Walter Chicharro (PS/Nazaré) em entrevista

Depois de quatro anos à frente da autarquia, Walter Chicharro volta a encabeçar a candidatura do PS à Câmara da Nazaré. O socialista, que recuperou a Câmara depois de 20 anos de governação PSD, está confiante na vitória e espera reforçar a maioria absoluta no órgão executivo e na Junta de Famalicão e garantir maiorias na Assembleia Municipal e nas Juntas da Nazaré e Valado dos Frades.

Autárquicas'17: Entrevista ao candidato do PS à... por regiaodecister

REGIÃO DE CISTER (RC) > Por que é que decidiu recandidatar-se? 

Walter chicharro (WC) > A avaliação que foi feita da minha parte e do grupo que lidero é que cerca de 85% das medidas e propostas apresentadas há quatro anos estão implementadas ou em vias de ser implementas. Portanto, naturalmente, a razão da candidatura tem que ver com a natural continuidade de um projeto político, com um conjunto de propostas que devem ser implementadas. É com toda a naturalidade que aparece a recandidatura, porque apesar do muito que foi feito, acreditamos que ainda podemos dar um grande contributo àquilo que são as necessidades da Nazaré.

RC > Desses 15% de medidas e propostas que faltou implementar, o que propõe fazer no próximo mandato se for eleito?
WC > Há que ter a noção de que os projetos são evolutivos e posso dizer que alguns projetos que provavelmente estariam pensados para mais tarde estão já hoje executados ou em vias de serem executados. Dou como exemplo a requalificação da Praça Bastião Fernandes [na Pederneira], que é um projeto que estava previsto ser executado apenas num segundo mandato mas que, face à libertação dos fundos comunitários, está em execução. Aquilo que o próximo projeto autárquico vai perspetivar é a continuidade do nosso projeto, com grande ênfase na redução da dívida e no saneamento das finanças da autarquia, que continua a ser primordial. Muito já foi feito face ao quadro de dificuldades encontradas, e com um plano de investimentos muito forte, muito direcionado para a dinamização da economia local de todo o concelho. Apesar deste plano bastante forte, tivemos de ter muito cuidado com finanças locais e tomar a dívida como a principal preocupação neste mandato, como aliás vai continuar a ser no próximo. O que vai também continuar é a natural aposta na requalificação do espaço urbano e na promoção internacional da Nazaré. Naturalmente que haverá depois a concretização de projetos emblemáticos que temos vindo a tratar, como é o caso do Centro de Saúde da Nazaré, do Centro Escolar de Famalicão e a conclusão da Área de Localização Empresarial de Valado dos Frades.

RC > No dia 1 de outubro, o objetivo é reforçar a maioria absoluta?
WC > Claro que o reforçar da maioria que já temos, nomeadamente na Câmara, trará um reconhecimento do trabalho realizado neste mandato. Acredito que sinceramente é isso que vai acontecer: o reforço da maioria na Câmara, mas também na Assembleia Municipal e nas três Juntas do concelho. Há uma crença total na obtenção de uma nova maioria absoluta na Câmara.

RC > O facto de a candidatura do PSD se ter aliado a grupos de independentes, o que pode levar a uma menor distribuição dos votos entre as candidaturas, pode dificultar a obtenção dessa maioria absoluta?
WC > Não, não subscrevo a ideia de que possa ser mais difícil. Basta olhar para o quadro das últimas eleições, em que havia oito candidaturas e provavelmente não se perspetivava uma maioria absoluta na Câmara. Mas ela aconteceu. Em 2009, a aliança entre o PS e o Grupo de Cidadãos Independentes do Concelho da Nazaré não deu a vitória ao PS. Se bem me recordo, julgo que até terá sido das maiores vitórias de Jorge Barroso e do PSD. Esta é a história, mas julgo que o mais importante é a avaliação dos cidadãos e aquilo que nos vai chegando é que não é por se adicionar movimentos independentes a uma única causa que daí deriva uma qualquer vitória.

