Lúcia Duarte (PDR/Alcobaça) em entrevista

Lúcia Duarte é a candidata pelo PDR e foi a surpresa deste ato eleitoral. Inconformada há vários anos, a artesão vai a votos para “despertar consciências”.

Autárquicas'17: Entrevista à candidata do PDR à... por regiaodecister

REGIÃO DE CISTER (RC) > Já afirmou que uma parte importante da população do concelho está “adormecida”. A sua candidatura tem como objetivo “acordar” esta franja da população?
LÚCIA DUARTE (LD) > Penso que todos os alcobacenses estão adormecidos, uns mais adormecidos por bandeiras e outros em relação a todos os problemas do concelho. Mas é essa a nossa ideia. Dizer às pessoas para não se absterem porque isso não resolve nada no concelho e apelar ao voto para dar uma oportunidade a quem tem ideias, sejam eles quem forem.

RC > A sua candidatura surge de alguma inconformidade com a política local?
LD > Somos inconformados de há muitos anos para cá. Decidimos reunir-nos e avançar porque não havia alternativa a nível de apresentação de programas. Aquilo que havia não nos satisfazia minimamente, então optámos por nos juntar e lançar ideias para Alcobaça.

RC > A abstenção tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. Como pensa voltar a atrair estas pessoas, que caracteriza como “adormecidas”, para o processo político?
LD > Dizendo a verdade. Pura e simplesmente. Que há dinheiro para isto, mas não há dinheiro para aquilo. Precisamos de ter prioridades e perguntar, inclusivamente, às pessoas o que é que elas pensam. Se é preferível ter um grande grupo musical ou ter saneamento numa determinada localidade. Temos de falar com as pessoas e perceber o que elas precisam.

RC > E o que é que mais precisam?
LD > Neste momento penso que precisam de saneamento básico e de uma grande volta no Mosteiro de Alcobaça e no turismo. É preciso tentar que as pessoas percebam realmente que Alcobaça não é só o mosteiro. Temos muito mais, temos todo o género de turismo que se pode fazer, desde o turismo religioso, ao de natureza, histórico e paisagístico.

RC > Teve um passado político ligado ao Partido Socialista e a um grupo de cidadãos independentes. O que é que a levou a candidatar-se?
LD > Primeiro para tentar mostrar que nem todas as experiências são más. Por ter tido uma má experiência é que decidi fazer tudo ao contrário do que foi feito. Continuaria a apoiar o Dr. Pedrosa se ele fosse candidato, sem dúvida. É um homem com ideias para o concelho e com espinha dorsal.

RC > Como é que surge o apoio do Partido Democrático Republicano (PDR)?
LD > O apoio do PDR surge de uma forma muito simples: éramos um grupo de inconformados e para conseguirmos ir como independentes teríamos de andar a “correr” para recolher assinaturas. O PDR apoiou-nos porque considerou que estávamos realmente a fazer um bom trabalho no terreno e porque valia a pena. E, por isso, vamos com o apoio do PDR. O PDR dá a cara por nós e nós damos a cara pelo partido, mas vamos todos como independentes.

RC > Como é que caracteriza os mandatos de Paulo Inácio?
LD > Prefiro não caracterizar os mandatos de Paulo Inácio. Nem de ninguém. Vou ser sincera, não estou nisto para dizer mal ou bem de ninguém, estou aqui para apresentar as minhas propostas.

