Paulo Inácio (PSD/Alcobaça) em entrevista

O presidente da Câmara de Alcobaça é recandidato ao cargo nas listas do PSD pela última vez, em virtude da lei de limitação de mandatos e tem como propósito recuperar a maioria absoluta e concluir um conjunto de projetos e obras que considera estratégicas para o futuro do concelho. É advogado, tem 50 anos, e vive com a mulher e a filha no Casal Jorge Dias, freguesia da Cela.

Autárquicas'17: Entrevista ao candidato do PSD... por regiaodecister

REGIÃO DE CISTER (RC) > Quais são as razões que o levam a tentar um terceiro mandato? 
Paulo Onácio (PI) > A principal razão prende-se com o facto de ter a consciência tranquila, de saber que foi desenvolvido um trabalho de recuperação financeira do município no primeiro e no segundo mandatos e, ao mesmo tempo, tendo estabelecido metas importantíssimas para o desenvolvimento do concelho. Podemos orgulhar-nos de termos negociado fundos comunitários substanciais, que são essenciais para o futuro do concelho e, por isso, estou determinado em concretizar no terreno essa boa negociação que fizemos. Estamos a falar de financiamentos que vão ajudar a completar a Carta Educativa do concelho e que vão transformar a cidade de Alcobaça, também ao nível dos cuidados de saúde primários. Somos o concelho do Oeste com melhores fundos comunitários, e já com perspetiva de novos fundos no futuro, pelo que entendo que estão reunidas as condições para querer manter-me em funções mais quatro anos e acabar o ciclo. 

RC > Quais são as principais diferenças que vislumbra no concelho relativamente a 2009, quando assumiu a presidência?
PI > Quando entrei em funções o País estava sob resgate e todas as instituições públicas estavam sob fortes restrições orçamentais. Em 2010, tivemos a perceção que era necessário recuperar financeiramente o município para ajudar a economia local e, depois, investir no concelho, baixando, por fim, os impostos. Recordo que quando cheguei à Câmara tínhamos as taxas máximas, nomeadamente do IMI, hoje está em 3,75. A estratégia passou por equilibrar as contas para, numa fase posterior, executar investimentos no âmbito da agenda 2020 e conseguir baixar os impostos. 

RC > Pensa que pode ser prejudicado do ponto de vista eleitoral pela forma como privilegiou o equilíbrio das contas, mas não tendo muita obra visível?
PI > Creio que essa penalização terá surgido em função do primeiro mandato. Neste segundo mandato já é mais visível a recuperação rodoviária que fizemos no concelho, os investimentos no Parque Verde e no Parque de Campismo de Alcobaça, é visível que há um investimento de monta na Unidade de Saúde Familiar na Benedita, que estamos a fazer o Centro Escolar de Turquel e que vamos fazer os de Alfeizerão, Cela e Pataias, portanto já há muito trabalho em execução e que os fundos comunitários estão a ser bem aplicados. É por isso que digo há certeza no futuro. Há certeza no futuro porque houve recuperação financeira do Município e as pessoas percebem o trabalho que foi feito. Fizemos muita obra neste mandato, mas um presidente de Câmara não pode ser apenas avaliado pela obra que faz. Executámos políticas culturais e sociais como nunca existiram neste concelho, uma política verdadeiramente social-democrata. Dou um exemplo: vamos apostar em incentivos ao arrendamento em vez de fazermos mais habitação social e acredito que vamos ser copiados por outros municípios, porque queremos acabar com esse estigma da habitação social. Outra virtude deste modelo é ajudar a reabilitar o mercado do arrendamento. 

RC > E essa obra é ‘visível’?
PI > Temos muita obra para apresentar e em muitas dimensões. Há trinta anos que se fala de uma solução para o Mosteiro de Alcobaça, mas agora há um projeto em execução, o hotel. E tenho de me orgulhar do trabalho que foi feito por mim e pela minha equipa. São, por isso, várias as razões para estar com muita vontade de fazer o meu último mandato em prol do meu concelho.

