluídos, como tatuagens, cartazes e o e-book, que foram enviados para várias partes do globo, apesar de ser um sistema exclusivo. Conseguiram angariar cerca de 16 mil euros. Foi esta edição na língua inglesa que abriu portas internacionais. Mas, no verão de 2018, ainda antes desta edição, uma editora sueca decidiu lançar uma versão em sueco, traduzida diretamente do português. Mas, como não há duas sem três: em setembro deste ano, a editora americana Triumph Books, de Chicago, vai lançar outra edição.

Já foi publicada a 2.ª edição do livro em português, numa versão já revista e com mais artistas, que chegou às bancas no final de maio. Tem a particularidade de o prefácio ser escrito pelo "alcobacense" Fernando Ribeiro. Mas o trabalho desta autora não vai ficar por aqui: as Edições Escafandro são parceiras do festival Bons Sons, em Tomar, e vão lançar, com a organização, um livro comemorativo dos dez anos do festival, com os artistas e bandas que por lá passaram. E, admite, gostaria de fazer um livro sobre a história do rock português. You rock, Rita!

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