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Poetry Slam: um concurso de poesia bem “fora da caixa”

Onde ou como se conjugam numa mesma frase, e num mesmo momento, as palavras “concurso” e “informalidade”? Num evento de Poetry Slam, como o que tem lugar já este sábado e está aberto a concorrentes, jurados e espetadores. Quem se atreve?

04 Março, 2021

Poetry Slam: um concurso de poesia bem “fora da caixa”

O Poetry Slam Leiria teve início na Ronda Poética, em Março de 2017, e em Março de 2021 volta a estar inserido na programação do “RONDA Leiria Poetry Festival”, evento que este ano decorre em formato online e que chegará a mais de 40 países, com cerca de 200 intervenientes em conferências, debates, workshops, vídeo-poemas, espetáculos musicais e performances poéticas.

 

O momento mais fora da caixa deste "Ronda" é precisamente o concurso de Poetry Slam, a transmitir no dia 19  mas que será gravado já este sábado, dia 6, e no qual ainda te podes inscrever. A equipa do Poetry Slam Leiria  reúne-se para o primeiro concurso do ano, sendo que a intenção é organizar um evento a cada mês. Posteriormente, os vencedores mensais juntar-se-ão numa final que apurará o Representante Regional que seguirá para a Competição Nacional do Portugal.SLAM. 

Mas, afinal, o que é isto do Poetry Slam?

 

“Poetry”, de poesia. “Slam” vem da onomatopeia inglesa usada para o som de uma porta a bater com força. “E é de força que falamos quando falamos de Poetry Slam. É da força da poesia, primeiramente. Do poder que ela tem de mudar e melhorar o mundo, as pessoas, a natureza e o Universo. De como é palco-ponte, união-ligação entre sentidos, saberes e sensações”, conta-nos Carla Veríssimo, amante da escrita e da poesia que comanda a equipa do Poetry Slam Leiria juntamente com Rosário Oliveira, Lina Pereira, Marta Oliveira e André Fonseca. 


 

É precisamente Carla quem estará ao leme do próximo concurso, como MC - Master of Ceremony ou Mestre de Cerimónias. Natural de Leiria, viveu nos Açores e por lá organizou o Poetry Slam Ponta Delgada durante três anos. Em 2017, de regresso às origens, Carla entrou em contato com Paulo Costa, que pertencia à organização da “Ronda Poética” e, “daí até à 1ª Edição de Poetry Slam na cidade do Lis, da lentrisca, da morcela de arroz e de tantos escritores e poetas, foi uma brisa!”, revela-nos. 

 

 

As inscrições para a emissão deste sábado, dia 6 de março, às 21 horas estão abertas. Basta preencher o formulário disponível aqui e assinalar se querem ser concorrentes, júri, plateia ou dizer poemas no Microfone Aberto.

 

Inscrição feita, qual é então a dinâmica do concurso? Para quem se inscreve como concorrente, falemos das regras partilhadas pela organização: 

 

  • O poeta a concurso tem de dizer um poema da sua autoria;

  • Não pode utilizar adereços, figurinos ou música;

  • Não deve exceder 3 minutos (o tempo normal de uma canção. Afinal, não queremos que o público se canse!);

  • 5 pessoas escolhidas na plateia votam nos poemas, numa escala de 1 a 10 e com duas casas decimais (para evitar empates e dores de cabeça a quem está no registo das pontuações!);

  • O ideal é que estas 5 pessoas não sejam amigas dos concorrentes e se forem, que consigam ser imparciais!;

  • Caso não consigam, nós temos a solução: As notas mais altas e mais baixas são retiradas e é feita a média com as 3 restantes notas (Começam a perceber a parte informal do concurso? Asseguramos ao máximo: justiça entre todos os concorrentes, colocando-os ao mesmo nível);

  • Há 3 rondas. Na 1ª participam todos os concorrentes, na 2ª participa a metade com pontuações mais elevadas e na 3ª a metade dessa metade, passando sempre quem tem as pontuações mais elevadas;

  • Mas se passam as pontuações mais elevadas, já o ego fica à porta! Do lado de fora mesmo, para não estorvar. Que nisto da poesia não há quem seja melhor do que os demais. Há partilha. E por isso, apesar de ser um concurso e de ser apurado um vencedor a cada sessão, a verdade é que triunfa a poesia!

 

Mas também há excepções, para quem não gosta de avaliações! É a pensar nisso que existe o “Microfone Aberto”, em que se podem dizer poemas de sua autoria ou não; em 3 minutos ou mais; usar adereços, instrumentos musicais, e tudo isto sem o peso da avaliação, sem que venha alguém da plateia dar-nos um 5,45 ou um 7,98!


 

Preparado para percorrer o palco-ponte entre Leiria e o mundo? 

Carla Veríssimo lança o repto e assegura que “temos unido pessoas de todas as idades, índoles, credos, raças e lugares, que partilham vozes, revoltas, inquietações, arrelias, medos e amores. Que acreditam no poder da poesia, como ponte entre os povos”. Preparado para a viagem? 

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