Debate a sete em Alcobaça: as ideias (e a falta delas)

Houve quem precisasse de recorrer à leitura, quem tivesse bloqueado e passado ao próximo, quem tivesse preferido jogar ao ataque, quem preferisse a defesa e quem parece ter ficado apenas a assistir. Pelo meio, houve umas bocas, pequenos despiques e críticas à gestão do PSD. Os sete candidatos – cinco homens e duas mulheres – à presidência da Câmara de Alcobaça juntaram-se no auditório da Biblioteca Municipal, no passado domingo, para um debate organizado pelo REGIÃO DE CISTER, em parceria com o Jornal de Leiria, o Tinta Fresca e a rádio Benedita FM, que transmitiu em direto a iniciativa.

A habitação foi a prioridade apresentada pela candidata do Chega para fixar população. Isabel Ventura advogou ainda uma “gestão transparente” para que se possa “aferir a qualidade de vida dos munícipes”. O candidato do PSD anunciou “um programa de habitação jovem com rendas acessíveis nas freguesias”, prometendo a criação de um “campus de experimentação e investigação na área agrícola, gastronómica e tecnológica” e anunciando o “primeiro doutoramento da Universidade de Coimbra em Alcobaça”. O candidato do PS juntou as valências do emprego e da saúde ao debate. Carlos Guerra falou num “apoio de arrendamento jovem de 100 euros por mês durante os dois primeiros anos de arrendamento”, na criação de um “conselho económico e social”, na “requalificação dos centros de saúde”, na atribuição de “subsídios de 30 euros mensais para os frequentadores de creches até aos 36 meses e vales de educação de 100 euros mensais para todos os estudantes” e num “programa de internet grátis”.

O candidato do CDS-PP acrescentou as acessibilidades, a segurança e a cultura como forma de atrair população, defendendo uma “aposta séria nos cursos profissionais”. Clementina Henriques (CDU) defendeu um investimento na habitação, através do “arrendamento de património municipal recuperado a jovens e pessoas com dificuldades a custos razoáveis”. Para Rui Alexandre (Nós, Cidadãos), “os terrenos da câmara devem ser colocados à disposição dos empresários”.

O candidato da Iniciativa Liberal considerou serem “necessários projetos” para que o ensino superior se instale em Alcobaça. Lembrando que “Alcobaça tem 54% de saneamento básico [78% é a média nacional]”, Miguel Silvestre propôs a criação de “residências e estúdios até 6 meses de permanência”, as “melhores políticas de infância” e uma “rede de parques infantis criativos”.

Hermínio Rodrigues saiu em defesa: “não há centro urbano sem saneamento; 55% da habitação tem saneamento e 70% da população tem saneamento”. O vice-presidente da Câmara e candidato do PSD refutou a ideia de haver perda de população, “o que existe é um diferencial entre natalidade e mortalidade”. Carlos Guerra perguntou: “Se abrir uma licenciatura em Alcobaça de 50 alunos, onde os colocamos a dormir?”.

Para o desenvolvimento económico, falou-se nas ampliações das zonas industriais Pataias, da Martingança e dos Calços (PSD e Nós, Cidadãos), na criação do Gabinete do Empresário (PSD e CDU) – “curto” para a Iniciativa Liberal –, na melhoria da mobilidade, no uso de transportes ambientalmente sustentáveis e na “agilização de processos de licenciamento” (Chega), na “criação de um conselho de sábios que reúna de 6 em 6 meses” (Nós, Cidadãos), a “criação de um conselho económico e social” e a “redução de impostos com o objetivo de criar emprego” (PS), no “apoio às micro, pequenas e médias empresas” e na “economia social” (CDU), no “acesso do IC9 a Aljubarrota” (CDS) e na requalificação da Linha do Oeste (Nós, Cidadãos e Iniciativa Liberal).

Relativamente ao turismo, “Alcobaça precisa de uma nova configuração”, defendeu a candidata da CDU. “Alcobaça deve afirmar-se como potencial centro da região de Cister”, sublinhou Clementina Henriques. A candidata do Chega defendeu ”circuitos turísticos”, um “marketing digital feroz”, a “criação de um museu com produtos de excelência na Rua D. Pedro V” e a “criação de um centro de estudos cistercienses”.

“De uma vez por todas a informação turística tem de estar concentrada e não está”, admitiu o cabeça de lista do PSD, lembrando o “projeto de mobilidade que vai ligar Alcobaça à Nazaré” e a ambição de criar a “festa da Maçã de Alcobaça e o festival das convivências”. “Construir em São Martinho do Porto um destino orientado para as famílias” é um desígnio do candidato da Iniciativa Liberal, bem como a construção de “uma pegada digital para o turismo”, a aposta no eixo “Alpedriz, Montes e Coz” e o “Museu da faiança nacional”. António Vieira falou de uma Casa das Culturas para realizar eventos como “Moda Alcobaça” ou “Carnavais de outros tempos”. Rui Alexandre defende “um grande evento nacional sobre o tema do amor” e uma “aposta no turismo desportivo na Benedita”.

Da direita à esquerda, ficaram as ideias (ou a falta delas) para que o eleitorado decida quem está preparado para assumir os destinos da Câmara de Alcobaça no próximo mandato.