Alberto Madaíl (PSD/Nazaré) em entrevista

O candidato de “A Força da União”, coligação que junta ao PSD os movimentos NazaréViva e Grupo de Cidadãos Independentes do Concelho da Nazaré, formula fortes críticas ao mandato do socialista Walter Chicharro e acredita numa vitória no próximo ato eleitoral no concelho da Nazaré.

Autárquicas'17: Entrevista ao candidato do PSD... por regiaodecister

REGIÃO DE CISTER (RC) > Protagoniza uma candidatura que alguns apelidam de “gerigonça”, dado haver uma coligação entre um partido e dois movimentos de independentes. Como nasceu esta lista? 
Alberto Madaíl (AM) > Esta lista nasceu há mais de um ano, desde que existiu o convite. Fiz uma ponderação, consultei amigos e outras pessoas, e conclui que fazia sentido avançar, porque é uma candidatura da sociedade civil com a chancela do PSD. Tenho de reconhecer que foi uma visão altamente benéfica sair da esfera partidária e trazer os dois movimentos para esta candidatura. A força da união é o nosso slogan e pretendemos obviamente trabalhar para a Nazaré. Não tenho conotação com nenhum partido, portanto serei o defensor de todo o concelho. 

RC > Mas por que se candidata?
AM > Há três razões importantes. Desde logo, a falta de democracia da atual gestão é algo que me incomoda como democrata, a que junto a assimetria do investimento no concelho e a gestão danosa e mediática. Vou explicitar melhor: o exercício do poder autárquico é feito, no meu entender, de uma forma arrogante, autoritária e muito pouco transparente. Existe discriminação de munícipes no acesso aos serviços e também aos empregos da Câmara. Esta discriminação é baseada em opções ideológicas. É conhecido o ilícito despedimento de alguns trabalhadores do município e isso é algo que nunca poderia acontecer numa presidência de Alberto Madaíl. Vivi até aos 19 anos sob uma ditadura e encontrar algumas semelhanças do atual exercício autárquico com o passado e efetivamente exercer coação e perseguição a funcionários é algo que não me deixa tranquilo. Essa é sem dúvida uma das razões para me candidatar. A atribuição de favores políticos a familiares e amigos também me incomoda. Há, efetivamente, algum amiguismo e são arranjados empregos para amigos e conhecidos e, talvez, para alguém que financiou a campanha de 2013. Quanto à assimetria, considero que o investimento não deve ser centrado apenas na Nazaré, seja Praia, Sítio ou Pederneira, votando ao esquecimento as outras áreas do concelho. Temos de trabalhar o concelho como um todo. Por fim, falo de gestão danosa. Refiro-me, em concreto, a uma venda de património que foi feita ao desbarato e que considero altamente prejudicial para o concelho: a alienação em hasta pública de uma parcela do território municipal situada entre o Mercado e a Biblioteca Municipal, na Nazaré, onde seriam construídos os Paços do Concelho e outros serviços. 

RC > Faz críticas contundentes ao exercício do mandato de Walter Chicharro. Mas essas acusações são exclusivas do executivo PS? Noutros tempos não houve favorecimentos a outras franjas da população?
AM > Só estou aberto para discutir o mandato em curso, pois efetivamente é isso que está em causa nas próximas eleições. O escrutínio dos 20 anos do PSD, anteriores a 2013, foi feito pela população, que deu uma maioria escassa, ou melhor, uma falsa maioria ao PS. Como sabemos, esta maioria foi fruto do método de Hondt. Todos sabíamos que é uma ilusão esta maioria do PS e o que a população vai escrutinar é o desempenho imediato de Walter Chicharro.

RC > É da junção de várias sensibilidades políticas que pode nascer a vitória?
AM > Essa é uma mais-valia. Considero que a nossa candidatura é transversal, atravessa todo o tecido social do concelho, portanto nesse aspeto a diversidade de opiniões é seguramente uma mais-valia para qualquer candidatura. Tenho a honra de a liderar e obviamente vou servir-me dela para valorizar as decisões que vão, seguramente, de encontro às necessidades da população em geral, porque temos um conhecimento vasto do concelho. 