RC > E quais são as propostas da sua candidatura?
LD > O saneamento básico é a principal prioridade. Uma grande parte de Pataias e Aljubarrota não têm saneamento básico e as pessoas não podem continuar a viver assim. Depois há problemas a nível ambiental com os rios, com a Lagoa de Pataias, com um sítio espetacular em Chiqueda, que felizmente está a ser tratado pela Associação Azenhas de Chiqueda. Queremos dar mais apoio às instituições, fazer uma boa seleção daquilo que as muitas associações podem dar ao concelho e o que é que nós lhe podemos dar, sejam elas de que carácter for. Temos de ajudar os agricultores das zonas altas, como Cela ou Bárrio, que estão com problemas de água. Sei que o Regadio da Cela pode vir a resolver o problema das zonas baixas destas freguesias, mas as zonas altas também têm problemas. Seria necessário criar ali duas represas. Há uma situação que nos assusta, que são as localidades de Montes e Alpedriz. Duas terras que estão envelhecidas, as pessoas não querem ir para lá porque não têm condições de saneamento nem sequer de rede de telemóvel, têm problemas de locomoção e não têm como sair de lá. E, nesse sentido, temos uma proposta que é tentar cativar pessoas a irem viver para lá. Não com a entrega de um cheque, mas predispomos um determinado valor e a pessoa tem o ano inteiro para o gastar em lojas daquela localidade. Ou seja, não poderiam vir para Alcobaça comprar nas grandes superfícies. Aquele dinheiro destina-se, também, para movimentar o comércio local. Em Coz, gostávamos que o mosteiro tivesse outra visibilidade. Outro exemplo, Turquel tem um problema até estranho porque nesta época de eleições há alcatrão por todo o lado, mas esqueceram-se de Turquel. Na Benedita noto uma grande falta de cultura e de incentivo à cultura. Posso ir ao site da Junta da Benedita e não vejo nada, não consigo sequer saber onde fica um monumento, o que é que se faz em prol da cultura daquela freguesia. Gostava de ver lá muitas mais exposições, ver os artistas do concelho a cantar e a dançar. Mas ver os nossos, porque o que pretendemos é mesmo vender Alcobaça com os alcobacenses. Prefiro dar dinheiro a três ou quatro grupos do concelho e divulgá-los do que ir buscar um grande nome que depois traz muita gente, mas só vêm pelo espetáculo e não deixam cá um tostão.

RC > Qual é a solução para o problema dos centros escolares?
LD > Sou sincera, sou contra os centros escolares. Gosto muito das escolas tradicionais e gosto que todos se conheçam. Não gosto de ver mistura de idades, não parece que isso seja benéfico. Temos de saber quanto é que se deve e pagar a dívida. Começa já por aqui. Este executivo colocou as contas em ordem, tanto quanto sei as coisas estão em ordem, mas há que pagar a dívida. Isto depende do governo central, mas se for eleita farei pressão para que em algumas zonas sejam feitos centros escolares mais pequenos. Dou o exemplo de Aljubarrota, que é um mini-centro escolar e funciona muito bem: toda a gente se conhece e toda a gente ajuda. 

RC > Existe um plano estratégico para o concelho. O PDR vai seguir esse plano?
LD > É uma matéria que temos ainda de avaliar, como digo, não estamos lá dentro, não temos conhecimento de tudo e precisamos de perceber o que é que está feito e o que está contratado. Porque não vimos para cá para rasgar contratos. Vimos para cá para ouvir as pessoas e vamos tentar mudar as coisas, mas só estudando a matéria lá dentro.

RC > Qual é a estratégia para a gestão de fundos comunitários?
LD > Propomos reunir com os presidentes de Junta e tentar perceber o que podemos fazer em cada zona. Alcobaça tem o que tem, agora não me parece que seja necessário fazer grandes infraestruturas, que até nem são tão necessárias, mas vão ser os presidentes de Junta e as coletividades a falar connosco sobre isso. Mais do que ninguém, são eles que conhecem as necessidades da população e tudo aquilo que se pode fazer. Há uma obra que temos de fazer e que já foi prometida, depois recuaram e agora parece que vai para a frente outra vez, que tem que ver com o nó do IC9 em Aljubarrota. Vamos ver como é que podemos englobar algumas coisas nesse âmbito.

RC > Há quatro anos houve uma mulher a concorrer à Câmara de Alcobaça e desta vez há duas. Isto é um sinal de uma maior participação das mulheres na política local? 
LD > A participação das mulheres na política não existe. Penso que temos alguma sensibilidade que os homens não têm. E estão a tentar usar essa sensibilidade para mudar mentalidades. Não sei como é o caso da outra candidata, mas no nosso caso, é mais fácil eu chegar às escolas, porque queremos começar a mudar as mentalidades pelos mais jovens, e se calhar é a sensibilidade das mulheres e a aproximação que conseguimos ter que ajuda que se vá buscar mais mulheres para a política. No nosso caso só escolhemos os candidatos no último dia, sempre escolhemos primeiro o que queríamos, como é que queríamos e só depois formámos as listas. 

RC > É conhecida por dar pazadas nos outros candidatos. Nesta campanha eleitoral teme levar pazadas dos outros candidatos?
LD > Quem vai à guerra dá e leva. Estou pronta para isso tudo, não tenho problema nenhum. Mas também não vou parar, está no meu ADN.