Mais e melhores REGIÕES

Desenvolvimento regional e imigração

Hoje temos cerca de 480 mil imigrantes em Portugal, sendo na realidade o valor mais alto monitorizado desde 1976. Podemos dizer que este fato poderá ser ao mesmo tempo uma excelente notícia para o nosso País e para as nossas diferentes regiões, tendo em conta que seja potencialmente e tendencialmente uma imigração qualificada, que contribua para o aumento tão necessário das taxas de natalidade e que poderá também ser um fator para contribuir para uma sociedade mais rica, tolerante e multicultural. Esta dimensão deverá ser aproveitada pelos municípios ou pelos agrupamentos de municípios como uma oportunidade para potenciarmos as necessidades existentes ao nível da criatividade, do empreendorismo e da produtividade.

Para alguns, os imigrantes não são bem vindos, já o sabemos, mas para uma grande maioria da população nacional estes podem ser mesmo imprescindíveis se tivermos uma estratégia nacional ou regional para os acolher, integrando e influenciando-os para junto da cultura portuguesa, sendo ela já por si um complexo “melting pot” de civilizações, aprendizagens e viagens, tornando se cada vez mais apetecível, enquadrável e interessante para estes novos imigrantes se poderem adaptarem.

Como exemplos de uma emigração bem-sucedida temos entre muitos outros exemplos, recentemente Garrett McNamara ou Calouste Gulbenkian. Tendo chegado ao longo das diferentes épocas da nossa história, muitos destes cidadãos estrangeiros estabeleceram-se em Portugal e pelas nossas belas cidades, acabando por contribuir para uma sociedade mais inclusiva, talentosa e astuta, que temos provado ser.

Nestes últimos anos têm chegado cada vez mais emigrantes qualificados à procura de um país seguro e com uma excelente qualidade de vida, dizem também.

Assim, os municípios deverão ter a postos, em confluência com o setor empresarial público e privado, um plano estratégico local de acolhimento destas populações que não deverá ser organizado em guetos residenciais e sociais, como se fez e ainda faz, com algumas etnias minoritárias.

É, assim, necessário ao nível regional fazer-se uma gestão especializada do conhecimento sobre esta populações recentemente chegadas ou ainda em processo de chegada e prepararmos estes fluxos com todas as entidades, sejam elas potencialmente empregadoras, formadoras ou socialmente inclusivas, para que seja possível tirar partido positivo de franjas socialmente sensíveis da sociedade que trazem consigo diplomas académicos e formações especializadas devidamente diferenciadas e de valor agregador, podendo de imediato à sua chegada iniciarem os seus processos de inclusão, participação e aculturação, sempre necessários nestes complexo contexto de fluxos migratórios.

A Europa das regiões para um pais como Portugal dá-nos esse papel principal, sendo agora a nossa vez de ser mais e melhores cidadãos, regiões e nação. Neste contexto, podemos pré-definir que tipo de emigrantes são necessárias nas nossas cidades e regiões e proceder antecipadamente conforme prioridades regionais junto das entidades governamentais e regionais que lideram e coordenam esses processos de integração. Os municípios deverão saber indicar com base no seu contexto e realidade particular, se necessitam de profissionais de topo ou intermédios para as áreas da tecnologia ou outra, saber se são necessários investigadores, identificar orçamentos para bolsas de investigação para áreas científicas ou sociais, identificar em conjunto com as entidades do setor educativo regional o número de estudantes de doutoramento ou pós doutoramento que permitem uma fixação durante prazos de 3 a 6 anos, como também deverão saber identificar ao nível do investimento e dos investidores e o seu enquadramento no âmbito dos vistos “gold” ou dos refugiados fiscais, dos acordos de dupla tributação ou de residente não habituais, por exemplo.

Nesta segmentação não deveremos esquecer de identificar as populações de seniores ativos e reformados que poderão ser um público alvo para os setores das artes, da cultura, da saúde e do bem-estar.