Portugal aqui vou eu

“Feios, porcos e maus”

Dizer que Portugal é um país racista é tão redutor como dizer que Portugal é um país muito lindo, que as mulheres portuguesas são muito bonitas, que se come bem no Alentejo, que no Norte as pessoas são mais simpáticas, que no Porto se trabalha muito ou que em Lisboa a malta é mais educada. São generalizações ingénuas e potencialmente injustas, a que todos recorremos ocasionalmente. Por isso, parece-me absurdo dizer que Portugal é um país racista, da mesma forma que também é ridículo dizer que Portugal não é racista.

Portugal é um país com racistas. Como todos os países. A discriminação está sempre baseada na diferença, no medo, no ódio e na ideia de supremacia, seja pela cor da pele, pelo credo, género, orientação sexual ou até por questões mais esquecidas como sejam a obesidade, a mobilidade reduzida, problemas cognitivos ou a velhice. Alguém acha que uma gorda tem as mesmas possibilidades no Instagram ou de ser a miúda mais popular da sua escola? Ou que não é mais difícil arranjar emprego para um portador de deficiência? Ou ainda que os velhos não são escondidos por uma sociedade obcecada pela juventude?

Porém, o maior fator de discriminação será sempre o dinheiro, ou a falta dele. A luta pela inclusão e por sociedades mais justas deve ser uma prioridade coletiva, mas essa luta faz-se através de uma educação universal, do acesso à cultura, do direito à habitação, aos cuidados de saúde e a um salário digno. Cidadãos mais educados, cultos e viajados têm menos medo da diferença, têm maior tolerância com o desconhecido.

Gritar aos sete ventos que Portugal é racista, ou que deixa de o ser, para além de ineficaz, é fazer o certame da divisão, da clivagem.