Loja Risk “troca” brinquedos por sorrisos há quatro décadas

A maioria das crianças continua a preferir uma boneca ou um cesto de legos a um dispositivo tecnológico. O truque é conseguir encontrar um brinquedo que proporcione o fator “uau” na criança e essa é a missão da loja Risk - uma prenda para ti, que há 40 anos mantém as portas abertas na Benedita para clientes dos 0 aos 99 anos.

Depois de mais de uma década como funcionária na loja, Deonilde Vicente aceitou o desafio de assumir a gestão do espaço. Não pelo lucro que esperava obter do negócio, mas pelo desejo de colocar um sorriso na cara dos seus clientes. “Este é um ramo em decadência porque cada vez mais os pais consideram os brinquedos como supérfluos e os preços praticados nos supermercados são muito competitivos. Mas vale a pena quando vejo uma criança com os olhos a brilhar devido a um artigo nosso”, conta.

O fascínio pelos bonecos surgiu durante a infância, quando Deonilde Vicente ficou “apaixonada” por uma boneca que retratava a típica mulher nazarena. “Tinha 6 anos e os meus pais, com poucas possibilidades económicas, não tinham forma de comprar uma boneca. Durante vários dias, acordei de madrugada e apanhei caracóis para os meus pais venderem no Mercado Municipal da Nazaré. Foi dessa forma que juntei o dinheiro para comprar a minha primeira boneca, que ainda hoje guardo”, recorda.

É esse sentimento de felicidade, que ainda hoje relembra, que a empresária almeja proporcionar às crianças que visitam a sua loja. Com a crescente competição das grandes superfícies comerciais a qualidade e a irreverência são fatores chave para marcar a diferença. “Os nossos clientes procuram a loja porque têm confiança na qualidade e sabem que aqui encontram produtos únicos. Parte do encanto dos brinquedos é que podem ser transmitidos de geração para geração”, explica.  

Deonilde Vicente acredita que as crianças aprendem com as brincadeiras e que os brinquedos devem recriar ações do dia-a-dia. “Temos cozinhas de madeira, carrinhos de mão e até vassouras para que as crianças possam imitar os pais durante as tarefas domésticas e adquirir práticas importantes para o futuro”, explica. A pensar neste “método de ensino”, a empresária natural da freguesia do Vimeiro criou pequenas máscaras de proteção para as bonecas, que oferece aos clientes aquando das suas compras. “As crianças podem colocar as máscaras nas bonecas e com a brincadeira, uma ação que é estranha até para os adultos torna-se mais natural. A brincadeira ajuda a desconstruir o desconhecido”, afirma. 

Nestes longos anos de atividade, nenhuma criança saiu a chorar do Risk, assegura a proprietária. “Há sempre um mimo para dar, mesmo que os pais tenham decidido, pelas mais variadas razões, não levar o brinquedo. Um rebuçado, um balão ou às vezes um livro coloca um sorriso na cara destas crianças que muitas vezes não entendem o porquê de o carrinho ter de ficar para o próximo mês”, conta. E o mesmo lema se aplica aos graúdos. Para os adultos, a loja dispõe de jogos clássicos como as damas, a malha ou peões de madeira, que recordam a infância. 
O plano é manter as portas abertas por muitos mais anos e continuar a trocar brinquedos por sorrisos até porque “brincar nunca vai passar de moda”.