Portugal aqui vou eu

Sim, o melhor é falar sobre suicídio

Perdi um amigo, um colega de trabalho. Sem darmos conta, o pior aconteceu. Devemos de parar e refletir o que está errado e o que podemos melhorar. Parece que “é tão bom rapazinho”, “parece que está tudo bem” e “ganha bem” já não é suficiente.

Estar cansado, triste e desiludido não é sinónimo de fraqueza. Hoje sabemos que quem procura ajuda é porque tem a força de reconhecer que a tristeza faz parte da vida, porque as lágrimas não têm fim quando se chora sozinho.

O desejo de se matar precisa deixar de ser tabu para ser sintoma de sofrimento psíquico. É preciso ter disponibilidade para mostrar que nos preocupamos de verdade. É fundamental ouvir com atenção e respeito, sem julgar ou censurar. É preciso respeitar a dor do outro. Muitas vezes, podemos achar a motivação banal, mas cada um sente e se angustia com as coisas de forma particular.

Se até agora não falar de depressão e suicídio não impediu que os números aumentassem, bora adotar uma estratégia diferente, bora esclarecer, informar e falar sobre essa doença, essa realidade para que “quem a vive, não se sinta só e incompreendido e não tenha vergonha de pedir ajuda”.

Enquanto não reconhecermos que os momentos de tristeza são parte da vida, vamos sempre aumentar o fosso de solidão de quem está a passar um momento mau.

Estas podem parecer umas palavras negativas e pessimistas, mas não são. É uma mensagem de esperança e de coragem a quem se reveja no que escrevo. Porque não sabemos nada dos outros, mas importa sabermos de nós mesmos.

Porque sem darmos conta, perdemos mais um amigo. Mais um bom coração que só queria… “ser feliz”.