Segunda-feira, Dezembro 5, 2022
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Entrevista a Edmilson Pimenta

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Depois de ser apresentado como coordenador técnico do Grupo Desportivo “Os Nazarenos”, Edmilson Pimenta fala, em entrevista ao REGIÃO DE CISTER, sobre a parceria entre o clube e uma empresa brasileira de agenciamento de jogadores que aponta a subida aos campeonatos nacionais como objetivo para os próximos anos.

Depois de ser apresentado como coordenador técnico do Grupo Desportivo “Os Nazarenos”, Edmilson Pimenta fala, em entrevista ao REGIÃO DE CISTER, sobre a parceria entre o clube e uma empresa brasileira de agenciamento de jogadores que aponta a subida aos campeonatos nacionais como objetivo para os próximos anos.

REGIÃO DE CISTER (RC) > O que o levou a vir do Brasil para aceitar este desafio na Nazaré?
Edmilson Pimenta (EP) > É um desafio interessante. Trabalho há mais de 25 anos com o meu parceiro [Lárcio Silva] que me pôs em contacto com a PBF [empresa brasileira de agenciamento de jogadores]. Conheci as condições fantástica do clube e da Nazaré e decidi aceitar. O Grupo Desportivo “Os nazarenos” é um clube com tradição, mas está a atravessar uma má fase. É um projeto interessante e muito desafiante. Mas eu gosto de desafios. Na minha carreira enquanto jogador de futebol comecei por baixo. Gosto de começar por baixo e depois mostrar trabalho. Foi por isto que aceitei ser coordenador técnico do clube. Além disso, tenho raízes muito fortes aqui em Portugal, passei aqui grande parte da carreira e tenho duas filhas lindíssimas que estudam no Porto. Foi também a proximidade com elas e o apoio que lhes posso dar que me fizeram regressar a Portugal.

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RC > Quais é que são as suas expectativas para o Nazarenos?
EP > Como eu disse, o clube tem muita tradição em Portugal e queremos levar novamente o Nazarenos para onde merece estar. Com as condições do clube é possível fazer um bom trabalho e, passo a passo, chegar até à 2.ª Liga. 

RC > Esse é o objetivo da parceria entre o Nazarenos e a PBF?
EP > Com certeza. A parceria é de um ano, mas pode muito bem ser prolongada. Aliás, o objetivo da Direção é subir. Nesta época que agora terminou não foi possível, o clube esteve perto, mas este ano pretende subir. Além da subida de divisão, um dos objetivos passa por revelar jogadores, à semelhança do que o clube foi fazendo nos últimos tempos, em que vários jogadores das camadas jovens se afirmaram como profissionais de qualidade. E são jogadores aqui da região. E por que não ter mais jogadores assim? Penso que com um bom trabalho isso é possível. Queremos montar uma equipa competitiva, subir de divisão, revelar jogadores e ganhar com tudo isso.

“Poderemos ter aqui jogadores que têm condições para jogar na 1.ª Divisão mas que vão estar connosco no Nazarenos por causa do projeto”

 

RC > Como é que isso vai ser feito na prática?
EP > Começa tudo pelos treinos. O Aércio Silva e o Mauriti Cardoso [presidente da PBF] vão trabalhar de perto para definir tudo muito bem. A vinda de alguns jogadores para suprir lacunas no plantel vai ajudar a formar um grupo forte. Vou ficar responsável por fazer a ligação entre a PBF, a Direção do Nazarenos e os jogadores. Para nós é importante fazer muito bem essa ligação para garantir que os jogadores têm todas as condições para evoluir. O Nazarenos está numa divisão baixa mas o nosso objetivo é alto. E até podemos ter aqui jogadores de 1.ª Divisão, mas que vão estar connosco por causa do projeto. Jogadores que têm condições de jogar na 1.ª Liga facilmente e estarão cá por mim e pela parceria com a PBF. Isso vai acontecer. 

