Arco da Memória

A origem dos nomes das freguesias: Maiorga

A povoação da Maiorga fazia parte da antiga Lagoa da Pederneira, que se reflete ainda na paisagem atual através dos seus férteis campos agrícolas. Ao que se sabe é de origem romana, tendo sido uma das vilas mais importantes dos coutos de Alcobaça, provavelmente a maior que marginava a antiga Lagoa da Pederneira. Daí o nome, primeiro Maiorca (em latim, a maior) e mais tarde Maiorga.

Consta que em 1200 os navios de alto do mar, vindos de Lisboa, demandavam o porto de Fervença nas proximidades de Maiorga, para aí descarregar as mercadorias destinadas ao consumo dos monges cistercienses e, no regresso, carregavam as madeiras resultantes do desbaste da chamada Mata da Maiorga.

Recebeu a 1.ª carta de povoação em 5 de maio de 1341 e com ela alguns casais com o objetivo de constituir uma vila, tendo obtido o primeiro foral em 1352, que lhe foi dado por D. Frei Pedro Nunes, abade de Alcobaça. Em 23 de agosto de 1514 D. Manuel I deu-lhe novo foral, data em que foi construído o Pelourinho da Maiorga de influência gótica, que ainda hoje se encontra no largo principal ao qual dá o nome. Em 1542 foi construída a Igreja Paroquial de S. Lourenço pelo Abade Comendatário e Cardeal D. Afonso, mas sagrada em 1544 pelo seu irmão e Abade Comendatário Infante D. Henrique.

A Maiorga foi coutada célebre e o maior celeiro dos Frades, estando subjugada ao poder do Mosteiro, mas as relações nem sempre foram pacíficas, pois frequentemente os habitantes se recusavam a pagar a dízima e os foros. Em 1757 a vila da Maiorga já tinha 163 fogos, dois anos após o terramoto de 1755. Em 1836 era vila-sede de concelho na comarca de Alcobaça, distrito de Leiria. Em 1842 regista 158 fogos.

Os moradores fizeram progredir economicamente a vila da Maiorga que, no seu período áureo teve a sua administração pública confiada à Casa da Câmara, a dois Juízes Ordinários, dois Vereadores, um Procurador do concelho e dois Escrivães. Ainda hoje existem vestígios destas estruturas administrativas, nomeadamente o Pelourinho e a antiga prisão. Nos finais do séc. XVIII e uma vez que já se tinha dado o recuo das águas da Lagoa da Pederneira se fez o enxugo dos campos que ficaram muito férteis o que veio trazer grande riqueza à população desenvolvendo em muito a agricultura. A vila da Maiorga e as suas freguesias, após as vicissitudes sofridas com a exploração dos Abades Comendatários (1475/1641), voltaram a crescer nos séculos XVII/XIX, até à extinção das Ordens Religiosas e a supressão do Município e do Concelho da Maiorga (1837 a 1842) devido à reorganização administrativa do território.

Cerca de 1537, aproveitando a passagem do rio na Fervença, desenvolveu-se uma fábrica de papel, onde mais tarde os Frades vieram a construir um lagar de azeite e no século XVIII até as evasões francesas existiu uma fábrica de tecidos que se celebrizou pelos “lenços de Alcobaça”. Esta fábrica criada na proximidade do rio e aproveitando a sua força motriz foi possivelmente o impulso para em 3 de fevereiro de 1875 ser criada a Companhia Fiação e Tecidos de Alcobaça, Lda., empresa esta que teve uma importância extrema para o desenvolvimento da Maiorga, Alcobaça e outras freguesias limítrofes. Esta fábrica, inaugurada a 2 de fevereiro de 1878, laborou durante 120 anos tendo passado ao longo deste tempo por períodos áureos mas também por alguns períodos de instabilidade, até que em 1998 encerrou definitivamente as suas portas.

Estamos no séc. XXI e os jovens maiorguenses não deixarão de promover a terra do seu berço na recuperação do seu prestigioso lugar, honrando as suas origens latinas – Maiorca a Maior.