Graciano Dias (CDS-PP/MPT/PPM/Nazaré) em entrevista

O candidato da coligação “Nazaré Primeiro no Século XXI”, apoiada por CDS-PP, MPT e PPM, diz que pretende fazer política de uma forma distinta daquela que tem marcado o quotidiano no concelho nas últimas décadas. 

Autárquicas'17: Entrevista ao candidato do CDS... por regiaodecister

REGIÃO DE CISTER (RC) > A candidatura que protagoniza esteve em dúvida até ao último dia. A que se deveu esse impasse? 
GRACIANO DIAS (GD) > O impasse deveu-se fundamentalmente à dificuldade que as pessoas têm em aderir a projetos políticos, uns porque tem algum receio de retaliações, outros porque não estão muito interessados na política e, portanto, muito embora gostem de discutir política não querem intervir politicamente. De uma maneira geral, as pessoas gostam muito de criticar, mas depois não estão disponíveis para participar. Também sempre disse que não iria candidatar-me nestas eleições se não encontrasse uma equipa que me desse garantias de competência e mérito, mas na reta final conseguimos realmente arranjar uma série de pessoas com uma multidisciplinaridade muito grande e conseguimos criar condições para apresentar a candidatura.

RC > Qual a explicação para o nome da coligação?
GD > O nome da coligação [Nazaré Primeiro no Século XXI] deve-se fundamentalmente ao facto de querermos acabar com a guerrilha política e social que existe na Nazaré entre o PS e o PSD. Quando o PSD está no poder, as pessoas do PS são normalmente prejudicadas; quando está o PS no poder há um conjunto do PSD descontente e prejudicado. Assim, esta candidatura também representa o pensamento de uma Nazaré para todos, onde todos estejam reunidos, independentemente da sua cor política ou partidária e daquilo que cada um possa representar. Queremos pensar a Nazaré porque quando se anda em guerras com uns e outros, com certeza que o foco não é a Nazaré, nem os cidadãos, e nós temos a “presunção” que podemos fazer muito pela Nazaré, sem guerras, sem politiquices, sem avaliações de caracter, como se tem ouvido por todo o lado sobre uns e outros. Qualquer resultado para nós é importante, na medida em que as listas são compostas por gente que nunca fez política, nunca integrou movimentos, apenas dois ou três terão estado mas sem fazerem política ativa, e por isso é uma candidatura completamente diferente, que só quer pensar na Nazaré e no concelho. 

RC > Em que medida é que esta candidatura ou esta lista pode mudar o concelho?
GD > Com uma série de projetos que temos e com um programa que criámos a pouco e pouco ao longo destes dois últimos anos, em que percebemos que o foco principal de uma Câmara deveria ser a questão da gestão e da dívida. Consideramos que não tem sido esse o foco deste executivo, nem dos executivos anteriores, e, portanto, a dívida da Câmara da Nazaré é algo que nos faz pensar que temos muito para fazer pela Nazaré, para que os cidadãos deixem de pagar os impostos mais caros do País. Temos projetos para isso, o investimento produtivo é fundamental por parte da Câmara para conseguir criar emprego para os jovens e aumentar as receitas, o que é fundamental para podermos posteriormente ter uma dívida aceitável e, a partir daí, fazer um trabalho ainda mais aturado em relação às necessidades do próprio município.

RC > O CDS não elege membros para o executivo desde 1989. Acredita que, com esta coligação, é possível inverter essa tendência?
GD > Esta é uma coligação que não tem que ver com o CDS. Eu sou do CDS, mas a lista é toda independente. Há três pessoas que são do CDS, o resto são tudo independentes, portanto esta não é uma candidatura do CDS, é um movimento que se criou à volta de uma ideia de combater aquilo que existe, da forma que existe, protagonizado pelos maiores partidos: o PS e o PSD. Se repararmos bem, neste momento temos duas candidaturas socialistas à Câmara, de um lado um PS egocêntrico, narcisista e “facebookiano” e do outro um PS mascarado de PSD, com dois elementos que já foram do PS, que fizeram parte das funções políticas concelhias, que estão apenas na política porque estão ressabiados relativamente ao outro PS e depois com o número três uma candidata que faz parte daquele grupo que foram despedidos por Walter Chicharro. O movimento de candidaturas que apareceu é PS contra outro PS e, portanto, há aqui um espaço político que não estava consagrado, que penso que a CDU não o vai representar e muito menos o BE. Daí a necessidade de haver uma outra força política, que traduzisse aquilo que é a vontade de grande parte dos cidadãos que não se reveem nas opções e nas propostas que estão a ser feitas. 