RC > A realidade financeira do clube não é favorável. Em que condições serão contratados esses jogadores?
EP > A PBF vai suportar todos os encargos, então os jogadores vão ficar cá para fazer esse trabalho. Estarão aqui a trabalhar e para fazer uma passagem. Eles não vão querer ficar para sempre no Nazarenos, como é óbvio. Querem voos maiores. Mas para isso têm de começar por algum lado e vão poder fazer isso ao mesmo tempo que nos podem ajudar. Acaba por ser bom para os jogadores e para o clube, porque esses voos maiores só acontecem se fizerem um bom trabalho e isso vai ajudar a concretizar os objetivos coletivos.

“O Nazarenos está numa divisão baixa mas os jogadores têm de perceber que não é por isso que no futuro não poderão vir a jogar num clube grande em Portugal”

 

RC > Já estão a trabalhar em contratações de jogadores?
EP > Sim. Estamos em negociações com vários jovens, um deles joga no Leixões e foi sondado pelo Sporting e o outro é um médio-esquerdo ofensivo, de 17 anos, que marcou mais de 25 golos nesta época. Temos também um central que trabalha connosco lá no Brasil, 17 anos, 1,93 m e está pronto para vir ajudar o Nazarenos. E são jogadores que vêm para cá por nós para trabalhar para estar aptos para um desafio maior. E o nosso trabalho vai passar muito por isto de potenciar novos talentos.

RC > A sua experiência no Sporting e FC Porto podem ajudar nisso?
EP > Sim, com certeza. Com a minha experiência como jogador posso conseguir passar algumas coisas para os jogadores. A principal será que não é por se jogar nos escalões distritais que no futuro não se poderá chegar mais longe. Penso que isto é importante. A idade e a experiência são importantes e posso dar esse exemplo de que com trabalho é possível chegar, por exemplo, ao Sporting. Depois, a motivação é uma coisa muito importante. Porque os jogadores podem evoluir, mas precisam de ter motivação para desenvolver tecnicamente, psicologicamente e fisicamente para um grande desafio.

“Comecei por baixo na minha carreira e fui mostrando trabalho e subindo até poder representar o FC Porto e o Sporting. É esta mensagem que passo aos jogadores”

 

RC > Tendo em conta essa experiência, não faria sentido ser o Edmilson a assumir o comando técnico da equipa sénior do Nazarenos?
EP > Já fui treinador em alguns clubes no Brasil e ser treinador pode voltar a passar pelo meu futuro. Mas isso vai acontecendo a passo a passo. O míster [Francisco Mota] fez um bom trabalho esta época, não subiu por pouco, vamos deixá-lo continuar a fazer o trabalho dele. Já tem praticamente a espinha dorsal da equipa, os jogadores trabalham com ele e então vai continuar e tem tudo para fazer um bom trabalho. Estou cá há pouco tempo, ainda estou a conhecer o clube e a ambientar-me, vamos dar tempo para que todos possam desenvolver um bom trabalho.

RC > Está no clube há pouco mais de uma semana. Já teve oportunidade de conhecer a realidade do Nazarenos?
EP > Ainda estou a fazer isso, mas já deu para conhecer algumas coisas. Já deu para ver as excelentes condições de trabalho que o clube tem. Aliás, há clubes da Série A [principal campeonato de futebol no Brasil] que não têm infraestruturas com esta qualidade. Também já conheci as pessoas e também já deu para ver que são sérias e querem fazer um trabalho bom, transparente e coerente que levem o clube a subir de divisão. 

