Manuscritos do Mosteiro motivam novas investigações

Está em curso, no Mosteiro de Alcobaça, o III Ciclo de Conferências “Manuscritos de Alcobaça 2019 - Música e Liturgia”, que tem como objetivo aproximar o público a um dos patrimónios mais emblemáticos da herança dos monges de Alcobaça: os manuscritos. 

A iniciativa, promovida pela Direção-Geral do Património Cultural/Mosteiro de Alcobaça, em parceria com o Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Socias e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, contou, na sessão de abertura, com a palestra do maior especialista sobre Manuscritos de Alcobaça, Aires Nascimento, e com a presença de Catarina Barreira, em representação do Instituto de Estudos Medievais (IEM) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, que coordena o projeto. 

De acordo com a diretora do Mosteiro, o intuito deste terceiro ciclo de conferências é, à semelhança dos anteriores, a aproximação do público ao património tão vasto e complexo que caracteriza a comunidade monástica cisterciense de Alcobaça. “Estas conferências demonstram ser sempre muito fortuitas, criando discussões muito importantes para a comunidade e para o conhecimento cientifico”, sublinha Ana Pagará, que enalteceu ainda a aposta nos oradores convidados, caraterizando-os como “uma das mais valias do evento” e sublinhando a pertinência da participação de Aires Nascimento. “O professor é uma presença constante e inquestionável quando falamos da produção do livro manuscrito no scriptorium de Alcobaça, e as suas intervenções ajudam a pensar e repensar as linhas de trabalho do Mosteiro”, acrescentou. 

O evento decorreu no âmbito do objetivo estratégico de posicionamento do Mosteiro de Alcobaça como Centro de Estudos e da Divulgação da História e do Património espiritual e temporal da Ordem de Cister.

O ciclo termina a 28 de setembro e nas sessões serão divulgadas as mais recentes investigações sobre os códices da livraria do Mosteiro de Alcobaça e de outros mosteiros cistercienses nacionais e estrangeiros, através de uma dimensão comparativa e contextualizada entre o local e o global, sendo fundamental a participação de especialistas estrangeiros, não só para a internacionalização desta iniciativa como também para o melhor entendimento da identidade dos monges de Alcobaça e da identidade cisterciense em geral.

A iniciativa integra-se também no projeto de investigação do IEM aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, de que o Mosteiro de Alcobaça é entidade parceira, denominado “Horizontes Cistercienses. Estudar e caracterizar um scriptorium medieval e a sua produção. Alcobaça. Identidades locais e uniformidade litúrgica em diálogo”, procurando-se divulgar “uma investigação que sai da academia sem perder o seu rigor científico”, junto dos mais variados públicos, e promover um património público, que se encontra menos acessível exclusivamente devido à sua fragilidade e necessidade de conservação.