“Visto da Foz – Crónicas” é o mais recente livro do antigo ministro Alberto Costa e reúne cerca de quatro dezenas de crónicas originalmente publicadas nos semanários REGIÃO DE CISTER e Gazeta das Caldas. A obra, com edição de autor e produção da Hora de Ler, foi apresentada na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, no passado sábado, numa sessão realizada no âmbito do ciclo “Leiria Convida” e moderada por Acácio Sousa.
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Através de uma compilação de textos, reunidos ao longo de 110 páginas, o advogado, natural de Évora de Alcobaça, combina vivências pessoais com episódios marcantes da vida coletiva, expondo episódios e memórias do passado e diversos pontos de vista. Ao longo dos excertos, cruzam-se desafios por resolver, recordações de outros tempos, manifestações tanto de estagnação como de transformação, assim como as reflexões do autor sobre situações locais, nacionais e internacionais, num mundo em permanente transição. ““É uma demonstração de interesse pela região, que aborda aspetos da vida local que se entrelaçam com a minha experiência pessoal e com os meus diferentes pontos de vista”, descreveu ao REGIÃO DE CISTER.
Nascido em 1947, Alberto Costa iniciou o seu percurso académico e profissional em Leiria, cidade onde realizou o estágio de advocacia e deu os primeiros passos na vida pública. Ainda jovem, envolveu-se ativamente no movimento estudantil de oposição à ditadura, destacando-se pela participação cívica e política num contexto marcado pela repressão do regime. Foi candidato pela Oposição Democrática e chegou a ser excluído de listas eleitorais pela polícia política, experiência que o levou à prisão e, posteriormente, ao exílio, antes do 25 de Abril de 1974.
Com a instauração da democracia, Alberto Costa afirmou-se como advogado a partir de 1974, desenvolvendo uma carreira que conciliou a prática jurídica com uma intensa atividade política e institucional. Ao longo do seu percurso, exerceu funções governativas de relevo, tendo sido ministro da Administração Interna entre 1995 e 1997 e ministro da Justiça entre 2005 e 2009. Paralelamente, foi deputado à Assembleia da República em várias legislaturas, intervindo de forma regular em matérias relacionadas com a justiça, com os direitos fundamentais e com o funcionamento das instituições democráticas.
No plano internacional, participou na Convenção Europeia e presidiu à delegação portuguesa na União Interparlamentar. Paralelamente, desenvolveu atividade como autor, com várias obras dedicadas a temas institucionais e políticos, entre as quais se destacam “Esta (não) é a minha Polícia” e “Tribunal Penal Internacional – Para o Fim da Impunidade dos Poderosos”.

