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Podemos salvar o planeta? Só se for já hoje
Marlene Varela

Nem só de Greta Thunberg se faz a luta pelo planeta. Também em Portugal há quem participe ativamente nesta batalha. O projeto "É Pr'Amanhã", que conta com a participação do eborense Luís Costa, promoveu um aceso debate no âmbito do Books & Movies

17 Outubro, 2019

Podemos salvar o planeta? Só se for já hoje

Sabia que 9% da população mundial não tem acesso a água potável? E que 11% dos homens se encontra em estado de subnutrição e que para produzir uma t-shirt de algodão são necessários 2.700 litros de água? São dados que podem chocar, mas o intuito da sessão dinamizada, no âmbito da 6.ª edição do Books&Movies, não foi de todo esse.

Numa conversa muito informal, Luís Costa e Teresa Carvalheira debateram com um grupo de jovens estudantes, que não tiveram vergonha em expor dúvidas e pontos de vista, as alterações climáticas que a humanidade enfrenta hoje. "Quer dizer que daqui a uns anos vamos ter de estar em filas para ter água", questionou, a medo, um dos alunos quando confrontado com as fotografias do "Dia 0" na Cidade do Cabo. Revolta foi um dos sentimentos predominantes no auditório da Escola Adães Bermudes após a apresentação dos factos. Mas, segundo os oradores, "o importante é estar disposto a mudar comportamentos", mote que inspirou o projeto "É Pr'Amanhã", apresentado aos alunos. 

A ideia surgiu em Paris, durante o período em que Luís Costa lá viveu. Regressado a Portugal e depois de observar os comportamentos dos portugueses, o jovem decidiu que era imperativo avançar com o projeto que, embora não possa mudar o mundo, é um passo nessa direção. Durante este verão, o jovem de Évora de Alcobaça e a equipa do projeto ambiental percorreram o País de norte a sul em busca das melhores ideias para um futuro sustentável. 

O jovem licenciado em Engenharia Biomédica foi inspirado pelo documentário francês “Demain” (“Amanhã”, em português), no qual Cyril Dion e Mélanie Laurent partilham com o público o seu modo de viver mais sustentável. O consultor em avaliação de impacto social não conseguiu “esquecer" as ações das duas ativistas francesas e decidiu começar a recrutar elementos para repetir a “receita” em Portugal. O realizador Pedro Serra foi o primeiro membro a embarcar na aventura. À equipa juntaram-se, posteriormente, Francesco Rocca, Verónica Silva, Edgar Rodrigues e Teresa Carvalheira.

“O nosso grande objetivo é inspirar as pessoas a tornarem-se parte da solução através de pequenas mudanças (ou grandes para os mais corajosos) na forma como consumimos recursos no nosso dia a dia”, explicou Teresa Carvalheira ao auditório. De acordo com os oradores, esta não é a história de apenas seis jovens, mas sim “a história dos muitos e muitos portugueses que já estão a implementar soluções mais sustentáveis nas suas vidas”. Mas, ainda assim, em Portugal, “ainda não existe uma consciência coletiva da necessidade de alterar os padrões de consumo”.

O projeto “É p’ra amanhã” foi parcialmente financiado por uma campanha de crowdfunding, que superou as expectativas da equipa, uma vez que os donativos quase duplicaram o objetivo inicial (3.500 euros). Ainda em fase de edição, a película será distribuída de forma totalmente gratuita por todo o território nacional no início de 2020. "Sem dúvida que seria um orgulho apresentar o nosso projeto em Alcobaça", esclarece Luís Costa. 

"Não é o tudo ou nada. Não podemos esperar mudanças radicais, mas o desafio é que cada um faça mudanças graduais e não desesperadas. Todos temos um papel a cumprir para garantir que existe um amanhã", concluiu Teresa Carvalheira.

Fica a dica: não deixe p'ra amanhã, ajude a salvar o Planeta, já hoje.

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