RC > Está confiante numa maioria absoluta?
PI > Estou, sem nenhuma arrogância e com respeito democrático. Tendo feito um primeiro mandato de recuperação que tinha de se fazer, sabia que isso ia ter um custo em termos políticos. Estava consciente disso. Mas sempre defendi que o trabalho deve ser feito de forma estrutural, porque só assim podemos ter futuro. Aceitei com normalidade a minoria que obtivemos em 2013, a mesma normalidade com que espero que o povo de Alcobaça nos devolva a maioria. Aceitarei os resultados com a mesma humildade. Quero uma maioria porque considero essencial para concretizar o programa eleitoral que vou apresentar, pois entendo que é decisivo para o futuro do concelho. Em virtude de não termos uma maioria, este foi um mandato muito difícil e repleto de momentos em que o futuro do concelho podia estar em causa. É por isso que vou lutar por uma nova maioria.

RC > O PSD perdeu quase 4 mil votos nas últimas autárquicas em Alcobaça? O partido tem capacidade para recuperar a votação?
PI > Essa redução de votos teve uma relação direta com aquilo que se vivia no contexto nacional. Recordo que o PSD perdeu, em 2013, a associação de municípios, inúmeras Câmaras importantes e também a Anafre. O povo sentiu-se magoado com a forma como a intervenção da troika decorreu. Além disso, tivemos muitos votos brancos e nulos, como nunca houve no concelho. Desta vez as condições são outras. Estou a pedir o voto no PSD, mas sem qualquer partidarite aguda. Ao ponto de termos decidido que apoiaríamos três presidentes de Junta em exercício, eleitos em movimentos de independentes, porque estão a fazer trabalhos muito positivos em Aljubarrota [José Lourenço], Coz, Alpedriz e Montes [Álvaro Santo] e Bárrio [Filipa Gomes]. Temos orgulho em ser do PSD, mas em primeiro lugar estão as populações. E, por isso, queremos receber os contributos de toda a gente, da esquerda à direita.

RC > É acusado de falta de estratégia para o turimo? Como responde a esta crítica? O hotel no Mosteiro e o Parque Verde são as soluções para atrair e, sobretudo, fixar turistas?
PI > Temos de dar cada vez mais qualidade de vida aos nossos habitantes, para que os visitantes queiram ficar cá mais tempo. E há projetos fundamentais nessa estratégia. A ligação à Nazaré é decisiva para os dois concelhos e está em andamento. O hotel de luxo no Mosteiro é uma resposta não apenas para Alcobaça, mas para toda a região, pois sabemos que a unidade hoteleira de cinco estrelas mais próxima está em Óbidos e depois só em Coimbra. Depois, temos mar e serra, ambiente e produtos autóctenes e isso permite-nos ter uma diferenciação notória relativamente a outros territórios.

RC > Tem tido muito questionado, sobretudo nas redes sociais...
PI > As redes sociais têm sido utilizadas para fins pouco próprios. Têm servido para a desinformação, com teor difamatório. Mas não vou dar muita relevância àquilo que não tem a relevância que alguns julgam. Vou para estas eleições de cabeça erguida, com a consciência tranquila de estar a fazer o melhor pelo meu concelho. Sei que é impossível agradar a toda a gente. Mas continuarei o meu caminho.

RC > Como responde às críticas que atestam a existência de uma coligação PSD-CDU no executivo municipal?
PI > Isso é um absurdo completo. O único facto que houve para alguns detratores defenderem essa teoria foi a posição irresponsável dos outros partidos [PS e CDS-PP] de não terem aprovado o orçamento municipal [para 2015], pois isso teria colocado em causa os fundos comunitários que, agora, temos orgulho em ter obtido. Ao abster-se, a CDU portou-se com sentido de Estado. Porque se não o tivesse feito, hoje Alcobaça podia não estar em condições de ter os fundos comunitários que tem, nem estar a executar obra e nem sei se teria o mesmo presidente de Câmara... É por isso que é importantíssimo termos uma maioria, porque muitas vezes há quem coloque os partidos à frente dos interesses do concelho. Temos muitas divergências com o PCP, mas naquele momento foi o partido que mostrou sentido de Estado. Noutras ocasiões, foram os outros partidos.

RC > Qual é o principal adversário do PSD nas próximas eleições?
PI > Não temos um principal adversário. Estamos nas eleições pela positiva e queremos atrair pessoas de todos os espectros da vida política. O presidente de Câmara é o presidente de Câmara de todos os alcobacenses e não apenas daqueles que votaram PSD. O nosso principal adversário será, eventualmente, a abstenção. Diz-se por aí que a nossa vitória já está garantida, mas isso só acontecerá se as pessoas forem votar. Só assim teremos a vitória e uma maioria absoluta. Por isso, com toda a modéstia, o nosso principal adversário pode ser a abstenção.