Comitiva da região sentiu pulsar de Bruxelas antes das europeias

Três dezenas de alunos e professores das escolas secundárias D. Inês de Castro (Alcobaça), Escola de Hotelaria do Oeste (Caldas da Rainha), Peniche, Rio Maior e Alpiarça e do Liceu Francês (Lisboa), técnicos de bibliotecas de Alcobaça, Alpiarça e responsáveis das bibliotecas escolares do Oeste e da Lezíria do Tejo participaram, entre 3 e 5 de abril, numa visita às instituições europeias.

Aquele conjunto de “multiplicadores de informação” da União Europeia viajaram a convite do Centro de Informação Europe Direct Oeste e Lezíria do Tejo, sentindo o pulsar de Bruxelas em véspera das eleições europeias, que se realizam entre 23 e 26 de maio.

Nos três dias de trabalho, a comitiva visitou a Casa da História Europeia, o Berlaymont (sede da Comissão Europeia), o Parlamento Europeu e o Parlamentarium, tendo tido a oportunidade de reunir com o comissário europeu Carlos Moedas, o qual fez sentir aos jovens que “é importante contar a história da Europa”. “Temos uma história de conflitos entre os países europeus, mas devemos ter orgulho no percurso que fizemos com a União Europeia. O mundo está a fazer-nos voltar para trás. O nacionalismo/populismo faz-nos voltar ao mundo que era só guerra”, frisou o comissário europeu, que se mostra confiante no futuro.

“Achámos que não era preciso contar a história, por sermos países tão antigos. Pensei até há pouco tempo que a história era irreversível. O Brexit mostrou que não. Um dia pode acabar. E não deveríamos aceitar partidos que querem destruir o sistema europeu”, declarou o antigo secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro na reunião que decorreu na Sala Robert Schuman, do Berlaymont.

Após o encontro, Carlos Moedas falou aos jornalistas que acompanharam a visita, reforçando a “mensagem” de que é necessário “contar a história de que a Europa teve a capacidade de fazer antes dos outros”. “Estamos a influenciar a Europa e o resto do Mundo. Podemos falar dos regulamentos de proteção de dados, do programa Erasmus, do roaming, entre outros pontos diferenciadores das nossas políticas. Por isso, devemos contar aos outros as histórias que mudam as vidas das pessoas e que foram protagonizadas pela Europa”, salientou.

“Fomos o centro das mudanças climáticas e todas essas alterações melhoraram a qualidade de vida dos europeus. Se não houvesse Europa será que a qualidade da água nas nossas torneiras era tão boa como hoje?”, questionou Carlos Moedas, no final da reunião, falando aos jornalistas que acompanharam a visita. Durante o encontro com a comitiva da região, o comissário tinha revelado “grande preocupação” com os fenómenos emergentes dos “partidos populistas” e do impacto do Brexit, que têm redundado num “extremar de posições”, que acabam por influenciar até movimentos “legítimos” como os dos coletes amarelos em França. “Estavam ali pessoas que estão insatisfeitas com a vida que têm, mas depressa se gerou uma onda de violência que elevou o nível dos protestos, devido a interferências dos populistas e extremistas”, lamentou.

Para Carlos Moedas, um comissário europeu tem a obrigação de “lutar pelo bem comum do todo”: “Quando estamos reunidos, não posso dizer Portugal, tenho de dizer o país que conheço melhor. A linguagem é importante. E fazer o melhor para a União”.

No derradeiro dia da visita às instituições europeias, a comitiva da região teve oportunidade de privar alguns minutos com a eurodeputada Marisa Matias (BE), que revelou que nunca se sentiu “discriminada” quando lidera a Delegação para as Relações com os Países do Maxereque, apesar de ser mulher. A bloquista mostrou conhecimento sobre algumas matérias que envolvem o Oeste, elogiou a integração do iraquiano Daud Al Anazy na comunidade em Alfeizerão. Localidade onde, notou, existe um “maravilhoso pão de ló”.

O Região de Cister viajou a convite do Centro de Informação Europe Direct Oeste e Lezíria do Tejo