Gestão do PS marca debate morno na Nazaré

Muitas críticas foram apontadas ao candidato do PS, mas o incubente Walter Chicharro preferiu jogar à defesa, não respondendo à maioria das acusações feitas pelos candidatos de CDU, PSD e BE. O debate entre quatro dos cinco candidatos à Câmara da Nazaré nas próximas eleições autárquicas, decorreu no Cine-teatro (muito vazio) da vila, no passado domingo. O candidato do CDS-PP, que testou positivo à covid-19, não participou, ainda que o REGIÃO DE CISTER lhe tenha dado a oportunidade de participar via online.

O encontro arrancou com Walter Chicharro a ser questionado se a Nazaré estava preparada para receber tantos turistas. Apontando uma “alteração de paradigma de comunicação e promoção”, o candidato do PS reconheceu que há “desafios” que estão a ser “atacados”, como as redes de água e saneamento e o estacionamento. O candidato da CDU entrou a pés juntos: “Quando tudo tende a ser maquilhado, claro que o ativo principal da Nazaré – a cultura, o povo, a história e a resiliência – perde-se”. “A beleza natural bafejou este território, é só preciso não estragar”, reiterou João Delgado, defendendo um “turismo sustentável” em articulação “com os operadores e com as organizações do setor”. Para Telma Ferreira (Bloco de Esquerda), “é importante garantir que o investimento público não seja direcionado só para um sistema de monoturismo”. Já Fátima Duarte (PSD) ampliou a estratégia de turismo às freguesias, considerando “não haver estrutura para a quantidade de turismo que caiu na Nazaré”.

O emprego foi o tema mais quente durante o debate. “Há que ter a noção de que em qualquer município deste tamanho, até por força das competências que têm sido entregues às autarquias, o crescimento da estrutura de trabalhadores é uma realidade”, respondeu Walter Chicharro. A reação da CDU não tardou: “o município e os seus responsáveis não se podem queixar de terem de engordar um quadro de pessoal de uma empresa municipal quando eles próprios foram senhores e autores da aceitação da transferência de competências”. João Delgado foi ainda mais longe: “quando as pessoas estão dependentes economicamente e vulneráveis, quando querem por o pão na mesa e não o têm, abdicam dos seus direitos cívicos, políticos e culturais. O medo instala-se, não abrem a boca”. A candidata do PSD também colocou achas na fogueira: “o município não pode utilizar a fraqueza da pessoa que tem um trabalho que não gosta ou que necessita de um trabalho para, de certa forma, conseguir mais votos”. Telma Ferreira (Bloco) também não perdoou: “o PS foi o exemplo do despedimento coletivo da Nazaré Qualifica, foi o exemplo de polémicas contra trabalhadores sindicalizados e foi exemplo de recrutamento para a empresa municipal de trabalhadores a falsos recibos verdes”. E Walter Chicharro ripostou: “O único medo dos funcionários do grupo municipal é que passe ao lado deles e não lhes diga bom dia, porque temos uma relação muito próxima. Não andamos a contratar por qualquer outro esquema que não seja suprir as necessidades do concelho”.

A habitação e a dívida também motivaram algumas “bocas”. “Decorrente da excessiva promoção do turismo, a especulação imobiliária está a atingir valores absolutamente pornográficos para aquilo que são os rendimentos médios dos trabalhadores do concelho da Nazaré”, considerou João Delgado, acenando com o projeto de recuperação de imóveis devolutos “Habitar o Centro”. A candidata do PSD apontou a habitação social como um dos caminhos para resolver a falta de habitação acessível. Já a cabeça de lista do Bloco considerou necessária “a criação de parques de habitação pública no concelho”. Por seu turno, Walter Chicharro mostrou a intenção de “afetar parte dos impostos, como o IMT, para a solução de construção de empreendimentos habitacionais”.

Sobre a dívida, o PSD e o PS não se entenderam. Fátima Duarte, que reconheceu a responsabilidade do PSD, questionou “o acréscimo de 3,3 milhões de euros” no valor da dívida atual [32 milhões]. Walter Chicharro respondeu: “Chegámos com uma dívida de 43 milhões de euros, cerca de 1 ano e meio depois encontrámos 2 milhões por registar e em 2017 foi descoberto mais 1,6 milhões do terreno da compra da ALE. Tem aí a resposta”, rematou Walter Chicharro. Para o candidato da CDU, “cinco vereadores a tempo inteiro”, “assessores jurídicos com duas avenças, uma à Nazaré Qualifica e outra à Câmara, de 2.500 euros cada uma”, “cerca de 1,2 milhões em jogos de praia”, “pagamentos de almoços e jantares em 23 mil euros” e “despesas de representação em 160 mil euros” explicam o porquê de a dívida da autarquia ainda não estar abaixo do excesso de endividamento, que permitirá renogociar com o FAM as taxas dos impostos municipais. “Tratamento da dívida com ferramentas à direita tem estas limitações”, notou Telma Ferreira.