RC > Falou na dívida, que foi uma das principais bandeiras do seu mandato. Se for reeleito, como pensa poder continuar a reduzir a dívida?
WC > Aplicando as mesmas medidas que temos vindo a aplicar até agora. Aliás, há que ter a noção de que desde o início apresentámos um conjunto de medidas para a redução da dívida e elas foram aplicadas. No fundo, é um conjunto de medidas que vamos continuar a executar, sendo que algo que também deriva deste mandato, nomeadamente a possibilidade de fecho de financiamento comunitário como modo também de reinvestir as contrapartidas em novos projetos e, além disso, pagando dívida gerada, em particular, em mandatos anteriores. Vamos pagar a dívida através da redução e controlo da despesa, em 99% dos casos pedimos três orçamentos para todas as adjudicações e inclusivamente lançamos concursos públicos para adjudicação de combustíveis, telecomunicações, entre outras medidas. O que se pretende é esmagar ao máximo os custos e garantir a solvabilidade suficiente para que a Câmara possa cumprir com os seus compromissos. Não posso deixar de dizer que, e salientando este momento em que temos grandes eventos internacionais, essa atividade traz maior receita para a economia local e certamente, direta ou indiretamente, a Câmara terá, também, benefícios. Tudo junto permitirá abater dívida e aumentar o investimento, que é o que temos vindo a fazer.

RC > O Apoio Transitório de Urgência (ATU) ou o Programa de Apoio às Economias Locais (PAEL) permitiram baixar a dívida, mas estão agora fora do baralho. Como será possível, a partir de agora, pagar dívida? Com um aumento da receita?

WC > Não penso aumentar as receitas da Câmara de uma forma tão simplista. É importante que se perceba que o ATU é algo que apenas o PS votou favoravelmente e o PS teve a visão de que apenas e só seria útil se houvesse a possibilidade de pagar os projetos comunitários que a autarquia tinha pendentes. No âmbito da Lei do Fundo de Apoio Municipal (FAM), o então secretário de Estado das Autarquias Locais, curiosamente de um governo PSD/CDS, António Leitão Amaro, percebeu que o cenário que estava enquadrado no ATU não chegava para a Nazaré. Não chegava ter verbas suficientes para pagamento de salários, para a dívida e para a execução dos serviços essenciais. E ele percebeu que, em particular, havia três de quatro projetos comunitários que necessitavam ser fechados financeiramente no âmbito do QREN. Se o Governo não permitisse essa exceção à Nazaré, que foi estendida, creio, a Aveiro e Portimão, não teria sido possível fechar os projetos comunitários e, com isso, receber a comparticipação da União Europeia. Assim se evitou termos de pagar algumas obras a 100%... E, por isso, reputo e trato Leitão Amaro como amigo, porque foi isso que ele foi: não só amigo do presidente da Câmara ou do município, mas dos munícipes do concelho da Nazaré. Muito se tem falado da dívida mas há que ter a noção de que há uma realidade de redução de dívida feita pelo PS, e que o grosso da dívida é anterior a este mandato. Não nos podemos esquecer disso. É com o recurso a financiamentos europeus que temos de resolver a questão da dívida como fator determinante para manter aquilo que hoje é uma realidade para o município da Nazaré, que é o bom nome de bom pagador. E continuar a investir, claro.

RC > Como é que considera que o eleitorado vai perceber a necessidade de um empréstimo de 33 milhões de euros?
WC > Julgo que o eleitorado já percebeu uma coisa: alguns arautos da desgraça nas redes sociais falavam em aumento de dívida, mas já se esclareceu que não há acréscimo de dívida. O que vamos fazer é resolver o problema da dívida herdada devido à extrema pressão que a banca tem feito por via dos contratos de factoring assinados pela anterior gestão do PSD. E o eleitorado vai perceber que o que está em causa são 1,2 milhões de euros que a autarquia tem de pagar todos os anos do serviço da dívida atual, seja em juros comerciais, juros de dívida a fornecedores e juros à banca. Os contratos de factoring que herdámos tinham taxas de juros à volta de 6,5 a 7,25%. Foram renegociados. Duas das três entidades bancárias reduziram largamente a taxa para valores na ordem dos 2,5%, com a exceção de uma das entidades, que não interessa agora qual, que manteve valores na ordem dos 5,5 a 6%. Além das receitas que o município vai gerando da sua atividade, é muito clara a escolha: continuar com 2,5 ou 5,5% no que diz respeito à banca ou incluirmos no empréstimo do FAM uma taxa de 1,75%, em que os juros da dívida baixam para metade em relação àquilo que hoje em dia é pago pela autarquia. É o mesmo que qualquer um de nós renegociar um contrato de crédito à habitação, alargando prazos e reduzindo largamente os juros. Julgo que qualquer comum dos mortais faria esta escolha.