Onde passear
Do Castelo de Porto de Mós às Serras de Aire e Candeeiros
Carolina Calado

Prepare uma roupa confortável e faça-se aventureiro. Venha daí para uma viagem com paisagens de cortar a respiração pelo concelho de Porto de Mós e especialmente pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

23 Setembro, 2020

Do Castelo de Porto de Mós às Serras de Aire e Candeeiros

Em qualquer lugar da vila é possível avistar o Castelo de Porto de Mós através das suas duas cúpulas em forma de pirâmide, com um acabamento de cerâmica de cor verde, que o torna inconfundível e num dos monumentos mais originais do País.

Classificado desde 1910 como Monumento Nacional, o Castelo é uma obra arquitetónica de características singulares. Erguido sob os escombros de um posto de vigia romano, em posição dominante sobre a povoação, acumulou ao longo dos séculos influências militares, góticas e renascentistas assentes numa estrutura pentagonal. Conquistado aos mouros por D. Afonso Henriques, viria a ganhar características palacianas, devido à intervenção de D. Sancho I, D. Dinis e D. Afonso, Conde de Ourém. Das cinco torres com que foi construído, restam hoje três, devido às constantes investidas árabes e, mais tarde, aos diversos abalos sísmicos que sofreram. 

O Castelo de Porto de Mós foi entregue a D. Fuas Roupinho, que se viria a tornar no primeiro alcaide da vila. No reinado de D. Dinis, a fortaleza recebeu importantes obras de beneficiação e em 1305 é concedida a carta de foral à vila de Porto de Mós.

Já sabe um pouco da história do monumento, mas não perca a oportunidade para o visitar e ficar a conhecer melhor. Aberto para visitas de terça-feira a domingo, o Castelo de Porto de Mós é o ponto de partida de um passeio pelo concelho, mas há muito mais para visitar.

As sapatilhas estão bem atadas? Então vamos prosseguir até alguns dos pontos mais bonitos da região...

A viagem rumo às Serras de Aire e Candeeiros inicia-se entre curvas e a sinalização para a Fórnea, a partir da estrada que liga São Bento a Chão das Pias, apela a uma caminhada de dois quilómetros entre os trilhos de uma bela encosta. Ali será um belo lugar para tirar umas fotografias diferentes num local de nascentes e quedas de água em épocas de chuva.

Na chegada a Mira de Aire, os calcários dominam a paisagem. Observa-se o Polje de Mira-Minde, uma enorme planície de formações cársicas e vai estar rodeado por montanhas abruptas, onde as águas escorrem por entre as cavidades, acumulando-se no ponto mais baixo.O cenário é único e certamente para mais tarde recordar. No inverno e em épocas de chuvas fortes, os campos alagados ou totalmente submersos são a principal característica da zona. No verão e em época seca, a água desaparece pelas galerias das rochas, dando lugar a vigorosos campos de cultivo. É impressionante a mudança de paisagem entre as duas estações do ano.

Se no percurso anterior a beleza natural dominava, o caminho entre a Bezerra e a Lagoa do Arrimal não lhe fica nada atrás. Do outro lado da serra, com imponentes paredes calcárias de um lado e um majestoso vale do outro, o percurso segue por quilómetros até terminar na Lagoa do Arrimal. Num desvio até Mendiga, encontra-se o Arco da Memória. Com quatro metros de altura, foi mandado construir pelos monges de Cister para marcar os coutos doados por D. Afonso Henriques.

Mas a história do concelho começou a escrever-se milhares de anos antes quando ainda existiam dinossauros…

Chegando a São Bento, a maior freguesia do concelho de Porto de Mós e aquela que se localiza mais ao interior, no Planalto de Santo António que separa a Serra de Aire da Serra dos Candeeiros. A uma caminhada desde a estrada principal encontra-se a Praia Jurássica, local que permite aos visitantes realizar uma autêntica viagem no tempo e recuar até ao tempo dos dinossauros.

Também designado por Sítio Paleontológico do Cabeço da Ladeira, a Praia Jurássica de São Bento, localiza-se numa antiga exploração de calcário e foi descoberta em 2013, durante uma ação de fiscalização pelas entidades do PNSAC à pedreira, quando foram descobertos vários fósseis de origem marinha, com destaque para os equinodermes, bivalves e gastrópodes. Há milhões de anos este local era uma praia onde estão agora bem preservados fósseis, que incluem a marca do movimento das ondas do mar.

Na estrada de regresso à vila de Porto de Mós, é possível observar os muros de pedra seca, característicos das Serras de Aire e Candeeiros, que foram construídos com o calcário da região para guardarem terrenos agrícolas e gado e assim garantirem a subsistência dos locais.

Já viu o castelo e deslumbrou-se com as paisagens, mas há mais por visitar. Se gosta de redescobrir a história desloque-se também às Grutas de Mira de Aire, Grutas de Alvados e Grutas de Santo António.

Em pleno Maciço Calcário Estremenho, nos flancos da Serra de Aire estão localizadas uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. As Grutas de Mira de Aire são as maiores do País.

Foram descobertas em 1947 e foram abertas ao público em 1974. Com uma extensão de 11 quilómetros, a gruta apresenta uma beleza rara, que é revelada através da Rota das Estalactites e por vários espaços como a “Sala Grande”, a “Sala Vermelha”, a “Joalharia”, a “Cúpula Majestosa” e a “Galeria”. A visita, que é realizada em grupo com um guia, começa com um vídeo de apresentação da história do local e durante o percurso são realizadas várias paragens nas diversas galerias.

A descoberta deste local permite aos visitantes percorrer centenas de metros e admirar várias  formações calcárias, como a “Alforreca”, os “Pequenos Lagos”, o “Marciano”, a “Boca do Inferno” e o “Órgão”. Destaque ainda para os pequenos regatos e para o Rio Negro, cujas águas, saltitando na cascata, se juntam às do “Grande Lago”, onde se pode vislumbrar o espetáculo final da água, da luz e do som.

Outras das maravilhas do concelho estão localizadas na freguesia de Alvados. De menor dimensão, comparadas às Grutas de Mira de Aire, as Grutas de Alvados mantêm uma singularidade que as diferencia. Com uma apresentação mais natural e harmoniosa, os visitantes podem vislumbrar galerias ricas e lagos naturais de beleza única. Mas é o seu percurso em forma de corredor e os contínuos algares de altura invulgar que a compõem, que levam os especialistas, e o público em geral, a considerar esta gruta como uma das mais características da península ibérica. Estas grutas têm um comprimento visitável de 350 metros, a sua largura máxima entre salas é de cerca de 40 metros, com uma altura interior que chega aos 95 metros.

Também em Alvados, as Grutas de Santo António foram as últimas grutas turísticas do concelho a serem descobertas. Em 1955, dois homens ao procurarem um pássaro que tentavam apanhar, entraram por uma grande fenda aberta num rochedo, onde aquele se tinha refugiado. Estas grutas ocupam uma área aproximada de 6 mil metros quadrados e a visita inicia-se pelo túnel artificial que desce até a uma primeira sala, onde se pode admirar o grande lago natural.

Reserve vários dias para visitar o concelho, mas uma coisa é garantida: vai valer a pena o passeio.

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