RC > Se diz que é do CDS, porque é que foi nas listas do MPT há quatro anos?
GD > Há quatro anos não era do CDS. Entrei no CDS depois da saída do Paulo Portas e com a chegada de Assunção Cristas. Sempre fui um democrata cristão, não sendo sempre do CDS, mas há pessoas com as quais concordamos e há outras com as quais não concordamos. Nunca concordei com o facto de Paulo Portas querer o protagonismo de estar no Governo a todo o custo e isso para mim não é uma forma de estar. Tal como no caso da autarquia, nunca iria estar, em circunstância alguma, junto daqueles que pensam de maneira diferente, estarei sempre disponível para apoiar tudo o que for bom para o concelho e para os cidadãos. Jamais entrarei em politiquices. 

RC > Foi deputado municipal neste mandato. Inicialmente pareceu próximo do PS, depois tornou-se mais crítico...
GD > Estou convencido que Walter Chicharro no ano de 2014, depois das eleições em outubro, parecia estar preocupado com os problemas da Câmara e nomeadamente com a questão da dívida, que é gravíssima. É uma vergonha para todos perceber que o município da Nazaré é sempre falado pelos piores motivos. É uma das Câmaras mais endividadas e embora não tenha nascido na Nazaré, sou mais nazareno do que da minha terra e não me sinto confortável com essa ideia. É preciso perceber que no ano de 2015, segundo dados oficiais do Governo, a Câmara apresentou resultados operacionais negativos de 4,6 milhões de euros. Mas continuam a dizer que se baixou a dívida em 11 milhões de euros. Percebemos que os dados estão manipulados. Tenho a certeza que a dívida é superior ao que a Câmara diz. Aliás, uma das primeiras medidas que iremos tomar, que foi aliás uma promessa de há quatro anos deste executivo, é fazer uma auditoria independente. A verdade é que houve um desvio brutal de Walter Chicharro, mas eu sempre estive na Assembleia Municipal a fazer política positiva, sempre me predispus a assinar e a votar favoravelmente tudo o que entendia que era bom para a Nazaré e sempre me predispus a votar contra tudo aquilo que entendia que punha em causa os interesses dos cidadãos e do próprio concelho. A minha postura foi sempre coerente.

RC > Que projetos tem a candidatura que encabeça para apresentar à população?
GD > Temos muitos projetos e de várias naturezas. Tenho projetos para as coletividades e associações do concelho e tenho projetos que são de uma política de grande proximidade com a sociedade civil, ao contrário daquilo que acontece atualmente. Julgo que este executivo transformou a Câmara numa empresa de eventos. Sou 100% favorável aos grandes eventos que põem a Nazaré nas grandes bocas do mundo, só não sou favorável a que sejam os cidadãos a pagá-los. Acredito naqueles eventos, mas tem que haver sponsors e patrocinadores e uma Câmara tem todas as facilidades em arranjá-los. Por outro lado, a sociedade civil e nomeadamente as coletividades e as associações deviam estar inseridas nesses eventos de grande dimensão. É preciso perceber que a Nazaré, por exemplo, hoje é a capital do futebol de praia, mas quem deu à Nazaré essa qualidade e essa característica foi uma coletividade chamada Sótão. Onde é que o Sótão aparece neste evento da Euro Winners? Onde é que foi pedida alguma coisa ao Sótão para também eles fazerem parte da Euro Winners e para eles crescerem com um evento desta natureza? A Câmara Municipal chama a si todo o protagonismo relativamente aos eventos que promove, o que é muito fácil porque é à custa do dinheiro dos cidadãos. 

RC > Mas qual será o principal projeto?
GD > Tenho um projeto que é único a nível global, já o tenho na cabeça há muitos anos e julgo que faz todo o sentido porque ia resolver uma lacuna enorme que existe no concelho. É um projeto de geriatria, turismo rural e turismo de natureza, para se realizar em Valado dos Frades, porque tem as condições e as especificidades necessárias para a realização de um projeto daquela natureza. Pretende-se receber idosos de todo o mundo e principalmente idosos que veem de países que são mais desenvolvidos e procuram no nosso clima um local ideal para passar o resto das suas vidas. Outro dos projetos que posso dizer tem que ver com as águas belas, o aproveitamento da água da nascente, onde pretendemos criar uma unidade de engarrafamento. Há um estudo feito já para isso, que pode necessitar de atualização, mas refere que a Câmara podia ter 3 milhões e meio por ano de receita só nessa unidade de engarrafamento, que daria emprego a 60 pessoas.