Sábado, Junho 6, 2026
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Emília Carreira coleciona espaços comerciais na Martingança desde 1977

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Nasceu na Batalha, mas tinha apenas 6 meses quando foi viver para Pataias, em 1947, porque o pai foi um dos primeiros funcionários da cimenteira Secil. Da então aldeia, Emília Carreira foi levada para Pataias-Gare e, quando tinha 9 meses, as voltas da vida levaram a família para a Póvoa. Seguiu-se o Casal da Areia, quando a pequena Emília contava com 8 anos. Mais de uma década depois, já com 19 anos, o casamento levou-a para a Martingança, de onde era natural o marido.

Nasceu na Batalha, mas tinha apenas 6 meses quando foi viver para Pataias, em 1947, porque o pai foi um dos primeiros funcionários da cimenteira Secil. Da então aldeia, Emília Carreira foi levada para Pataias-Gare e, quando tinha 9 meses, as voltas da vida levaram a família para a Póvoa. Seguiu-se o Casal da Areia, quando a pequena Emília contava com 8 anos. Mais de uma década depois, já com 19 anos, o casamento levou-a para a Martingança, de onde era natural o marido.

A aventura de Emília Carreira, hoje viúva, estava para começar. Tinha apenas 21 anos quando em 1968 emigrou para França. Ali trabalhou no ramo da hotelaria, o mesmo que abraçou quatro anos depois quando foi para a Suíça. Foi no país montanhoso da Europa Central que conseguiu amealhar para construir o café Suíço, na Martingança, em 1977. “Foi na Suíça que ganhei para ele”, recorda a empresária.

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Era o primeiro de vários negócios que ainda hoje explora. Depois do café, seguiu-se o restaurante com o mesmo nome e a residencial ali ao lado, ambos a funcionar desde 1980.

Duas décadas depois, ela e o marido abriram a mítica dancetaria Mini-Saia, que a pandemia da Covid-19 obrigou a encerrar em março último.

Um ano depois, Emília Carreira perdeu o filho e nesse mesmo ano o marido adoeceu com um problema cancerígeno. “Os anos têm sido todos difíceis, mas esse foi de longe o pior”, diz, com tristeza, a comerciante, que acabaria por perder também o marido em 2012. “Foram anos de muita luta, a levá-lo de médico em médico para o conseguirem salvar”, recorda.

A vida tem sido madrasta para Emília Carreira, mas a septuagenária nunca baixou os braços e entregou-se ao trabalho, assumindo os negócios sozinha, ainda que com o empurrão de várias pessoas amigas. “Sempre me ajudaram, essa foi a minha força maior”, reconhece. O destaque vai para Fernando Bajouco, que não se cansa de elogiar. “Alguma coisa o puxou para trabalhar para mim desde que o meu marido deixou de poder. Está disponível 24 horas por dia”, reconhece Emília Carreira, que há quatro anos ficou confinada a uma cadeira de rodas depois de um acidente com uma panela de sopa a ferver quando se preparava para servir os jantares no restaurante. É o ajudante Fernando que lhe faz as compras e outros recados de que a também cozinheira já não consegue dar conta.

Na residencial, os 23 quartos nem sempre estão cheios, mas Emília Carreira diz que não se pode queixar. Ali ficam pessoas que trabalham na zona, sobretudo na área dos moldes, e que são de outras zonas do País. À conta do alojamento, a comerciante garante que conhece “gente de todo o lado de Portugal”.

E se na residencial tem mais ajuda, na cozinha do restaurante é Emília Carreira quem dá conta do recado. Só pede auxílio quando é preciso mexer em alguma panela ou tachos mais pesados, que tem mais dificuldade em manusear.

Não esconde a tristeza por ver o Mini-Saia de portas fechadas. “Têm de começar a deixar as dancetarias trabalharem. As pessoas também precisam de se divertir”, defende.

Quando deixar de trabalhar, acredita que os negócios serão vendidos. A filha está emigrada há vários anos em França e o neto tem outros objetivos profissionais. “Isto é uma prisão muito grande”. Emília Carreira sabe bem do que fala.

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