Quarta-feira, Agosto 10, 2022
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Os grandes campeões em três décadas do circuito de São Bernardo

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A cidade viveria um ritmo alucinante. As animações da Feira de São Bernardo atraíam à rua milhares de pessoas, fossem alcobacenses ou não. Muito se devia ao circuito de São Bernardo, que se realizaria neste 20 de agosto, e que comemorava precisamente três décadas desde a sua primeira edição, em 1990. O percurso de 75 quilómetros enche a cidade de Alcobaça de adeptos do ciclismo há 30 anos, com exceção dos anos 2009 e 2012 em que não se realizou a prova. Sem sofrer alterações significativas, no decorrer da prova o público vai “apostando as suas fichas” nos candidatos à vitória.

A cidade viveria um ritmo alucinante. As animações da Feira de São Bernardo atraíam à rua milhares de pessoas, fossem alcobacenses ou não. Muito se devia ao circuito de São Bernardo, que se realizaria neste 20 de agosto, e que comemorava precisamente três décadas desde a sua primeira edição, em 1990. O percurso de 75 quilómetros enche a cidade de Alcobaça de adeptos do ciclismo há 30 anos, com exceção dos anos 2009 e 2012 em que não se realizou a prova. Sem sofrer alterações significativas, no decorrer da prova o público vai “apostando as suas fichas” nos candidatos à vitória.

Devido à pandemia da Covid-19, as ruas da cidade não estão cortadas e a data será celebrada no próximo ano. Ainda assim, e porque é uma prova emblemática, o REGIÃO DE CISTER decidiu assinalar a data, “convocando” vários atletas a recordarem o circuito, para muitos conhecido por ser a primeira grande prova após a realização da emblemática Volta a Portugal.

“Lembro-me perfeitamente da conquista em 1998. Vinha de uma Volta a Portugal que me correu bastante bem e a vitória no circuito de São Bernardo acabou por confirmar esse momento de forma”, relembra Vidal Fitas, que venceu a prova em 1998 e 2000 e que partilha o recorde de triunfos no circuito de São Bernardo com Orlando Rodrigues (1994 e 2003), Pedro Lopes (1997 e 2001) e Domingues Gonçalves (2017 e 2018). O diretor desportivo do Sporting CP/Tavira retrata a prova como “um percurso muito exigente”, mas que ocupa um lugar especial no seu percurso, tanto que conta com várias participações.

Também para mais tarde recordar foi o regresso de Pedro José Lopes a Alcobaça. O jovem, de 21 anos, cumpriu sete anos da formação no Alcobaça Clube de Ciclismo, e regressou à cidade pela primeira vez em 2018, num regresso “especial” por ter erguido o troféu Timóteo de Matos, dedicado ao ex-presidente do clube e figura muito acarinhada pelos ciclistas alcobacenses, falecida em junho de 2016. “Foi um orgulho conseguir subir ao pódio para receber um troféu dedicado a uma pessoa que muito apreciei”, conta o ciclista da formação Kelly / InOutBuild / UD Oliveirense, e que saiu do clube em 2017 como uma das grandes jovens promessas do ciclismo nacional.

O menino, que conta com vários títulos nacionais, confessa que imaginou a subida ao pódio, e que foi “muito bem recebido” no regresso a uma casa que bem conhece. Foi de tal forma especial, que no ano passado conquistou, de novo, aquele troféu. “O circuito é dos mais exigentes, mas como tinha competido na Volta a Portugal, já vinha bem preparado”, afiança, ainda, o campeão nacional de contrarrelógio 2015, em cadetes.

Não fosse a pandemia, Pedro José Lopes regressaria a Alcobaça e ao circuito de São Bernardo para quem sabe… erguer pela terceira vez consecutiva o prémio Timóteo de Matos.

 

Entrevista a Joaquim Marques, presidente do Alcobaça Clube de Ciclismo

“O circuito afirmou-se o melhor do pós Volta”

REGIÃO DE CISTER (RC) > Qual é a importância do circuito de São Bernardo para o clube?
Joaquim Marques (JM) > O circuito de São Bernardo tem uma importância vital para o Alcobaça Clube de Ciclismo. Para um clube amador organizar uma prova para o escalão principal, que requer um nível profissional, é um enorme desafio no qual pomos à prova toda a capacidade organizativa e esse desafio tem sido superado com assinalável êxito. Ao longo destes 30 anos, o circuito de São Bernardo afirmou-se como o melhor circuito do pós Volta a Portugal e o evento desportivo que mais público atrai a Alcobaça num só dia.

RC > Parte da época desportiva é financiada por esta prova?
JM > O circuito tem um custo muito elevado que ronda os 20 mil euros. Apenas conseguimos organizá-lo com o apoio essencial da Câmara e porque a isso aliamos todo um vasto trabalho que é desempenhado de forma pro bono por um numeroso grupo de voluntários. Se tivéssemos que pagar o trabalho voluntário, o circuito não nos traria qualquer vantagem financeira. A receita média do circuito ronda os 6 a 7 mil euros, o que representa cerca de 10% do nosso orçamento anual.

RC > O que significa então um ano sem prova?
JM > É dramático, pois é um rombo no financiamento do clube, tanto mais que ocorre num ano sem actividade e consequentemente a captação de receitas se torna quase impossível, agravado pelo facto de também as empresas estarem com sérias dificuldades. Temem-se os efeitos da pandemia nas equipas profissionais de ciclismo (9 elites e 9 sub23), mas no resto da modalidade e também do associativismo que vive graças ao apoio das empresas do tecido local. Os grandes grupos económicos estão inacessíveis aos clubes de base local onde predomina a formação.

RC > O circuito serve também de recrutamento de jovens?
JM > Por dificuldades estruturais, o ciclismo não tem a notoriedade suficiente, por isso o recrutamento é uma dificuldade. Temos a nível nacional cerca de 30 clubes de formação com cerca de trezentos jovens dos 5 aos 14 anos, quando no futebol só uma associação distrital terá muito mais do que isso. Quanto a juniores temos já uma escassa centena e meia de atletas. A falta de formação faz com que alguns clubes de juniores passem a vida a “roubar” atletas uns aos outros, sem nada acrescentarem ao desenvolvimento da modalidade.

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