António Garoto veste e calça mirenses há mais de 65 anos

Foi há mais de 65 anos que abriu o mais emblemático pronto-a-vestir de Mira de Aire.  “António Garoto” marcou tendências e há várias gerações que veste e calça os mirenses e todos aqueles que chegavam de fora para ficar a par das novidades e que preferiam a qualidade dos artigos “made in Portugal”, que ainda hoje caracteriza a loja da Rua Dom Afonso Henriques. 

O nome surgiu da alcunha do fundador António Dias Jorge, mais conhecido na vila por “António Garoto”. 

 Com secção para noivos e batizados no primeiro andar, os clientes conseguiam ali encontrar tudo aquilo que precisavam para qualquer ocasião. Além de vestuário e calçado, o pronto-a-vestir chegou também a comercializar tecidos a metro, enxovais e ainda artigos de lar e de mercearia. 

“Chegámos a ter duas lojas e não tínhamos mãos a medir com tanto movimento”, recorda Virgínia Fiel Massano, que abriu o estabelecimento com o marido, já falecido. “Havia constantemente pessoas a entrar e a sair”, conta a comerciante, não escondendo a saudade dos tempos áureos vividos, principalmente nos anos 80 e 90 do século passado.

Virgínia Fiel Massano era responsável por fazer as montras da loja e os arranjos de costura dos clientes. “Andava com os manequins para cima e para baixo e era muito perfeccionista”, confessa ao REGIÃO DE CISTER, entre risos. Apesar do cansaço, de vez em quando, para ocupar o tempo e matar as saudades, a mirense ainda ajuda a escolher as roupas e os acessórios para expor nas montras do espaço comercial.

Atualmente nesta casa com muita história, é possível encontrar roupa, calçado, pijamas, roupas interiores e acessórios para homem e para mulher e ainda tecidos a metro e artigos de retrosaria. 

Luís Filipe Jorge, filho do casal, deu continuidade ao negócio e apesar das dificuldades que o comércio tradicional tem vindo a enfrentar, é com um sorriso no rosto que continua a receber os seus clientes. Aos 16 anos começou a ajudar os pais na loja e é para “honrar” o nome do seu pai que continua a abrir todos os dias as portas do estabelecimento, apesar da escassez de clientes. 

“Com a crise e o sucessivo fecho das fábricas, saiu muita gente de Mira de Aire”, lamenta o atual proprietário. “Além disso, com a abertura dos centros comerciais, o comércio tradicional passou a ser cada vez menos valorizado, principalmente pelos mais novos”, acrescenta. Também a pandemia veio agravar a situação vivida e a quebra nas vendas durante a quadra natalícia foi notória.

“As pessoas com mais idade têm medo de sair à rua”, nota.

No entanto, apesar dos dias mais difíceis, mãe e filho não cruzam os braços e é com a habitual simpatia e os seus produtos de qualidade que vão continuando a fintar a crise, com a esperança de que melhores dias virão.