Terça-feira, Março 31, 2026
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Tiago Duarte oferece rim ao amigo George Sousa

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Costuma dizer-se que os amigos são para certas ocasiões, mas o que Tiago Duarte decidiu fazer vai muito para além da amizade: quando foi diagnosticada insuficiência renal ao amigo George Sousa, o operário fabril decidiu doar-lhe um rim, para permitir “devolver a vida” a uma pessoa “muito especial”. Mesmo que, para tal, abdique de coisas tão importantes como o kickboxing, o desporto que pratica há quatro anos.

Costuma dizer-se que os amigos são para certas ocasiões, mas o que Tiago Duarte decidiu fazer vai muito para além da amizade: quando foi diagnosticada insuficiência renal ao amigo George Sousa, o operário fabril decidiu doar-lhe um rim, para permitir “devolver a vida” a uma pessoa “muito especial”. Mesmo que, para tal, abdique de coisas tão importantes como o kickboxing, o desporto que pratica há quatro anos.

“Conheci o George em 2010, numa manhã em que a canalização da minha cozinha rebentou. A minha mulher foi ao café e começou a comentar o sucedido e ele, ao ouvir, perguntou se precisavámos de ajuda… Eu estava a tirar os móveis da cozinha quando ele bateu à porta e perguntou se precisava de uma mão”, recorda o nazareno, de 34 anos, que percebeu “desde esse dia, que se tratava de uma pessoa especial, pois “quem, nos dias de hoje, oferece ajuda gratuita a uma pessoa que não conhece?”

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Resolvida a questão da canalização, a amizade começou a florescer. “Foram tempos e momentos muito felizes que vivemos, pois o George transbordava de boa disposição, era impossível estar ao pé dele sem nos estarmos a rir… Para além do mais, é uma pessoa com um fator ao qual valorizo muito: a humildade!”, explica Tiago Duarte, que trabalha há 18 anos na Recauchutagem 31, em Alcobaça, e tem “três filhos maravilhosos”.

Natural de Turquel, George Sousa já atravessara momentos difíceis a nível familiar, tendo perdido dois sobrinhos em tenra idade. Ainda assim, transbordava alegria no contacto com os outros, até que a doença e a necessidade de fazer hemodiálise lhe retiraram aquela “alegria contagiante”. “As quatro horas por dia, três vezes por semana, roubaram-lhe a vida. Já para não falar na degradação física que lhe ia causar ao longo dos tempos e que já é visível”, relata o amigo, que decidiu, então, fazer o que lhe era possível para reverter o cenário.

“Isto acaba por ser algo do género: não aguento mais ver-te assim… Se formos compatíveis, dou-te um rim. Não… Dou-te a tua vida de volta… Devolvo-te a pessoa que conheci”, relembra Tiago Duarte, assumindo que tomou a decisão sem pensar em todas as consequências. “Decidi sem em momento algum pensar o que aconteceria comigo. Quero devolver ao Cristiano o seu pai e isso para mim não tem preço”, afirma.

A família de Tiago revelou apoio. “Inclusive a minha irmã disse-me que, se algo correr mal no futuro, me daria um rim para eu nunca ter que fazer hemodiálise. A minha mulher, a Júlia, é o meu principal apoio, minha amiga, desde o primeiro segundo que me disse: ‘faz, segue o teu coração, eu vou estar sempre aqui para o que for preciso’”, sustenta o doador, que sentiu mais resistência por parte da… progenitora. “Com a minha mãe é mais complicado. Tento não falar muito sobre o assunto com ela, pois embora ela compreenda o que fiz, é mãe e tem receio que algo corra mal. Depois de tudo isto nunca mais serei o mesmo. Mas quero muito que isto acabe rápido e volte tudo ao normal”, admite.

Para Tiago Duarte, o mais difícil é mesmo ter de deixar de praticar o desporto de eleição. “Não estava à espera. Foi um golpe para o qual não estava preparado, pois tenho no kickboxing o meu escape, onde deixo todo o stress. Mas pondo na balança, a vida de uma pessoa pesa bem mais do que a realização pessoal”. Essa é a maior vitória que o nazareno pode almejar. E é destes grandes gestos que se fazem os verdadeiros campeões.

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