Projetos de beneditense fazem sucesso na ilha de São Miguel

Saiu da Benedita para ir estudar para Aveiro. De Aveiro fez as malas em dois dias para ir trabalhar para a ilha de São Miguel. Sem nunca deixar a profissão de educadora de infância, Catarina Ferreira abriu na ilha dos Açores, nos últimos 20 anos, uma loja de artesanato, um restaurante vegetariano, um hostel, um café, uma hamburgueria, uma mercearia, uma empresa de catering e uma pastelaria.  

“Sempre gostei muito de artesanato e com o tempo livre que tinha em São Miguel comecei a dedicar mais tempo ao ofício, acabando por abrir uma loja com dois amigos, que mais tarde viria a resultar nas Rotas da Ilha Verde, uma sala de chá que deu num restaurante vegetariano”, explica a beneditense, de 44 anos. “Apaixono-me muitos pelos lugares, mesmo sem saber muito bem a vida que lhes vou dar”, acrescenta a empreendedora, que acabou por ter o mérito de ser a primeira a abrir um restaurante vegetariano – e continua a ser o único – e um hostel [¾ hostel] na Ilha de São Miguel. Seguiu-se ainda uma hamburgueria e a venda de bolas de berlim do Atelier do Doce nas praias da ilha. O rodopio era tanto que já dizia aos amigos que se mostrasse vontade de se meter em mais algum projeto a mandassem internar. Não foi preciso interná-la, mas quase. É que depois de Catarina Ferreira não ter conseguido dizer que não à oportunidade de “herdar” a antiga loja de chapéus e tecidos importados de Paris, na baixa de Ponta Delgada, caiu-lhe um ferro no primeiro dia que visitou a loja. “Andava tão entusiasmada que nem percebi a gravidade da situação. Um amigo que era cirurgião é que me aconselhou a ir ao hospital e acabei por levar 5 pontos”, conta, entre risos.

Ao Louvre Michaelense chama-lhe “mercearia do mundo”, mesmo que ali se possa comer uma fatia de bolo ou sushi, beber café ou chá, comprar uns sapatos da Benedita ou uma peça de cerâmica das Caldas. “A minha avó tinha uma mercearia na Benedita e o conceito de mercearia era um espaço onde se vendia e encontrava tudo. É precisamente esse o conceito do Louvre”, justifica a beneditense, que diz “ajustar a oferta à medida das necessidades”, com o objetivo constante de “apoiar e incentivar os produtores e os artesãos locais”.

Recentemente, a beneditense criou uma empresa de catering [Primos] e uma pastelaria [Fermento]. E foi já durante a pandemia que o afamado bolo de chocolate ganhou vida num novo formato. “Apesar de nunca termos fechado o Louvre houve necessidade de nos reinventarmos e foi assim que nasceu o projeto ‘O Segredo Vai de Viagem”, com o intuito de levar o nosso Segredo de Chocolate, pré-preparado, bastando juntar-lhe os ovos e levar ao forno, a várias partes do mundo”. Além das várias encomendas online, o bolo de chocolate já está à venda na loja online do Casal Mistério e numa loja americana.

Entre o Louvre Michaelense, o Primos e o Fermento, Catarina Ferreira já conta com uma equipa de 20 pessoas.

Sem saber qual a próxima paixão que se avizinha, certo é que o nome de Catarina Ferreira já fez história na ilha verde com o empreendedorismo tão nato dos beneditenses.

Foto: Paulo Vieitas