“Queremos voltar a aproximar os nazarenos ao Nazarenos“

RC > Na região são conhecidos vários casos de clubes que ficaram com problemas difíceis após parcerias deste género. O que diria a um sócio do Nazarenos que esteja reticente com o projeto apresentado pela PBF?
EP > Não iria dar a cara por um projeto, se não tivesse a confiança plena na empresa e nos seus parceiros, ou se não acreditasse que fosse correto e transparente. Tenho certeza que todos darão o máximo pelo clube e o Grupo Desportivo “Os Nazarenos” é a base de tudo. Não sei o que falhou nos outros projetos, mas sei que o mundo do futebol é igual ao da política: tem gente capaz de tudo, gente boa e má. Cada um terá as suas funções para que tudo corra bem. E penso que a parceria vai dar certo e vamos prolongá-la por mais do que um ano. Já estou a trabalhar desde que cheguei à Nazaré, fazendo também a divulgação da cidade, do clube e dos jogadores. Estive há dias no Porto e na Figueira da Foz e parece que todo o País já sabe que eu estou aqui na Nazaré. Desejam-me boa sorte e felicidades para o clube. Também aqui mesmo na Nazaré me perguntam como as coisas estão a correr e se vamos criar um grupo forte para subir de divisão. Passei pelo FC Porto e Sporting, fui campeão em ambos, e penso que como as pessoas me conhecem vão acompanhado a vida do clube. E queremos aproximar muito mais a Nazaré do Nazarenos. Temos várias coisas para fazer e estou a dar também a minha imagem para conseguir várias coisas para o clube.

RC > Jogou vários anos em Portugal mas sempre no escalão principal. Já conhece a realidade destas competições?
EP > No final da minha carreira também competi em escalões distritais [Guilhabreu na época 2006/07] e verifiquei que o nível competitivo é muito alto e evoluiu desde então. Já tive oportunidade de, nos últimos dias, ver um jogo da distrital de Aveiro, uma partida entre o Beira Mar e o Pampilhosa e vi muita qualidade. Há jogadores destas equipas que têm qualidade para estar em equipas muito maiores e fiquei até um pouco assustado [risos] e já falei com a Direção e os parceiros para fazermos uma equipa em condições, porque vamos encontrar desafios muito difíceis em campeonatos duros e muito físicos. Temos de estar mesmo muito bem preparados.

RC > Desde a reformulação do Campeonato de Portugal, nenhuma equipa do distrito de Leiria se conseguiu manter mais do que uma temporada. O que falta a estas equipas e como é que o Nazarenos pode mudar este “destino” dos clubes da região?
EP > Sim, já percebi que as equipas que sobem dos distritais para o nacional têm dificuldades em manter-se. Como disse, os campeonatos são muito competitivos e complexos. Há uma grande diferença de nível entre a Divisão de Honra e o atual Campeonato de Portugal Prio. Penso que a chave está, obviamente, na qualidade da equipa mas passa muito, também, pela construção de uma estrutura de apoio à volta dos jogadores. Não basta termos jogadores muito bons, é preciso um conjunto de outras tarefas que têm de ser asseguradas consistentemente e de forma profissional para garantir que tudo corre bem e que os jogadores só têm de se focar em apresentar-se em campo ao melhor nível possível. É importante contratar os jogadores certos, mas a estrutura também é essencial, e essa gestão vai passar por mim para criar todas as condições para se chegar onde queremos chegar. E manter-nos. Não vale de muito subir aos campeonatos nacionais e depois voltar a descer logo a seguir.

RC > Pensa que a sua visibilidade pode trazer benefícios para o Nazarenos?
EP > Claro que sim. Essas não são as minhas tarefas principais, mas acabo sempre por tentar ajudar onde posso e a visibilidade que felizmente tenho pode abrir algumas portas nesse sentido. Por exemplo, já estive reunido com uma marca de equipamentos desportivos que quer patrocinar o Nazarenos por minha causa. O negócio está praticamente fechado e vai traduzir-se numa redução dos gastos para o clube e isso é fantástico para a realidade do Nazarenos. Penso que também posso entrar nesse “departamento” e trazer as empresas e outras entidades para o clube. Não precisamos que nos deem muito mas se todos ajudarem um bocado já vai ajudar o clube a manter-se e cumprir os compromissos. Vou tentar, também, ajudar nesse sentido.

 

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