Quinta-feira, Julho 30, 2026
Quinta-feira, Julho 30, 2026

Casa Antero: a mais antiga casa de comércio de Alcobaça

Data:

Partilhar artigo:

O edifício tem cerca de 200 anos e exibe, orgulhosamente, o espaço comercial mais antigo da cidade. O que começou, em 1919, por ser uma mercearia, mais concretamente a “Casa do Povo Abílio da Silva Ramalho”, que vendia “farinhas, tabacos, miudezas”, mas também era “salsicharia” e vendia “fazendas”, permanece na mesma família há oito décadas e transformou-se, em 1988, numa retrosaria

O edifício tem cerca de 200 anos e exibe, orgulhosamente, o espaço comercial mais antigo da cidade. O que começou, em 1919, por ser uma mercearia, mais concretamente a “Casa do Povo Abílio da Silva Ramalho”, que vendia “farinhas, tabacos, miudezas”, mas também era “salsicharia” e vendia “fazendas”, permanece na mesma família há oito décadas e transformou-se, em 1988, numa retrosaria. Falamos da Casa Antero, sem sombra para dúvidas uma das “Casas com História” mais cativantes de Alcobaça, e que ganhou o nome de Antero Maria Coutinho, um dos icónicos comerciantes da cidade, que faleceu em 2007 depois de uma vida dedicada aos negócios e à família.

Antero Coutinho era natural de Pataias, mas chegou a Alcobaça em 1935, para trabalhar na mercearia que viria a assumir, por conta própria, em 1943. Tinha apenas 24 anos e nem o facto de se estar em plena 2.ª Guerra Mundial o fez vacilar na hora de se estabelecer. Investiu o que tinha e o que não tinha, mas, sendo homem de contas e de palavra, pagou o trespasse da loja e dinamizou a mercearia, que se tornou numa referência da sempre movimentada Rua Araújo Guimarães.

Região de Cister - Assine Já!

“Pelo que ele me contou, as pessoas das aldeias vinham todas a Alcobaça e aqui compravam o que precisavam, sobretudo à segunda-feira, quando era dia de mercado”, revela José Armando da Silva, que assumiu o negócio do sogro em 1992, quando decidiu mudar de vida. E foi uma mudança a sério.

“Trabalhava em Lisboa, numa empresa de prospeção de solos, e não sabia nada do negócio de retrosaria. Mas quando nos empenhamos, conseguimos tudo. Tinha de pagar as contas ao fim do mês e, por isso, tive de aprender”, reconhece o sucessor do “Sr. Antero”, que passou a viver em Alcobaça na sequência de um problema de saúde da esposa, Isabel, e do sogro, e assim deu continuidade ao espaço comercial.

O lema da Casa Antero “sempre foi tentar resolver os problemas das pessoas”. O comércio mudou muito ao longo das décadas, mas a máxima mantém-se. “As coisas são muito diferentes, temos menos movimento, mas cuidamos dos nossos clientes. Recordo-me que, há uns anos, precisávamos de cinco funcionários para atender o público aos sábados, hoje, infelizmente, já não é assim”, lamenta José Silva, que não sabe se será possível manter o negócio por muito mais tempo. Além da continuidade familiar, há também os problemas suscitados pelo facto de o edifício ter cerca de dois séculos e “necessitar de obras”. Mas nada que faça perder a simpatia e o sorriso ao homem que muitos confundem com o próprio Sr. Antero e que soube aprender a vender tecidos, botões ou linhas.

AD Footer

Artigos Relacionados

Centro Cénico da Cela celebra 42.º aniversário com festival de folclore

No âmbito das comemorações do 42.º aniversário, o Grupo Folclórico do Centro Cénico da Cela promove este sábado,...

Confraria do Frango na Púcara apresentou o primeiro caderno no Ceeria

A Confraria do Frango na Púcara apresentou, no passado sábado, o primeiro número dos “Cadernos do Frango na...

Bombeiros angariam mais de 20 mil euros no âmbito do peditório de Natal

O tradicional Peditório de Natal promovido pelos Bombeiros de São Martinho do Porto permitiu angariar quase 20,5 mil...

Agosto motiva um verão repleto de atividades para todas as idades na freguesia de São Martinho do Porto

O mês de agosto promete diversas atividades em São Martinho do Porto, com uma programação dedicada à cultura,...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!