Escola da Maiorga pretende educar para a felicidade e sucesso

Não será exagero afirmar que a Escola Básica da Maiorga é um caso único na região e, talvez, até no País. Os alunos, que têm vindo a aumentar, pedem para ficar na sala de aula “só mais cinco minutos” após o toque de saída, os conflitos são resolvidos com “abraços de turma” e a professora termina o dia “tranquila e com um sorriso no rosto”. Para a pequena Matilde, o segredo está no facto de ali “se aprender a matéria, mas também a ser boa pessoa”. 

Professora há 32 anos e agora também coordenadora da escola básica da Maiorga, Teresa Gonçalves considera que a “escola velhinha, com quadros de ardósia e escadas de madeira” tem o que as escolas mais apetrechadas já não têm tanto: “carinho e união”. 

“Às vezes chegamos à escola mais tristes, porque aconteceu alguma coisa em casa ou com a nossa família e temos sempre tempo para desabafar”, conta a pequena Mariana, revelando já ter encontrado conforto ao conversar com os colegas. 

Com recurso a aulas de culinária, de expressão dramática ou até de yoga, os 22 alunos da turma do 4.º ano colocam em prática os ensinamentos lecionados nas diferentes áreas curriculares de uma forma “muito menos seca”. “A verdade é que ninguém é bom a tudo, mas o importante é praticar. Nesta escola é proibido dizer que não se é capaz”, afirma, com orgulho, Xavier. 

Contrariamente ao sucedido em outras escolas básicas da região, o número de alunos da escola da Maiorga, do Agrupamento de Escolas de Cister, tem vindo a aumentar. “Atualmente temos 76 alunos e este número tem vindo a crescer. Temos crianças provenientes da Nazaré, de Alcobaça e até de Leiria”, revela a docente. Para Teresa Gonçalves, “o empenho de toda a comunidade educativa é notória e os pais verificam que há um acompanhamento maior e mais cuidado com cada criança, o que é impossível em grandes centros escolares”.

A Escola Básica da Maiorga distingue-se também pelo fervoroso compromisso com o meio ambiente, sendo a instituição do concelho com mais selos Eco-Escolas, 14 no total. “Aprendemos a regra dos três R’s [reduzir, reutilizar e reciclar], recolhemos lixo com a ajuda dos pais e falamos sobre como as nossas atitudes podem salvar o Planeta”, refere Iuri, descrevendo os companheiros de sala como “eco-estudantes”.
Embora não seja uma escola que prima por estar na vanguarda da tecnologia, a instituição de ensino ambiciona marcar pela diferença com um ambiente familiar e empenho da comunidade envolvida.

“Certamente sairão daqui daqui médicos, veterinários, mecânicos e até cientistas, porque estas crianças são muito inteligentes, mas acima de tudo sairão cidadãos bem formados”, sublinha a coordenadora da escola. “E adultos muito felizes também, professora”, acrescenta, com um sorriso, a doce Maria Inês.