Confronto verbal entre Salgueiro e Vala domina debate em Porto de Mós

O sorteio do primeiro debate autárquico organizado pelo REGIÃO DE CISTER em Porto de Mós, que decorreu no passado sábado, no Cine-teatro da vila, ditou que João Salgueiro (PS) e Jorge Vala (PSD) voltassem a estar do mesmo lado da barricada. Ou, pelo menos, em sentido figurado, já que em termos de ideias e de projetos foi muito mais o que afastou o antigo e o atual presidente da Câmara do que aquilo que os uniu. 

O debate era a quatro, mas acabou por ser dominado pelo confronto verbal entre o candidato do PS e o candidato do PSD. Pedro Santos (CDU) e António Alves (Chega) “assistiram” à discussão entre os dois antigos colegas de bancada e de partido, sem acrescentar muitas ideias à discussão.

João Salgueiro criticou a opção dos outdoors nas autoestradas para promoção do concelho, Jorge Vala defendeu que tinham sido a primeira porta de entrada de visitantes no concelho. João Salgueiro acusou Jorge Vala de ter sido o responsável por uma das “maiores destruições do património de Porto de Mós”, referindo-se aos túneis da ecopista, Jorge Vala convidou João Salgueiro a ler o relatório sobre esse assunto. João Salgueiro pediu coragem a Jorge Vala para retirar “as paletes de pavet” e substituir por calçada portuguesa na obra da central termoelétrica, Jorge Vala argumentou que o projeto “ainda está assinado por João Salgueiro, sem poder ter alterado uma vírgula, uma vez que é uma obra com fundos comunitários”. 

O “jogo de pingue pongue” entre o candidato do PS e o candidato do PSD foi acompanhado com muita atenção pelas “claques” que encheram o Cine-teatro. Ora aplaudiam o candidato que apoiavam, ora vaiavam o adversário político. Foi, aliás, um comentário vindo da plateia que irritou o antigo presidente de Câmara. “Não estou disponível para ouvir comentários da plateia. Tenho trabalho feito e não tenho 40 obras prometidas por executar. Eu cumpri”, gritou João Salgueiro, antes de poder ser dada a palavra a Jorge Vala. “Nós os três merecemos respeito”, atirou o presidente da Câmara. 

O candidato do Chega brincou com a situação e ainda arrancou uma gargalhada do público: “não sou político como estes senhores, mas sei que as pessoas precisam de ter acesso aos cuidados de saúde e faremos o que for preciso para que isso aconteça, porque senão tem de se a haver comigo”. A sinceridade do candidato da CDU, quando admitiu que “não ia ganhar” a Câmara, também motivou uma reação do público.

Fixação de pessoas, turismo, requalificação urbana e saúde foram os temas em discussão num debate em que os candidatos tiveram a oportunidade de apresentar e discutir propostas em prol do concelho de Porto de Mós.   

Pedro Santos elencou a “criação de postos de trabalho”, as “condições de trabalho” e os “serviços públicos de proximidade” como prioridades da CDU para fixar população. O candidato do Chega acrescentou a cultura ao conjunto de soluções para inverter a tendência de perda de população. À defesa, Jorge Vala (PSD) lembrou as “reduções fiscais” feitas nos últimos quatro anos, as bolsas de estudo, o incentivo à natalidade e a gratuitidade dos transportes escolares. Ao ataque, João Salgueiro (PS) atirou que “as coisas não eram assim tão vagas e tão ligeiras para se fixar população”, sublinhando a importância do “apoio aos empresários” e da “criação de condições para deixar os miúdos nas escolas antes e depois das aulas”. 

António Alves defendeu a criação de uma escola técnico profissional, um polo tecnológico, e mais condições tecnológicas à Casa da Cultura em Mira de Aire, do Cine-teatro de Porto de Mós ou do salão paroquial do Juncal”. Pedro Santos voltou a falar nas entradas gratuitas no Castelo e na promoção do barro vermelho. Jorge Vala apontou a criação do geoparque, uma nova ARU para Juncal e um espaço cowork em Mira de Aire. João Salgueiro prometeu um apoio para as pessoas requalificarem as suas casas e anunciou três projetos de espaços de saúde, sem concretizar quais.

Na plateia não parecia haver dúvidas na intenção de voto, mas leitores e eleitores de Porto de Mós terão até 26 de setembro para escolher quem será o homem que vai gerir a Câmara de Porto de Mós nos próximos quatro anos.