Atletismo: Técnico nazareno celebra 33 anos de carreira com projeto “a solo”

A paixão pelo atletismo corre nas veias do ex-velocista Victor Zabumba, que após 33 anos como treinador afeto a um clube decidiu dar “novo fôlego” à carreira ao criar um projeto “a solo”. O nazareno treina atletas para as grandes competições nacionais e internacionais.

Os resultados foram visíveis na 1.ª jornada do campeonato nacional de pista coberta, a meados deste mês, quando alguns dos pupilos garantiram medalhas e novas marcas pessoais. 

O nazareno, de 55 anos, treina atletas que têm ligações a vários clubes, mas destaca ao REGIÃO DE CISTER a vontade de os continuar a ajudar. “Qualquer feito dos meus atletas são um motivo de alegria e de dever cumprido”, destaca o treinador, reiterando que esses feitos podem ser “recordes pessoais por apenas 0,001, presença em grandes competições internacionais ou mesmo quando retornam de lesões e recomeçam novamente todo o seu percurso no treino”.

A carreira de treinador de Victor Zabumba começou aos 22 anos, quando decidiu deixar de ser atleta para se dedicar a ensinar os outros, como foi o caso do alcobacense Paulo Carreira, detentor do recorde distrital de 3.000 metros obstáculos, e Carlos Santos, detentor dos recordes de 1.500, 3.000 e 5.000 metros. “Os atletas não precisavam de mim como um adversário, mas sim como um conselheiro e treinador”, constata o ex-velocista. 

O ex-atleta começou a “aconselhar” no Planalto, juntando-se mais tarde à equipa da Meia-Maratona Internacional da Nazaré e Bairro dos Anjos. Após passagens, ainda, pelo Clube de Atletismo da Marinha Grande e Arneirense, reforçou a comitiva do Benfica, em 2007, que levou a grandes provas até ao ano passado. 

Pelas águias, Victor Zabumba treinou atletas com presenças em Europeus e Mundiais de Juniores, Europeus de Esperanças e mais recentemente Taça das Liga das Nações europeias e Campeonatos da Europa de seniores. Além dos clubes, o nazareno foi também coordenador de estafetas das seleções nacionais em provas internacionais. 

Apesar de inúmeros títulos coletivos, destaca a vontade de ajudar a rejuvenescer o atletismo na “sua” Nazaré. “Tenho essa obrigação para com a minha terra”, assevera, ressalvando o esforço que tem sido realizado para que a modalidade continue “viva”. Ainda que a vida familiar esteja estabelecida em Lisboa, o técnico pretende realizar estágios na vila e ver cumprido o “sonho da década de 1980”, quando se falava na construção de um Centro de Treino Internacional.

Embora hoje seja mais acessível para um atleta crescer na modalidade, Victor Zabumba não facilita quando se trata de definir objetivos. O próximo é marcar presença como treinador numa edição dos Jogos Olímpicos. Quem sabe se não fica este ano com olhos em bico.

Carreira como atleta ficou curta para potencial

Passou pela natação na Marinha Grande e pelo futebol do Ginásio, mas os dotes de velocista fizeram com que aos 11 anos optasse pelo atletismo e integrasse a equipa do Planalto.

No escalão de juvenis chegou a estar entre os mais rápidos do País nos 400 metros, mas as pretensões eram outras e aos 22 anos pendurou as sapatilhas após passagens pelo Nazarenos e Arneirense.

No entanto, há vários momentos durante os 11 anos de atleta que Victor Zabumba jamais esqueceu: desde ter ficado nos últimos lugares numa prova de infantis, que não o fez desistir, ao título de campeão distrital de juvenis nos 400 metros, e ter festejado a conquista de um corta-mato no Sítio, com 19 anos, sob o olhar atento dos pais.