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“É uma história de quase um século, que foi passando de geração em geração e que, hoje, temos o privilégio e a responsabilidade de continuar.” É assim que Francisco Serrenho descreve “O Capador”, um negócio de família que, juntamente com o irmão, José Serrenho, e com a ajuda da mãe, Alice Serrenho, tem a missão de preservar.
A taverna é hoje um dos locais mais emblemáticos da cidade de Alcobaça. Situada na Praça 25 de Abril, em frente ao Mosteiro, a sua história remonta aos “anos 20”, quando abriu portas pelas mãos dos primeiros proprietários, Gertrudes Teresa e António Rafael, bisavós de Francisco e José. À época, chamava-se “Casa Teresa”, em honra da proprietária. Mais tarde, na geração seguinte, passaria a ter o nome que carrega até hoje, já que Luís do Couto Serrenho, avô de Francisco e José, era capador de profissão.
Posteriormente, o negócio foi herdado por Vítor Manuel Couto Serrenho, pai dos atuais proprietários. Partiu antes de tempo e sem que ninguém esperasse, em abril de 2025, provocando um momento de profunda consternação para quem ali passava para beber um café ou para as matinés de cerveja que se prolongavam noite dentro.
Os filhos recordam-no com saudade. “O nosso pai deixou uma marca muito forte no Capador. Era uma pessoa muito dedicada ao negócio, mas sobretudo às pessoas”, justifica Francisco ao REGIÃO DE CISTER, acrescentando que o progenitor “conhecia muitos clientes pelo nome, sabia as suas rotinas e gostava de conversar e conviver com quem passava”.
E, apesar de olharem para o negócio como uma grande responsabilidade, admitem que foi uma decisão “muito natural”, dada a proximidade que sempre tiveram com o espaço. “Mais do que uma decisão puramente profissional, sentimos que era também uma forma de preservar o legado dele e aquilo que construiu”, garante.
Para manter a herança, os filhos decidiram preservar o espaço como era antes. As fotografias e os artigos espalhados pelas paredes, com retratos de personagens de Alcobaça, história local, tauromaquia, amigos e família, são para manter. No entanto, por perceberem a necessidade de modernizar o espaço e o serviço, poderão vir a fazê-lo no futuro.
A missão, de resto, permanece idêntica desde que assumiram a gerência do espaço, há mais de um ano. “Queremos que o Capador continue a ser um espaço onde as pessoas se sintam em casa e onde a história da nossa família possa continuar a ser construída, agora por uma nova geração”, salienta Francisco, admitindo que, para o pai, aquele café não era apenas um lugar onde se serviam bebidas ou refeições. Era, antes, “um espaço de encontro e de amizade”.
O que Vítor Serrenho, conhecido pelos amigos como “Vidrinhos”, não soube foi a marca que deixou na sociedade alcobacense e no negócio, agora nas mãos dos filhos – que o carregam com orgulho e sentido de missão –, que continua a ser ponto de encontro para a comunidade. Muito por culpa do legado que ali deixou.


