Taberna Petiscos da Serra é ponto de encontro há 48 anos

Durante muitos anos a taberna Petiscos da Serra, na Serra da Pescaria, foi o ponto de encontro dos pescadores que paravam para o “mata-bicho” quando chegavam do mar.

Além disso, foi também o primeiro lugar onde a população da Serra da Pescaria teve acesso ao telefone público ou à compra de selos postais. Apesar de já não viver as enchentes de outrora, o espaço do casal Adelaide e Silvino Fernandes, que já vai com 48 anos de atividade, vai continuando a servir os clientes.

“Já não consigo acordar e não vir abrir a porta do café antes de ir tomar o pequeno-almoço”, conta Adelaide Fernandes, de 79 anos, que mora ao lado da taberna, lamentando que a clientela já não frequente a taberna, situada na Rua José Lopes Riquezo, com a mesma regularidade.

“Os mais antigos ainda aqui vêm, mas a verdade é que já são poucos”, conta a proprietária do lugar que mantém a imagem típica de uma taberna. Um espaço relativamente pequeno e em que nas três mesas grandes existe apenas um banco de cada lado. Mas há sempre espaço para mais um, nem que seja mais “apertadinhos”.

Silvino Fernandes, de 83 anos, recorda os tempos em que a taberna chegava a receber 30 pessoas e em que vendiam garrafões de vinho. A taberna era muito requisitada e não só recebia pessoas da Nazaré, “como servia a população de Alcobaça”, lembra a mulher, natural de Trancoso.

A beirã mudou-se para a região por influência do senhor Silvino, da Serra da Pescaria, e foi na localidade que se estabeleceram e criaram as duas filhas. Porém, são até os netos, de 21 e 15 anos, que mais jeito têm para o negócio da família. “Os meus meninos ajudaram-nos muito a servir os clientes e gostam muito de saber como vão as coisas na taberna”, revela.

“O mais novo até já diz que quem sabe se não fica com a taberna”, graceja a avó babada e cozinheira de mão cheia. Apesar dos tempos menos agitados da casa, há clientes que continuam a encomendar mão de vaca, salada de polvo, fritada e... sopa da pedra, que é a especialidade, feita com produtos caseiros.

O casal dedica-se também à agricultura e muitos dos produtos e especiarias utilizadas nos petiscos e sopas são semeados em casa com a dose extra de “amor e carinho”, que ainda faz o casal de reformados continuar de portas abertas para os populares e até estrangeiros. 

“Não é pelo dinheiro que abrimos ao público todos os dias, mas sim pelo legado que a casa tem e porque nos faz sentir vivos”, explica a comerciante. “Os 10 ou 15 minutos de conversa com os clientes fazem a diferença diariamente”, completa o proprietário.

Certo é que, passe o tempo que passar, o casal fundador da taberna Petiscos da Serra já se pode gabar de ter marcado a diferença numa localidade em que em tempos o pão apenas se vendia na taberna. A propósito, é possível trazer uma sopa da pedra para acompanhar?