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Por momentos, podia ter acabado mal. Três pessoas aproximaram-se demasiado da zona de rebentação da praia da Nazaré e, ao final da tarde de segunda-feira da passada semana, foram arrastadas pelo mar. Eram cerca das 18:45 horas quando o dispositivo permanente de nadadores-salvadores voltou a ser chamado a intervir. As vítimas foram retiradas da água com sucesso, o 112 foi acionado e as três pessoas acabaram transportadas para uma unidade hospitalar pelos Bombeiros Voluntários da Nazaré.
Dois dias antes, já outra ocorrência tinha obrigado a uma resposta rápida. Uma mulher foi arrastada por uma onda em frente ao restaurante Mar Bravo, na zona da Moiteira. A nadadora-salvadora que se encontrava mais próxima conseguiu segurá-la na rebentação até à chegada dos restantes elementos, que acorreram ao local com moto 4×4 e buggy. Outras duas pessoas ajudaram no resgate.
São dois episódios separados por poucas horas, já depois do fim oficial da época balnear, que terminou a 15 de setembro. E são também um lembrete de que a mudança de calendário não muda o comportamento do mar.
A Associação de Nadadores Salvadores da Nazaré mantém um dispositivo permanente na praia da vila e tem insistido na prevenção junto de quem permanece no areal, sobretudo quando as condições aconselham maior distância da linha de água. Nem sempre, contudo, os avisos são seguidos.
O balanço da época balnear de 2026 ajuda a perceber a dimensão do trabalho realizado. Entre 21 de junho e 15 de setembro, os nadadores-salvadores registaram 16 salvamentos nas praias da Nazaré, Salgado e Norte, além de 114 intervenções de primeiros socorros e 110 tratamentos relacionados com peixes-aranha. O dado mais relevante foi animador, já que não houve qualquer ocorrência mortal nas praias abrangidas pelo dispositivo durante a época balnear.
Para Daniel Meco, coordenador-geral da Associação de Nadadores Salvadores da Nazaré, o resultado deve-se ao planeamento conjunto entre diferentes entidades e, sobretudo, ao trabalho de prevenção.
“O nosso trabalho mais importante é aquele que não aparece em números, é a prevenção do afogamento”, sublinha. E é precisamente essa prevenção que continua agora, fora da época balnear. Porque, como a última semana mostrou, setembro pode acabar no calendário, mas a necessidade de vigilância não desaparece com ele.
Pioneira na vigilância todo o ano
A Praia da Nazaré mantém nadadores-salvadores em permanência ao longo de todo o ano, num modelo criado em 2017 e então pioneiro em Portugal. A vigilância fora da época balnear nasceu da necessidade de responder ao elevado número de visitantes e aos riscos associados à forte rebentação e às correntes, numa praia procurada também durante o inverno. O dispositivo funciona entre as 10 horas e o pôr-do-sol e integra uma equipa fixa de cinco nadadores-salvadores, apoiada por torre de vigilância, motos 4×4, viaturas e articulação com bombeiros, INEM, GNR e Autoridade Marítima. Segundo dados apresentados pela Associação de Nadadores Salvadores da Nazaré, desde a implementação deste modelo não se registaram mortes por afogamento na Praia da Nazaré, apesar do aumento da procura fora da época balnear.


