Dentro de quatro anos, a Fonte dos Carvalhos, situada entre a rua 1.º de Dezembro e a Rua Professor Bernardo de Almeida, na Maiorga, completa um século. Tinha sido requalificada em 2013 e está agora a ser limpa por um grupo de moradoras, cansadas de ver a degradação daquela que é uma das dez fontes que se podem encontrar na localidade.
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A ideia foi de Alexandra Gomes, que habitualmente se cruza no café mesmo em frente com Isabel Saraiva, Lubélia Borges e Soledade Domingues. Residem todas ali perto. Em conversa, decidiram que iam pôr mãos à obra, limpando o local da crescente vegetação e do lodo. Essa parte está concluída, faltando agora a pintura da fonte.
“Sabemos que a equipa da Junta não consegue chegar a todo o lado”, refere Alexandra Gomes. Lubélia Borges concorda. “Se todos fizessem um bocadinho…”, comenta a moradora. “A gente gosta de ver a terra zelada”, acrescenta Isabel Saraiva.
As quatro senhoras, três das quais reformadas, pediram lixívia à Junta e estiveram horas a esfregar a estrutura, depois de terem arrancado todas as ervas. A mesma autarquia vai fornecer a tinta, para a última fase do projeto. “Não se via a fonte”, recorda Soledade Domingues, contente com o resultado até agora.
A limpeza tem sido feita com cautela, para não danificar o gigante painel de azulejos, que, há uma dúzia de anos, ali foi instalado. É feito de quase 200 azulejos pintados pelas (então) crianças do Centro de Bem Estar Social da Maiorga.
A Fonte dos Carvalhos remonta à década de 20 do século passado e foi, durante décadas, uma antiga mina rica em água de nascente, ponto de paragem para o gado beber água. Servia também para consumo humano, enquanto não houve água canalizada, bem como para lavagens. “Antes eu vinha aqui lavar tapetes”, recorda Lubélia Borges, de 71 anos.
Hoje, a água já não é potável, apenas dá para limpezas e lavagens, mas continua a jorrar, conferindo ao local de intenso tráfego automóvel um cenário repousante e um cantinho para descontrair. “A água era maravilhosa”, conta Alexandra Gomes, que ali tem um azulejo pintado pelo filho, hoje já crescido.
A iniciativa do grupo de moradoras foi bem recebida pela Junta. “Este grupo foi falar comigo e aceitámos logo”, conta o presidente. Para Sérgio Rocha, trata-se de um “bom ato de cidadania”. “Parabéns pela iniciativa”, enaltece o autarca.
A Maiorga tem várias fontes e dois lavadouros. A Fonte dos Carvalhos é a única onde a água é imprópria para consumo, dado que é abastecida por uma mina de água, ou seja, um local onde a água subterrânea, geralmente de um lençol freático, emerge na superfície. Ali, onde a água corre sem parar e onde os bancos convidam à pausa, já estão pensados convívios entre moradores da rua. E é certo que as quatro voluntárias vão lá estar.


