Arco da Memória

(Re)descobrir e recordar igrejas e capelas da região de Cister

Iniciamos mais um tema, em que vamos incluir igrejas e capelas dos concelhos de Alcobaça, Nazaré e Porto de Mós.

Começamos por Alcobaça e pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição. A capela de Nossa Senhora da Conceição que chegou aos nossos dias data de 1648. Mas a construção primitiva remonta a 1152, tendo constituído, à época, o local de recolhimento dos primeiros monges de Alcobaça, enquanto decorriam as primitivas edificações do Mosteiro entre 1153-54 e 1223-25. Era então conhecida pela Igreja de Santa Maria a Velha. Foi reedificada em 1648. Todo o espaço circundante se situava no interior da 1.ª cerca do Mosteiro. Deixou de ser igreja paroquial e, em meados do século XVIII, o Colégio da Conceição, que ali funcionava, foi transferido para instalações próprias no mosteiro.

Classificada como Imóvel de Interesse Público, caracteriza-se pela austeridade das linhas arquitetónicas e decorativas, tanto no exterior como no interior, sendo composta por dois volumes, correspondentes à nave e à capela-mor. Esta última destaca-se pelo seu retábulo de talha dourada seiscentista, com quatro pinturas de evocação mariana. A capela assume um marcado valor simbólico, por ter sido o refúgio dos monges fundadores.

A Igreja da Misericórdia está situada na Rua Miguel Bombarda, em Alcobaça. Em meados do século XVI, por altura do ano de 1520, teve início a construção desta igreja, na presença do rei D. Manuel I (1469-1521) e da rainha D. Leonor da Áustria, sua terceira mulher (1498-1558), então de visita a Alcobaça. Nada resta, porém, do primitivo templo, derrubado que foi por um terramoto em 1563, o que obrigou a reerguê-lo quase inteiramente. Mais tarde, dois incêndios, em 1632 e 1659, foram seguidos de outras tantas campanhas de reconstrução, que acabaram por lhe conferir o aspeto clássico que ainda hoje ostenta, sem qualquer resto de traça manuelina. A austeridade do exterior da Igreja da Misericórdia de Alcobaça é largamente compensada pela riqueza do seu interior onde podem ser encontrados vários elementos decorativos, destacando-se a esse nível as pinturas e os revestimentos de azulejos que cobrem algumas paredes. No entanto o edifício caracteriza-se sobretudo pela simplicidade das suas linhas, com vãos regularmente sobrepostos, laterais e axiais, possivelmente fruto de remodelações onde as mais notórias estão nos retábulos revivalistas e no janelão e empena do frontispício e abóbada do interior.

A capela-mor é inteiramente forrada de azulejos azuis e brancos, colocados em dois níveis. O atual altar de Nossa Senhora da Soledade era outrora de invocação de Nossa Senhora da Piedade. A imagem que nele se venera data do séc. XVIII.Este altar goza do privilégio perpétuo concedido pelo Papa Pio VII em 29 de julho de 1800. À esquerda, numa mísula, encontra-se uma imagem de São Francisco de Assis, em madeira estofada, aí colocada em 15 de maio de 1734 por virtude de uma provisão do rei D. João V autorizando a Confraternidade dos Terceiros de São Francisco a celebrar as sus funções naquele altar da Igreja da Misericórdia. Há ainda altares dedicados a “Nossa Senhora do Carmo” e ao “Senhor do Armário”. À entrada sob o coro vêem-se duas lápides de 1697 e 1714. Tratam-se de “Padrões de Missas”, destinadas a relembrar os encargos assumidos pela Santa Casa ao aceitar “legados pios”. Assim, em finais do séc. XVIII, a Misericórdia de Alcobaça mandava celebrar anualmente mais de 1500 missas pelas almas dos seus benfeitores. A igreja é património da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça.