Portugal aqui vou eu

O mundo é um lugar gigante

Pandemia. Vírus. Confinamento. Medo. Contágio. Distanciamento. Morte. Entraram de rompante no nosso dia a dia e, de um momento para o outro, passaram a ser as palavras mais repetidas do nosso vocabulário. Certamente venceram o óscar nos motores de busca como os mais populares de 2020.

As palavras importam. Dependemos delas para comunicar, para transmitir os nossos sentimentos, para nos expressarmos. Mas as palavras não são fáceis de usar.  As palavras não são fáceis de escolher - bem pelo contrário. Como tantas vezes percebemos, as palavras podem ser armas. As palavras ferem. As palavras magoam. Presos nessa tempestade de emoções que é a nossa vida diária, nem sempre temos tempo para pensar nas coisas que dizemos, como as dizemos, e qual será a consequência desse discurso - por melhor ou pior que seja. Talvez possamos tirar um momento e pensar em como todas essas novas palavras que agora usamos de ânimo leve podem afetar o mundo - e as outras pessoas; dar um passo atrás e ver se seria possível dar novos significados a “medo”, “contágio”, “vírus”, “quarentena”, “doença”.

Será que precisamos de as repetir até à exaustão? Será que temos mesmo de insistir no lado menos bom e ignorar o lado melhor? Será que existe uma alternativa, um escape, um caminho, que possamos seguir, em vez de nos focarmos no que nos deixa cada vez mais afastados, assustados, aterrorizados?

Muitas vezes antecipamos o “não” quando esperamos o “sim”. Muitas vezes pomos palavras onde estão silêncios, colocamos pontos de exclamação onde deveriam estar reticências, encontramos o fim da linha onde estava apenas uma paragem, causamos distúrbios para afagar o barulho que nos assusta - e o barulho era, afinal, apenas fogo de artifício. 

O mundo é um lugar gigante, habitado por seres humanos, todos com experiências de vida diferentes. O sítio onde todos nos encontramos para fazer desse mundo um lugar melhor é a empatia. Que seja essa, e nenhuma outra, a palavra mais importante de 2021.