RC > Não tem receio de ser acusado de vira-casacas, uma vez que foi vereador e militante do PS, depois foi candidato como independente e aparece agora como cabeça de lista de uma candidatura do PSD?
AM > Não me considero um vira-casacas. Mantenho os meus ideais ao longo dos anos. Sempre fui e serei um defensor da Nazaré. Fui, e com muito orgulho, militante durante quase 30 anos do PS e decidi sair devido a uma falta de democracia interna. Uma falta de democracia que, infelizmente, transitou do partido para a autarquia. O que quero é alterar o modo de fazer política e reintroduzir a democracia e a transparência nas gestão da Câmara.  

RC > O PSD perdeu mais de metade do eleitorado em 2013. Há condições para recuperar essa franja da população?
AM > É obviamente uma aposta nossa, não só recuperar esse eleitorado do PSD, como também recuperar, ou pelo menos sensibilizar, alguns dos abstencionistas. É importante participar nas eleições, porque deles depende o resultado. Quero lembrar que a abstenção foi a vencedora nas últimas eleições. Será de todo importante convocar os abstencionistas para votar. Penso que podemos contribuir efetivamente para que isso aconteça, porque como disse somos uma candidatura com diversas sensibilidades e julgo que muitos dos eleitores que não votaram há quatro anos podem agora votar.

RC > Quais são os projetos-bandeira do PSD para o concelho?
AM > O programa eleitoral está em construção. Temos visitado imensas associações e instituições educativas, sobretudo de cariz humanitário, e constatámos em muitas delas alguma falta de apoio efetivo da Câmara. Ao nível do investimento também temos a noção do mesmo. Aparecem muitos interessados, mas o investimento não se concretiza. Quero relembrar os 150 milhões prometidos para a quinta de São Gião, os investidores para a ALE de Valado dos Frades. Eram americanos, canadianos e até russos... Quem sabe se vamos ouvir também essa promessa agora estamos à beira de eleições. Peço à população que esteja atenta para que, digamos, não seja mais uma vez enganada e aposte efetivamente numa opção séria e válida para gerir o concelho de uma forma alternativa à atual gestão. Em termos de prioridades, temos de resolver o problema da mobilidade urbana, que a intervenção da marginal tornou ainda mais caótica. E é fundamental o desenvolvimento harmonioso do nosso concelho. Para mim é mais importante fazer chegar saneamento, água e a energia a todo o concelho do que trazer cá, e passe a expressão, uma Madona.

RC > O PS defende que diminuiu a dívida herdada pelo PSD. Como comenta? E que avaliação faz do mandato de Walter Chicharro?
AM > Essa é uma questão primordial. Temos de viver com a dívida, mas é realmente estranha a análise que o executivo do PS faz da dívida. Recordo que todas as candidaturas há quatro anos prometeram uma auditoria independente às contas e, por isso, este é mais um incumprimento deste executivo. Calculou internamente o valor da dívida, que segundo dados recolhidos pelo próprio município oscila entre os 42 e os 45 milhões de euros, dizendo ter havido uma redução de 11 milhões de euros nos últimos quatro anos. O que quer dizer que em 2015 teríamos uma dívida a rondar os 31 milhões. O que acontece é que somos surpreendidos com o atual executivo, quando pretende fazer um empréstimo através do FAM de 33 milhões de euros, como sabemos num prazo de 30 anos. Fazendo as contas, percebemos que um empréstimo de 33 milhões suportando um juro de mais de 5 milhões custa 38 milhões, se a isto adicionarmos aquilo que já foi recebido do Apoio Transitório de Urgência, que foram 7,6 milhões, já chegamos a 45,6 milhões. Se a isso somarmos a dívida também contraída através do acordo com as Águas de Lisboa e Vale do Tejo, no valor de três milhões, já vamos chagar muito perto dos 50 milhões, o que é algo que me preocupa especialmente. Mais: como é que reduzindo tanto a dívida não se faz mais um esforço? A manter o ritmo da redução da dívida em dois anos estaríamos abaixo do limite de endividamento. Por que é que se pretende fazer um empréstimo de 33 anos, implicando o futuro das nossas gerações? Esta questão vai ter que ser sufragada nas eleições de 2017.

RC > É possível baixar os impostos na Nazaré?
AM > É possível, como há pouco demonstrei. A manter-se o ritmo de redução de dívida é possível a breve prazo, ou seja, no próximo mandato estarmos abaixo do limite de endividamento e então, sim, teremos toda a liberdade para baixar alguns impostos, nomeadamente o exagerado IMI que pesa em todos os orçamentos das famílias do nosso concelho.